SÃO PAULO - A Ágora revisou as estimativas para a Lojas Americanas (LAME4), seguindo com recomendação de compra para as ações da companhia, com elevação do preço-alvo para 2012, de R$ 20,20 para R$ 21,50, em função de alguns ajustes no modelo da corretora. Entretanto, de acordo com a corretora, a B2W (BTOW3), do segmento de e-commerce, segue influenciando negativamente o desempenho da companhia.
Esse novo preço-alvo do ativo LAME4 configura um potencial de valorização de 21,13% em relação ao fechamento de segunda-feira (13). De acordo com o analista José Francisco Ferreira, vários fatores levaram à revisão do modelo para a Lojas Americanas. Dentre eles, a abertura de noventa lojas em 2011, frustrando as expectativas criadas no início do ano passado, quando os gestores afirmaram que poderiam ultrapassar o teto da meta divulgada, de 90 a 100 lojas.
Além disso, as margens melhores do que o esperado nas operações da controlada compensando crescimento menor da receita também foram positivos. Assim, Ferreira aumentou a projeção de lucro tanto para 2012 quanto para 2013.
"É válido ressaltar que uma parcela significativa de lojas tiveram seus lançamentos atrasados do quarto trimestre de 2011 para o primeiro trimestre de 2012, o que nos mantém otimistas sobre o crescimento da área de vendas no médio prazo", avalia Ferreira, que segue com a projeção de abertura de 115 lojas em 2012 e 125 em 2013.
Incerteza com relação à B2W
De acordo com Ferreira, a principal incerteza em relação à Lojas Americanas é o resultado da B2W, que corresponde a aproximadamente 7% do valor da ação atualmente. "Se a geração de caixa livre da controlada não melhoras no curto prazo, não está descartado um novo aumento de capital para a companhia ou até uma oferta pública de fechamento de capital. Qualquer uma destas possibilidades seria negativa para a Lojas Americanas", aponta o analista.
Ferreira ressalta que o cenário para a B2W segue delicado no médio prazo, embora a empresa afirme que seus problemas logísitcos e operacionais estejam sanados. Para o analista, não há nenhuma vantagem competitiva clara para a B2W frente a seus pares e sem se sobressair em relação à qualidade do serviço. Além disso, em termos de custos e condições de pagamento, a Nova Pontocom, divisão de e-commerce do Pão de Açúcar (PCAR4), leva vantagem devido à escala de compras e solidez financeira, afirma o analista.
Já em relação ao reconhecimento da marca, afirma Ferreira, os recentes problemas operacionais levam a uma necessidade de tempo e investimento em marketing, de modo a compensar os efeitos negativos sobre a imagem da empresa. "Assim, não vemos um meio para que a B2W ganhe participação no mercado e ao mesmo tempo mantenha suas margens e lucratividade estáveis", afirma
Para o analista, a geração de um fluxo de caixa positivo sustentável é um desafio para empresa, cujas operações exigem altos níveis de capital de giro, capex (investimetnos em capital) e despesas financeiras. Desse modo, a Ágora segue com recomendação para maner os papéis da B2W, mas com redução do preço-alvo para 2012 de R$ 19,80 para R$ 12,70, o que configura um potencial de valorização de 17,59% em relação ao fechamento de segunda-feira (13).