SÃO PAULO - Três grandes aeroportos brasileiros vão entrar em processo de licitação na próxima segunda-feira (6). Os terminais de Cumbica, em Guarulhos; Viracopos, em Campinas; e Juscelino Kubitschek, em Brasília, serão repassados à iniciativa privada através de um leilão da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
Informações do Governo e de analistas do mercado dão conta de que ao menos 14 consórcios vão tentar a concessão pública. Entre eles, participam a CCR (CCRO3), em conjunto com a suíça Zurich AG; a Ecorodovias (ECOR3), em parceria com a alemã Fraport; a OHL Brasil (OHLB3), com a Aena, da Espanha; e a Triunfo (TPIS3), juntamente com a francesa Egisavia.
As regras dão conta de que, apesar de um mesmo grupo poder exibir lances para o controle dos três aeroportos, cada um poderá vencer apenas um dos empreendimentos. Além disso, o primeiro colocado - que apresentar a maior taxa anual de pagamento para a União - vai dividir o capital com a Infraero, atual responsável pelos aeroportos, numa proporção de 51% para 49% da estatal.
Projeção do governo pode ser muito baixa
Em um estudo realizado para avaliar as possibilidades econômicas dos terminais, a taxa interna de retorno foi fixada em uma média de 6,5% para os três locais. De acordo com Sara Delfim, Murilo Freiberger e Roberto Otero, do Bank of America Merril Lynch, esse nível pode, além de não ser atrativo, ser irreal. No entanto, os analistas garantem que o mais importante é olhar para as projeções operacionais.
Dos três, o que apresenta maior geração de receitas é Cumbica. A estimativa é de R$ 18,6 bilhões em faturamento, segundo o Governo e o TCU (Tribunal de Contas da União), enquanto Viracopos demonstra R$ 16,1 milhões no mesmo segmento. Mas a operação de Campinas é uma das que tem maior potencial de crescimento, com expectativa de aumento no tráfego em 22,10% até 2016, e de 14,70% de lá até 2020.
Os analistas Bruno Savaris, Vanessa Quiroga e Rodolfo Ramos, do Credit Suisse, porém, acreditam que é o aeroporto de Brasília que aparece como o segundo mais interessante. Isso porque o empreendimento está sendo considerado como central dentro dos planos aéreos brasileiros.
O BofA explica que, caso os pagamentos para a concessão sejam diluídos por todos os anos em que o consórcio atuará, com correção pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), essa taxa de retorno seria aumentada para um patamar próximo dos 12%. Nesse cenário, Cumbica, por exemplo, poderia trazer um retorno de até R$ 2,9 bilhões de seu investimento inicial.
Vale também ressaltar que o modelo deste leilão deve ser diferente daquele apresentado pelo aeroporto de Natal. Stephen Trent, do Citigroup, afirma que, de acordo com fontes do mercado, as receitas comerciais de vendas dentro dos terminais não serão reguladas pelo Estado, como aconteceu com a concessão do Rio Grande do Norte.
Conheça os números da privatização aeroportuária no Brasil:
| Aeroporto | Tempo de concessão | Pagamento mínimo | Taxa à União | Investimentos | Retorno mínimo* | Retorno máximo* |
| Cumbica | 20 anos | R$ 3,4 bilhões | 10% | R$ 4,6 bilhões | R$ - 600 milhões | R$ 2,9 bilhões |
| Viracopos | 30 anos | R$ 1,5 bilhões | 5% | R$ 9 bilhões | R$ - 600 milhões | R$ 1,6 bilhão |
| Juscelino Kubitschek | 25 anos | R$ 600 milhões | 2% | R$ 2,7 bilhões | R$ - 600 milhões | R$ 800 milhões |
Fonte: Governo e TCU
*Segundo as projeções do Bank of America Merril Lynch