SÃO PAULO - Em sua quinta semana consecutiva de alta, o Ibovespa acumulou no período entre 30 de janeiro e 3 de fevereiro ganho de 3,68%, chegando aos 65.217 pontos - sua pontuação máxima desde 2 de maio de 2011, quando o índice fechou a 65.462 pontos. O índice não registrava cinco semanas consecutivas de ganhos desde o período de 30 de agosto e 11 de outubro de 2010, quando subiu sete semanas seguidas. O índice acumula um ganho de 14,91% nessas cinco semanas e no ano.
As ações da Gafisa (GFSA3) foram o principal destaque de alta nesta semana dentre os papéis que compõem o Ibovespa, com valorização de 13,81%, cotadas a R$ 5,11 cada. Enquanto isso, na ponta negativa estiveram os ativos da Telemar Norte Leste (TMAR5), que recuaram 3,94% no período, a principal queda dentro do índice, terminando este pregão a R$ 42,90. O papel já havia registrado a maior baixa do índice na semana anterior.
Petrobras e Vale
Entre os papéis mais líquidos, os ativos da Petrobras (PETR3, 0,00%, R$ 26,86; PETR4, -0,24%, R$ 24,61) encerraram o período sem valorização, a despeito do forte movimento do índice. A companhia comunicou um acidente que ocorreu na bacia de Santos, onde a coluna de uma plataforma se rompeu e despejou petróleo no mar - vazamento que foi contido no decorrer da semana. A companhia também fez uma captação recorde de US$ 7 bilhões. Por fim, foi divulgado que há 152 candidatos para a vaga de representante dos trabalhadores no Conselho de administração.
As ações da Vale (VALE3, +6,58%, R$ 45,87; VALE5, +6,07%, R$ 43,83) também fecharam a semana com ganhos. A principal referência para a companhia foi a suspensão o pagamento de R$ 9,8 bilhões em imposto de renda. Contudo, investidores também responderam à paralisação de funcionamento de uma mina de níquel no Canadá, por motivos de segurança, e à alteração das regras de atracamento para seus supernavios em portos chineses.
Europa: motivos para otimismo
A Europa continuou a ser a principal referência da semana, inicialmente por conta da reunião de cúpula entre líderes do continente - que resultou na adoção de medidas anticrise. A tentativa de equilibrar as contas governamentais de Nicolas Sarkozy, presidente francês, também chamou a atenção, elevando os impostos de bens e consumo em seu país. Além disso, o mercado também viu com bons olhos o interesse chinês em ajudar a Europa.
De acordo com a agência de classificação de risco Standard & Poor's, o continente deve superar a recessão já no segundo trimestre deste ano. Essa recessão foi refletida no PIB (Produto Interno Bruto) espanhol dos últimos três meses do ano passado, com queda de 0,3%, e no PMI (Purchasing Manager Index) da Zona do Euro, que ainda mostra retração - embora tenha apresentado melhora no primeiro mês do ano em relação ao último mês do ano anterior.
Outra importante referência foram as discussões entre as autoridades gregas e o IIF (Instituto Internacional de Finanças, na sigla em inglês), sobre uma possível reestruturação da dívida do país. A situação aparentou ser positiva, após os governos europeus sinalizarem a possibilidade de aceitarem um prejuízo com a dívida grega, processo que necessita do envolvimento do BCE, de acordo com o ministro de finanças do país.
Brasil: agenda doméstica sem grandes destaques
No front interno, destaque para a agenda. A FGV (Fundação Getulio Vargas) divulgou o IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado) e a Sondagem da Indústria, ambos relativos ao mês de janeiro. Por sua vez, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) reportou a Pesquisa Industrial Mensal: Produção Física - Brasil, marcando alta de 0,3% e o IPP (Índice de Preços ao Produtor) - Indústria da Transformação.
Já a balança comercial de janeiro marcou saldo negativo de US$ 1,291 bilhão, segundo dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Mesmo com esse registro negativo, o fluxo cambial marcou saldo positivo de US$ 6,501 bilhões no primeiro mês de 2012. Por fim, o Banco Central publicou a Nota de Política Fiscal, apontando um superávit primário de R$ 1,9 bilhões em dezembro e de R$ 128 bilhões em 2011.
EUA e China
Nos Estados Unidos, Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve, afirmou que a economia norte-americana mostrou sinais de melhora nos últimos meses, embora a dívida pública esteja se tornando um problema cada vez maior para o país.
A agenda econômica mostrou números mistos. O PCE (Personal Consumption Expenditures) e o Productivity & Costs estiveram em linha com o esperado, enquanto o Chicado PMI e o Consumer Confidence, o ISM Index e o ADP Employment Report de janeiro estiveram abaixo das projeções. Já a principal referência do período, o Relatório de Emprego dos Estados Unidos superou as expectativas, assim como o Construction Spending e o Initial Claims.
Números divergentes também foram registrados pela China, que teve seu PMI industrial oficial acima das expectativas do mercado, embora o PMI do setor de serviços tenha decrescido no período, abaixo do que se esperava.
Dólar e Renda Fixa
O dólar comercial registrou queda de 1,24% nesta semana, terminando a R$ 1,7171 na venda.
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, o contrato de juros de maior liquidez nesta semana, com vencimento em janeiro de 2014, registrou uma taxa de 9,95%, queda de 0,13 ponto percentual no período.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado 133,16% de seu valor de face, alta de 0,24% na semana.
Já o indicador de risco-País registrou queda de 15 pontos-base na semana, aos 204 pontos.
Confira a agenda da próxima semana
Dentro da agenda econômica para a segunda semana de fevereiro, os investidores estarão atentos à divulgação de diversos índices de inflação, com destaque para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Além disso, também serão apresentados números do setor industrial brasileiro.
Nos EUA, atenção ao resultado final de janeiro da confiança do consumidor. Já na Europa, haverà a reunião de política monetária do BCE (Banco Central Europeu) e do Banco da Inglaterra