SÃO PAULO - Apesar da incerteza que atinge a União Europeia, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, foi otimista em relação às perspectivas para resolver a crise atual da Zona Euro.
"A Europa poderia recuperar o seu dinamismo. Eu ainda acredito que podemos, mas apenas se formos fortes. Somente se nós lutarmos por nossa prosperidade ... [E se] se familiarizarmos com a dívida", disse ele o líder durante o Forum Econômico Mundial, em Davos, Suíça.
O primeiro-ministro pediu decisões corajosas em relação à desregulamentação, à abertura do mercado único, à inovação e ao comércio, e para resolver as "questões fundamentais" no centro da crise da Zona Euro. "Todas essas decisões estão em nossas próprias mãos. Elas serão o desafio dos líderes da Europa nos próximos meses", disse Cameron.
O primeiro-ministro ainda falou sobre a melhor forma para tratar a crise no continente." A Grécia, os bancos e uma parede de proteção. Se você fizer todas essas três coisas juntas rapidamente, você vai aliviar a sensação de crise. Para 2012, isso fará a diferença", aconselhou. As observações de Cameron chegam na esteira da pressão do FMI (Fundo Monetário Internacional) para "reforçar a parede de proteção" de toda a Itália e Espanha, já que as negociações entre a Grécia e seus credores ainda configuram um impasse.
Disciplina e união
Cameron descreveu ainda as características das uniões monetárias bem sucedidas, finalizando. "Atualmente, não é que a Zona Euro não tenha todos estes, ela realmente não tem nenhum desses", declarou ele.
Para ele, a crise da Zona Euro exige "disciplina fiscal dura" e salientou ainda que este não é apenas um problema de déficit de orçamento, mas também de déficit comercial. "Isso significa que países com os déficits devem tomar decisões dolorosas para aumentar a produtividade e reduzir custos ano após ano para recuperar a sua competitividade", disse ele.
Grã-Bretranha não deixará UE
Em relação à recusa da Grã-Bretanha, em dezembro, em assinar um tratado da UE que iria mudar a forma como o mercado único é regulado, Cameron disse que a Grã-Bretanha não está andando para fora da Europa.
"A Grã-Bretanha faz parte da União Europeia, não por padrão, mas por escolha e não temos qualquer intenção de caminhar para longe dele. Queremos que a Europa seja um sucesso”, concluiu.