SÃO PAULO - O indicador de risco-País registrou alta de seis pontos-base, atingindo 216 pontos nesta quinta-feira (26). Apesar do otimismo gerado no mercado após o anúncio do Federal Reserve, afirmando que vai manter a taxa de juro baixa até o final de 2014, os dados econômicos dos Estados Unidos minimizaram o efeito da reunião do Fomc (Federal Open Market Committee).
A atitude do Fed foi elogiada pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), afirmando ser apropriada para as condições monetárias e econômicas do momento. Além disso, a instituição negou ter pedido ao BCE (Banco Central Europeu) para desempenhar qualquer papel específico na reestruturação que está sendo negociada para a dívida grega.
Agenda
O mercado voltou suas atenções para os indicadores econômicos dos Estados Unidos. O número de casas novas vendidas nos EUA em dezembro, que ficou abaixo do esperado pelo mercado, marcando 307 mil casas no mês, abaixo das expectativas de 321 vendas no período. Já o número de pedidos de auxílio-desemprego dos Estados Unidos subiu em 21 mil na passagem semanal, mas a tendência ainda é de melhora nas condições do mercado de trabalho do país.
Enquanto isso, o número de pedidos e entregas de bens duráveis feitos à indústria norte-americana veio melhor do que o esperado, com avanço de 3,0% no referido mês. Por fim, o Leading Indicators registrou variação positiva de 0,4% no mês de dezembro. O índice veio abaixo das expectativas do mercado, de avanço de 0,7%.
No front doméstico, o Copom (Comitê de Política Monetária) divulgou a ata da sua última reunião, que aconteceu em 18 de janeiro de 2012, quando reduziu a Selic em 50 pontos-base, para 10,50% ao ano. Já saldo do fluxo cambial da última semana apontou superávit de US$ 6,654 bilhões.
Global 40
O principal título da dívida externa brasileira, o Global 40, encerrou em alta de 0,30% na noite desta quinta-feira, cotado a 132,80 centavos de dólar.
Refletindo o desempenho dos principais títulos da dívida externa brasileira, o indicador de risco Brasil calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan encerrou a 216 pontos-base.
O que é o risco-País?
Como cada governo que emite papéis no mercado externo em geral tem mais do que um título no mercado, o banco norte-americano JP Morgan decidiu criar um índice que pudesse combinar todos estes papéis e obter um indicador único, que pudesse ser usado como uma medida de risco global.
Com isso, o JP Morgan criou, no final de 1993, o Embi+ (Emerging Markets Bond Index Plus), ou Índice de Bonds de Países Emergentes, que mede o desempenho de uma vasta carteira de países. Todos os países incluídos são emergentes, excluindo aqueles de risco menor, como muitos dos países da Europa, Ásia e América do Norte.
Além deste índice genérico, o banco criou também um índice para cada país, incluindo apenas títulos do país em questão. Com isso, o JP Morgan criou uma medida de risco-país, que, no caso do Brasil, é medido pelo Embi+ Brasil.