SÃO PAULO - Comentando as primeiras projeções do mercado para 2013, publicadas no relatório Focus desta segunda-feira (16), a Concórdia acredita que os estímulos à produção através das políticas fiscal e monetária do Governo podem voltar a provocar pressão inflacionária no País.
O próprio boletim do Banco Central já mostra uma projeção da taxa básica de juros em 10,25% ao ano no fim do ano que vem. Flávio Combat, que assina o relatório da corretora, pensa em um ajuste menos intenso, com a Selic terminando o período em 10% a.a. Ele lembra que o nível de 9,5% para 2012 não deve ser menor, por conta da recuperação da atividade brasileira e a possibilidade de volta na escalada dos preços.
O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), por exemplo, já sinaliza que o quarto trimestre foi de expansão da economia, melhor do que o esperado. Em novembro, essa alta foi de 0,79% na comparação com o mesmo período de 2010. Essa retomada impossibilitaria que o ciclo de cortes de juros fosse além de três novas quedas. “O grande desafio para a política econômica nesse momento é a moderação nos estímulos”, afirma o analista.
Alta nos preços
Apesar de citar a possibilidade de a inflação voltar a incomodar, a Concórdia é mais otimista quanto ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor - Amplo) do que a mediana do Focus. Enquanto o mercado vê o indicador em 5,30% ao fim deste ano - a projeção vem caindo semana a semana -, Combat o estima num patamar de 5,10%, de qualquer jeito acima do centro da meta brasileira.
Isso porque o atual índice, que quase estourou o teto permitido de 6,5% em 2011, não deriva do mais recente ciclo de afrouxo monetário. A aceleração apresentada até mesmo em janeiro vem de problemas na produção e consequente oferta de alimentos, bem como nos reajustes normais de início de ano.
Para 2013, caso o BC realmente realize o movimento previsto pela corretora, de voltar a subir os juros depois de, em abril, levá-los a 9,5% ao ano, o IPCA encerraria em 4,8%, bem próximo dos 4,5% perseguidos pelo Governo.
Real contra o dólar
O analista ainda vê uma forte volatilidade na cotação do real frente ao dólar, principalmente por conta das notícias vindas da Europa. “O prazo fixado pelos líderes da União Europeia para refundar o tratado do bloco, em março de 2012, pode ser extenso demais”, alerta, levando em conta que grande parte das dívidas das nações mais problemáticas - € 219 bilhões - vai vencer no primeiro trimestre.
Portanto, essa incerteza deve continuar pesando no curto prazo, trazendo o dólar para patamares mais elevados, por ser uma divisa de maior segurança no mercado. O Focus estima esse patamar em R$ 1 por US$ 1,78 no fim de 2012 - essa perspectiva vem subindo no boletim do BC.
Já para o ano que vem, o patamar cai para US$ 1,75, porque, segundo Combat, os problemas europeus devem começar a se resolver, ou ao menos o impasse será aliviado. Assim, o real voltaria a se apreciar levemente, “como reflexo da redução do risco e do aumento da atratividade da economia brasileira”.