Em mercados

Investidor anjo: apostar em novas empresas envolve riscos e boas taxas de retorno

Os investidores anjo ajudam empresas iniciantes, tanto intelectual quanto financeiramente, para que se firmem no mercado

SÃO PAULO –  Executivos de sucesso, com uma bagagem sólida do mercado, uma quantia razoável para investir e dispostos a correr riscos. Este é o perfil do investidor anjo, que aposta nas empresas iniciantes, conhecidas como startups, como forma de diversificar os investimentos e garantir um retorno futuro.

Para quem têm as características, mas ainda não conhece este tipo de investimento, procurar por grupos de "investidores anjo" é um bom caminho. 

“Esses investidores não precisam exercer uma função executiva, geralmente atuam mais como conselheiros e ajudam as empresas iniciantes, não só com dinheiro, mas com toda a sua experiencia adquirida ao longo da carreira”, afirma o diretor da São Paulo Anjos, Cassio Spina.

Mas se o investidor não tiver grande experiência com o ramo de negócios, também é possível se juntar com outros investidores, que possuem mais bagagem, por meio do coinvestimento. “Você se une com outros investidores anjo e investe na empresa que está começando de forma conjunta”, diz Spina.

Riscos
O diretor da São Paulo Anjos ressalta que este é um tipo de investimento que envolve riscos, já que existe a chance do negócio não dar certo e o investidor ter um grande prejuízo. Justamente por isso, segundo Spina, uma taxa compensatória de retorno varia entre 40% e 50% ao ano.

“Você pode não ter retorno nenhum, ou pode ter um retorno nesta faixa que consideramos compensatória por conta do risco”, diz.

De acordo com ele, uma maneira de diluir o risco é fazer múltiplos investimentos. “É claro que neste caso é preciso ter uma capacidade financeira maior. Mas se você investir, por exemplo, em 5 empresas, o seu risco será muito menor já que a taxa elevada de retorno pode compensar eventuais perdas”, ressalta Spina.

Empreendedores
Para a empresa, este tipo de investimento é visto como uma forma de iniciar a captação de recursos para sua expansão. “As empresas podem começar a captar recursos por meio dos investidores anjo. A partir deste primeiro apoio, elas estão mais habilitadas para receber novos tipos de investimentos, como um venture capital, um private equity, até que um dia, podem vir a abrir o capital na Bolsa de Valores”, afirma Spina.

De acordo com ele, no Brasil, esse tipo de investimento é relativamente novo. “O conceito formal de investidor anjo ainda tem poucos anos no País. Mas nos Estados Unidos há uma industria muito madura, que movimenta mais de US$ 20 bilhões com mais de 250 mil investidores anjo ”.

Entretanto, segundo Spina, o Brasil pode chegar em um nível próximo dos Estados Unidos, impulsionados pelo bom momento econômico e pela qualidade dos empreendedores nacionais.

“Nós temos empreendedores com muita criatividade, competência e força de vontade. Além disso, a economia está propiciando boas condições para o empreendedorismo e quando você tem um mercado econômico em ascensão, fica mais fácil de desenvolver um negócio”, afirma Spina.

Envolvimento da Bolsa
A Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) tem apoiado a divulgação dos investidores anjo. No último dia 21, foi realizado no prédio da Bolsa um encontro entre empreendedores e investidores anjos, no 10º Seed Forum . Segundo a Bolsa, o objetivo é facilitar que empresários iniciantes encontrem alternativas de financiamento de suas empresas.

“Para que nós tenhamos um volume grande de companhias listadas na Bolsa, precisamos apoiar essas empresas desde o inicio. Por isso, o investidor anjo é uma boa oportunidade para os empreendedores começarem a se acostumar com a captação de recursos e, mais para frente, poderem abrir o capital”, afirma a diretora de desenvolvimento e relacionamento com empresas da BM&FBovespa, Cristiana Pereira.

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