SÃO PAULO - Feriado no Brasil; mas no exterior os mercados de ações continuam sua sina com um novo dia de desempenho negativo nesta quinta-feira (23), ainda pressionados por incertezas sobre a crise da dívida na Zona do Euro e a pouco animadora recuperação econômica dos EUA.
"O noticiário do front internacional ainda dá o tom do menor apetite por risco, onde a indefinição da situação grega (apesar de uma etapa vencida) concentra as atenções dos agentes econômicos", afirmou Marco Melo, chefe de anãlise da corretora Ágora.
Ainda nesta sessão, os líderes políticos da Europa vão se reunir, acompanhados do presidente do BCE (Banco Central Europeu) Jean-Claude Trichet. "Esperamos que eles, mais uma vez, reforcem seu compromisso em ajudar a Grécia.
Cautela
Na avaliação da equipe de analistas da corretora Ativa, "os investidores voltaram a repercutir as incertezas com relação ao pacote de austeridade [fiscal na Grécia], que deverá ser votado na próxima semana, bem como o anúncio do fim do programa de compra de títulos do governo norte-americano, levando a queda os principais índices acionários pelo mundo".
Na véspera, o Fomc (Comitê para o mercado aberto) anunciou a manutenção do juro básico nos EUA entre 0 e 0,25% ao ano, além de reafirmar que é cedo para pensar sobre uma possível estratégia de saída dos estímulos quantitativos empregados nos últimos anos, bem como a forma em que ela poderá ser estruturada.
Indagado sobre os impactos positivos para o mercado de trabalho norte-americano advindos de um corte imediato no déficit dos EUA, Ben Bernanke discordou: "Acho que é bastante razoável que tomemos várias medidas para que seja reduzido nosso déficit no longo prazo, mas não podemos fazer nada que possa prejudicar a recuperação no curto prazo", disse.
Nesta sessão, o govenro dos EUA divulgou que os pedidos de auxílio-desemprego no país atingiram 429 mil na última semana, frente a expectativas de que chegassem a 413 mil, o que mantém as preocupações sobre o mercado de trabalho no país.
Desaceleração e juro
Na ásia, ganhou destaque a divulgação do índice PMI, calculado pelo HSBC, que dá indicações sobre a atividade industrial no país. Na passagem de maio para junho, houve queda de 51,6 pontos para 50,1 pontos. Isto "sugere que crescimento do PIB vai desacelerar para o patamar de 7% a 8% ao ano", afirmou o analista Flemming J. Nielsen, do Danske Bank.
Outro fator que chamou a atenção dos investidores nesta quinta-feira foram os rumores de que a China deverá elevar sua taxa básica de juro, segundo o jornal China Securities Journal.