Em mercados / na-real

BC baixa juros mais que se imaginava e dá sinal de que pode continuar cortando forte proximamente

Com a taxa básica agora em 13%, espera-se que os juros nos bancos também caiam e ajudem a reanimar a economia. O BC agiu de olho na atividade econômica.

Pode-se dizer que o Banco Central surpreendeu totalmente analistas, mercado e até o governo ontem – e duas vezes. Praticamente todo mundo torcia para que o Copom desse uma paulada forte na Selic, mas ninguém esperava que viesse o que veio – um corte de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros, para 13%, e ainda mais com a indicação, no comunicado pós-reunião, de que deve manter o ritmo acelerado nos próximos meses. Há especialistas já falando em até um ponto de corte em fevereiro.

O presidente Michel Temer naturalmente manifestou sua satisfação. E deve comemorar mais ainda no discurso que fará hoje no litoral de São Paulo, num evento midiático do qual participará para inaugurar uma escola pública em homenagem a um de seus irmãos. Inicialmente recuso em Brasília, o “novo Temer” não recusa mais convite para se expor em público, porém em situações com algum controle.

É o que se esperava para animar a “plateia” e fazer com que empresários e consumidores saiam da toca e passem a comprar mais, a demandar mais crédito e a investir mais acentuadamente. A questão agora é saber em que nível e em que ritmo a baixa proporcionada pelo BC vai chegar à ponta final nos bancos e no próprio comércio para quem procura/precisa crédito. Espera-se que com isso e mais as providências de médio prazo anunciadas pela equipe de Ilan Goldfagn no fim do ano passado, os juros no Brasil tomem um rumo mais civilizado.

Segundo a “Folha de S. Paulo” alguns bancos, entre eles o Banco do Brasil, o Bradesco e o Santander, já manifestaram ontem sua disposição de reduzir os juros de algumas linhas de crédito, sem, porém, especificar, quanto, quando e quais.

“O atual cenário, com processo de desinflação mais disseminado e atividade econômica aquém do esperado já torna apropriada a antecipação do ciclo de distensão da política monetária, permitindo o estabelecimento de novo ritmo de flexibilização” – escreveu o Copom. Pela manhã, o IBGE já havia dado um mote para a distensão: a inflação de 2016 ficou em 6,24%, abaixo das previsões do Ministério da Fazenda, do próprio BC e dos especialistas, que esperavam algo em torno de 6,5%.

O ACORDO DO RIO E A

SEGURANÇA JURÍDICA

O acordo do governo federal com o Rio de Janeiro está avançando, mas não na velocidade desejada por ambos os lados, a ponto de ser apresentado hoje ao presidente Michel Temer e em seguida anunciado oficialmente. Ficou para a próxima semana, segundo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para dar segurança jurídica tanto à União quanto ao governo estadual. O acordo fluminense servirá de modelo para outros acertos estaduais. De acordo com o “Valor Econômico”, outros nove estados se encontram em situação tão precária quanto Rio, Minas e Rio Grande do Sul.

E segurança jurídica é, de fato, o nó da questão desses acordos, pois, pelo que está sendo acertado com o Rio deve incluir itens passíveis de contestação judicial fácil. E o caso, por exemplo, da disposição de permitir o corte da jornada de trabalho, com o consequente corte proporcional nos salários dos servidores públicos. Foi sobre essas questões que Meirelles conversou com a presidente do Supremo Tribunal Federal. Carmem Lúcia, contudo, só poderá dar um aval informal a esse tipo de mudança. Já sinalizou sua boa vontade, mas marcou para o dia 1º de fevereiro uma reunião do plenário do STF para definir-se sobre o acordo em geral.

O acordo inclui rolagem da dívida estadual, com carência de três anos, e também novos empréstimos ao estado. O ministro da Fazenda está organizando um consórcio para liberar esses recursos, que seria liderado pelo Banco do Brasil e contaria também com a participação de bancos privados. É preciso assegurar a validade jurídica das garantias oferecidas. Está presente ainda a decisão da própria Carmem Lúcia de liberar o bloqueio de receitas do Rio por não pagamento de compromissos com a União.

Outros destaques

dos jornais do dia

- “Petrobras vai investir 35% a mais que em 2016” (Globo)

- “Temer estuda leiloar Santos Dumont e Congonhas” (Folha)

- “Estrangeiro poderá ter 100% do capital de empresa aérea” (Valor)

- “Ministro do Planejamento prepara ‘ressurreição’ do PAC” (Valor)

- “Banco do Brasil vai liderar consórcio para socorrer o Rio” (Folha)

- “Acordo entre União e Rio envolve R$ 50 bi até 2020” (Globo)

-  "Juíza barra também reajuste de ônibus intermunicipal em São Paulo" (Estado)

- “Para ministro, advogado de facção precisa ser monitorado” (Folha)

- “Rota da cocaína peruana atrai facções criminosas à Amazônia” (Folha)

- “FDN cria rede de fornecedores colombianos e peruanos de cocaína” (Valor)

- “Lula defende eleição presidencial em 2017 e diz que se necessário será candidato” (Folha/Estado)

- “Tucanos decidem reagir a elo entre Alckmin e o PSB” (Folha)

- “Justiça bloqueia R$ 4 milhões do ministro Blairo Maggi” (Globo)

- "Desembargador manda bloquear bens de Eduardo Azeredo" (Estado)

- “Justiça afasta seis dos oito vice-presidentes dos Correios” (Correio Braziliense)

- "Tribunal libera uso de denúncia anônima em investigações" (Estado)

LEITURAS SUGERIDAS

1. Editorial – “Bilhete demagógico” (diz que decisões sobre tarifa de ônibus e metrô em São Paulo expõem equívocos de Dória e Alckmin, assim como excessos do judiciário) – Folha

2. Zeina Latif – “Transição política, ação do BC e ajuste fiscal mudaram expectativas” (diz que o ganho de credibilidade do BC e do governo na área fiscal faz diferença, pois inibe aumento preventivo de preços e repasses de pressões de custo ao consumidor) – Folha

3. Míriam Leitão – “Decisão acertada” (diz que BC tomou decisão ousada, mas correta, pois a economia está mais fraca do que se imaginava) - Globo

4. Cida Damasco - "Há juros ... e juros" (diz que para as pequenas e, mais ainda, para o cidadão a impressão é de que a decisão do Copom passa longe de seus interesses) - Estado

5. Editorial - "Inflação cai, mas falta o ajuste" (diz que o  desarranjo das contas públicas tem sido a causa principal da desordem inflacionária) - Estado

Ilan Goldfajn
(Bloomberg)

Contato