De R$ 4,30 até R$ 4,80: as novas projeções para o dólar após a manutenção da Selic

Analistas falam em perda de credibilidade do Banco Central e projetam uma forte piora das expectativas, o que pode levar a moeda para perto de R$ 5,00 este ano

Por Rodrigo Tolotti Umpieres
 21 jan, 2016 17h08
Dólar - Bloomberg
(Ron Antonelli)

Rodrigo Tolotti Umpieres

SÃO PAULO - Desde que o ano começou o dólar comercial não sabe o que é ficar abaixo de R$ 4,00, mas a decisão de ontem do Banco Central em manter a Selic em 14,25% ao ano pode ter deixado ainda mais distante qualquer possibilidade da moeda norte-americana perder este patamar até pelo menos o fim deste ano. Isso é o que passaram a projetar diversos especialistas após a desanimadora reunião do Copom na quarta-feira (20).

Na visão do analista Michael Bolliger, do UBS, em apenas três meses o dólar deve atingir o nível de R$ 4,30, sendo que até o final do ano a projeção é de R$ 4,50 para a moeda norte-americana. "A decisão dá origem a especulações de que o BC cedeu à pressão política da presidente Dilma Rousseff [...] Para o real brasileiro, a decisão é negativa e aponta para mais fraqueza do que o previsto anteriormente. Uma moeda mais fraca provavelmente será vista como mais uma ferramenta política para apoiar a economia", explica em relatório.

Em entrevista para a Bloomberg, o estrategista da CIBC World Markets, John Welch, se mostrou ainda mais pessimista, indicando que o dólar deve superar R$ 4,20 já nos próximos dias. Vale destacar que nesta quinta-feira a moeda chegou a superar R$ 4,17, fechando com ganhos de 1,47%, para R$ 4,1655 na venda. Para ele, a decisão do Copom vai adiar ainda mais a convergência da inflação para a meta e manterá a dinâmica dos preços em um território perigoso.

"A convergência da inflação para a meta deve ocorrer, talvez, em 2018, 2019 ou na próxima administração", afirmou Welch. "Com alguns membros do Copom defendendo aumento de 0,5 p.p. da Selic, acreditamos que o BC pode retomar aumento, começando com alta de 0,25 p.p., para 14,50% em março", completou o estrategista.

Para o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, o mercado está penalizando o dólar e os contratos de juros futuros diante da perda de credibilidade do BC após a reunião de ontem. "Esta decisão implica, também, na perda de efetividade que uma eventual elevação poderia trazer sobre as expectativas inflacionárias e deixa o objetivo da inflação até o teto da meta este ano e convergência para o centro da meta em 2017 mais distante", afirmou em relatório.

O Santander afirma que o BC abandonou o ciclo de alta dos juros e que espera corte de 125 bps da Selic ainda este ano com queda da inflação, enquanto para o Bradesco, o entendimento é que "não há ancoragem das expectativas de inflação mais efetiva do que a brutalidade da crise econômica atual". O banco estima Selic estável até o final do ano.

Júnior já havia afirmado no início do ano que via um objetivo de longo prazo para o câmbio no patamar de R$ 4,80, fato que acaba reforçando após os eventos recentes. "Em 48 horas, após Tombini anunciar que levaria em consideração o relatório do FMI e logo após se encontrar com Dilma, o dólar subiu 4%", reforça. Em geral, a sinalização dos especialistas é clara: o dólar não deve perder os R$ 4,00 tão cedo. É bom o investidor ficar preparado.

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