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Reclamações sobre bitcoins aumentam em 4 vezes no 2° semestre

Entre as principais reclamações dos investidores estão o sumiço de saldos 

Bitcoin
(Steve Heap)

SÃO PAULO - O valor do Bitcoin ultrapassou a marca de US$ 10 mil e, desde o começo do ano, a valorização da criptomoeda é de cerca de 900%. Acompanhando o salto no preço, as reclamações relacionadas a moeda virtual também saltaram vertiginosamente.

Segundo o site Reclame Aqui, as cinco empresas que comercializam bitcoins mais reclamadas - e que são avaliadas - somaram 4.175 queixas no segundo semestre. Com o resultado, as reclamações aumentaram quatro vezes do primeiro para o segundo semestre. De janeiro a junho, foram 804 queixas, e de julho ao dia 28 de novembro, 3.371. 

As cinco empresas avaliadas são Mercado Bitcoin, Zurc Investimentos, Foxbit, Neteller e Coinbr Serviços Digitais. Entre as principais reclamações dos investidores da criptomoeda mais popular até agora estão o suporte das empresas, saldos que sumiram, problemas no saque, nos depósitos, na finalização da compra e nos cadastros. 

Em nota enviada ao InfoMoney, Guto Schiavon, sócio fundador da Foxbit, explica que o mercado de bitcoins cresceu de forma exponencial neste ano. "Se compararmos o volume de 1º de janeiro com o de hoje, temos um crescimento de 37 vezes, em apenas 11 meses. Com este crescimento muito rápido, as empresas estão com dificuldades de escalar, tanto tecnologia, quanto operacional, são essas as principais reclamações dos nossos usuários", acrescenta.

Para atender o crescimento da demanda Schiavon conta que a empresa passou de 5 para 55 funcionários para dar suporte a 30 mil usuários conectados simultaneamente. "A última semana foi o pior período das reclamações. Nós dizemos que o mercado de e-commerce se prepara o ano todo para um dia de Black Friday, já nós estamos vivendo essa Black Friday há sete dias, sem interrupções", conta.

O Mercado Bitcoin informou, em nota, que ultrapassou 600 mil clientes cadastrados (contra 500 mil da BM&FBovespa, por exemplo) e, por isso, consideram que "é natural que tenham mais reclamações e mais elogios que outras empresas que atuam com bitcoin no país".

"Nesta semana tivemos um aumento exponencial do Bitcoin e das demandas de clientes, o que acabou gerando um atraso nas operações do negócio. Por exemplo: a quantidade de avisos de depósitos aumentou 400% entre terça (28) e quarta-feira (29). O volume negociado em bitcoins também aumentou de 600% no mesmo período e o mesmo aconteceu com as outras moedas como Litecoin e Bitcoin Cash que só nós negociamos no Brasil", justifica a empresa. 

Segundo o Mercado Bitcoin, foram negociados R$ 120 milhões em um único dia. Apenas para efeito de comparação, o montante total negociado no ano de 2016 foi de R$ 105 milhões. Diante da crescente demanda, a empresa afirma que tem investido pesado em infraestrutura e equipe, que já cresceu 6 vezes esse ano e ainda deve dobrar de tamanho até janeiro de 2018. 

Contatadas pelo InfoMoney, as outras empresas não se pronunciaram sobre as reclamações até o momento.

Bitcoins perdidos
Um estudo recente realizado pela Chainalysis, e publicado pela revista Fortune, mostra que cerca de 23% dos bitcoins já criados até hoje podem estar perdidos para sempre. Isso porque, quando uma pessoa compra criptomoedas e perde sua chave de segurança, o valor que está na sua carteira nunca mais poderá ser acessado, se perdendo para sempre.

Este estudo é o primeiro que tenta quantificar as moedas que se perderam desde que o bitcoin foi criado. Mesmo assim, é bom deixar claro que é impossível dizer exatamente a quantidade que está realmente sumida e quantos estão apenas guardados sem movimentação recente registrada.

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