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VW adia plano de construção de fábrica de baterias para automóveis

O Grupo Volkswagen está colocando em espera seus planos para a construção de uma fábrica própria de produção de baterias para carros elétricos

medidor de bateria do VW e-Up
(Ralph Orlowski/Reuters)

"Enquanto houver fornecedores suficientes que estejam competindo uns contra os outros, pode não ser o melhor começar a produção você mesmo", disse o chefe de desenvolvimento da VW, Ulrich Eichhorn, para a revista Capital, publicada na Alemanha em sua edição 12/2017.

Carros elétricos ainda enfrentam barreiras para entrar no mercado

Ao não produzir mais baterias, a Volkswagen passa a delegar uma parte central da produção de carros elétricos a fornecedores estrangeiros. A bateria como um todo atualmente representa cerca de um terço do custo dos carros elétricos. Os principais fornecedores, como Samsung ou Panasonic, estão localizados na Ásia.

Do ponto de vista de Eichhorn, o obstáculo principal para a produção de baterias na Alemanha é a eletricidade relativamente cara. "Um fator importante são os custos de energia - através da cobrança de taxas de rede, impostos sobre a eletricidade e muitas outras coisas", disse ele. "Estas são questões que temos de resolver."

No Brasil, a opção do carro elétrico a bateria esbarra com obstáculos da mesma natureza. A eletricidade marginal a ser gerada no País tende a ser de origem fóssil, através de térmicas a gás natural, óleo combustível, ou diesel. Mesmo a energia eólica e a solar fotovoltaica, por serem intermitentes, dependem do complemento de geração térmica de origem fóssil. Além disso, não há infraestrutura disponível para suportar a expansão do uso de eletricidade em motores.

O descarte da bateria é poluente e sua vida útil é limitada, o que leva a um custo elevado de reposição. Por ter um custo alto, é uma tecnologia de baixa acessibilidade, isto é, poucos consumidores tem possibilidade de acesso à tecnologia.

É exatamente para compensar o custo elevado de aquisição que alguns órgãos do governo federal no Brasil atualmente cogitam a redução do IPI sobre carros elétricos de 25% para 7%, além da isenção do imposto de importação de 35% que já é aplicada. Mas esses são incentivos na direção errada. O recurso será muito melhor gasto se o incentivo for oferecido para induzir redução no consumo energético dos veículos atuais utilizando combustíveis renováveis, e para a promoção dos híbridos flex e, no futuro, da célula a combustível utilizando etanol, biodiesel e biometano. Já existe instalada no Brasil a distribuição de etanol em quase 42 mil postos de revenda, o que equivale a uma grande rede de energia solar disponibilizada como líquido de elevada densidade energética.

Segundo a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), considerando a avaliação de ciclo de vida, um veículo leve convencional movido a etanol no Brasil emite 45 gramas de CO2 por km, e quando usa gasolina emite 166 g CO2/km. Considerando o mix de combustíveis no Brasil, a emissão média é de 129 g CO2/km. O carro elétrico a bateria produzido na Europa emite 139 g CO2/km. Portanto, o que o Brasil faz hoje com motores a combustão interna já é superior ao que a Europa e os EUA almejam alcançar com os carros elétricos a bateria. 

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