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Dólar ignora intervenção do BC, salta 2,6% e supera R$ 3,81; Ibovespa cai 1% e DIs disparam

Índice fechou próximo da mínima do dia com novo stress do mercado de juros futuros e dólar

bolsa investidor trader
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Em mais um dia bastante volátil, o Ibovespa acentuou as perdas na tarde desta quinta-feira (14) diante da arrancada dos juros futuros e do dólar, mesmo após o Banco Central realizar três leilões extras de swaps cambiais. No exterior, o dia foi de pouca variação para os índices norte-americanos, enquanto na Europa as bolsas subiram após a decisão do BCE anunciada nesta manhã.

O benchmark da bolsa fechou com queda de 0,97%, aos 71.421 pontos, após chegar a cair 1,08% na mínima do dia. O volume financeiro ficou em R$ 11,151 bilhões. O dólar comercial, por sua vez, saltou 2,64%, cotado a R$ 3,8119 na venda, com o mercado desafiando as atuações do BC, enquanto o dólar futuro com vencimento em julho avançou 2,43%, a R$ 3,816.

Nesta quinta, a autoridade realizou três leilões extras de swap, num total de 100 mil contratos e US$ 5 bilhões oferecidos, e mesmo assim não conseguiu conter o ímpeto da moeda, que ainda arrancou após o anúncio da segunda intervenção extra. Analistas já apontam que a forte atuação do BC criou um clima de especulação no câmbio e que o mercado tem "controlado" as taxas (clique aqui e confira a análise).

Entre os fatores que pressionaram o mercado está a nova disparada dos DIs, com os contratos com vencimento em janeiro de 2019 saltando 34 pontos-base, para 7,60%, enquanto os juros futuros para janeiro de 2020 subiram 47 pontos, a 9,35%. Já os DIs de janeiro de 2021 avançaram 40 pontos-base, a 10,33%.

"O mercado de juros perdeu os parâmetros. Com BC segurando o dólar na raça, investidores foram comprar outros ativos, por exemplo, juro. E para ajudar, não tem venda do mercado de juros”, disse Paulo Nepomuceno, estrategista de renda fixa da Coinvalores, para a Bloomberg.

Na Europa, as bolsas reverteram a queda da abertura após a decisão do BCE em manter o programa de estímulos via compra de títulos públicos (Quantitative Easing) até dezembro, mas com reduções depois de setembro. Neste momento, o programa está previsto para durar até setembro no atual volume de 30 bilhões de euros. A partir dali, haverá redução para 15 bilhões de euros mensais no último trimestre do ano. Vale lembrar que o mercado precifica o fim dos estímulos já em setembro.

Em discurso após a decisão, o presidente do BCE, Mario Draghi, disse que a instituição fez avanços "substanciais" no sentido de impulsionar os preços, mas ressaltou que ainda são necessários amplos estímulos monetários para que sua meta de inflação seja atingida de forma estável.

Petrobras 

Uma bateria de notícias agitou o radar de Petrobras (PETR4). O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite de quarta-feira, por 281 votos a 109, o regime de urgência para Projeto de Lei que permite à Petrobras vender até 70% dos campos do pré-sal concedidos a ela por meio do regime de cessão onerosa. Com o regime de cessão onerosa, a Petrobras pagou diretamente à União, sem licitação, o direito de extrair petróleo desses blocos. 

"A notícia é muito positiva para a Petrobras. Em primeiro lugar, seria resolvido o impasse para viabilizar a indenização do governo em barris (hoje apenas é possível pagar a empresa em dinheiro). Em segundo lugar, dada a elevada atratividade das áreas do pré-sal para grandes petroleiras internacionais (evidenciada nos últimos leilões), o projeto proporciona uma nova oportunidade para a empresa cumprir de forma muito mais rápida a sua meta de desinvestimentos de até US$21 bilhões até 2018 e reduzir seu endividamento, haja visto que na lei atual a empresa não pode vender sua participação na Cessão Onerosa", destaca a equipe de análise da XP Investimentos. 

Por outro lado, ganham destaques algumas falas que geraram temor sobre maior intervenção na companhia.  Décio Oddone, diretor-geral da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), disse que a política da Petrobras visa os interesses da companhia, não necessariamente os interesses da sociedade brasileira. Ele afirmou que a solução para minimizar novos choques nos preços dos combustíveis no país passa por maior competição no refino, operação hoje concentrado na Petrobras, ou por mudanças no sistema tributário. Porém, que enquanto isso não ocorre, a ANP tem a atribuição de atuar para proteger o consumidor do que chama de "mercado imperfeito", apontou.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BBDC3 BRADESCO ON 22,75 -5,13 -21,69 69,46M
 BBAS3 BRASIL ON EJ 25,30 -4,53 -19,09 377,40M
 BBDC4 BRADESCO PN 25,29 -4,06 -17,55 647,30M
 SMLS3 SMILES ON 48,38 -3,97 -33,02 48,18M
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 7,75 -3,97 -34,54 25,05M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON 119,40 +6,22 +49,25 402,92M
 CIEL3 CIELO ON 15,33 +5,14 -33,69 149,07M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 26,75 +4,90 +30,49 107,00M
 SUZB3 SUZANO PAPELON 48,00 +4,33 +158,06 230,36M
 BRFS3 BRF SA ON 20,87 +3,32 -42,98 238,90M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE3 VALE ON 51,71 +0,31 965,01M 1,03B 33.826 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 15,10 -0,46 868,37M 2,07B 49.587 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 38,09 -3,55 724,88M 770,36M 32.124 
 BBDC4 BRADESCO PN 25,29 -4,06 647,30M 441,92M 46.393 
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON 119,40 +6,22 402,92M 301,90M 14.220 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,93 +1,18 396,53M 432,02M 34.199 
 BBAS3 BRASIL ON EJ 25,30 -4,53 377,40M 411,25M 23.594 
 B3SA3 B3 ON 20,15 -2,52 338,17M 344,88M 26.868 
 BRFS3 BRF SA ON 20,87 +3,32 238,90M 190,25M 31.355 
 PETR3 PETROBRAS ON N2 17,98 -0,06 233,88M 471,56M 17.539 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Notícias do dia
O noticiário sobre as alianças eleitorais seguem sendo o destaque nos jornais. Segundo a Folha, o pré-candidato do PDT à presidência, Ciro Gomes, corre o risco de ficar sem palanque em São Paulo, o principal colégio eleitoral do país. O PDT passou a admitir a ideia de se aliar ao governador de São Paulo, Márcio França (PSB-SP), que disputa a reeleição. Contudo, França já se comprometeu com o tucano Geraldo Alckmin

Enquanto isso, com a pré-candidatura do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, prestes a sair de cena, o DEM abre três frentes de negociação com outros partidos para oferecer seu apoio nas eleições de outubro, aponta o jornal O Globo. O deputado afirmou ontem que a aliança mais provável é com o PSDB.

Ainda no radar político, relatório elaborado pela Polícia Federal da Operação Cui Bono, que mira desvios na Caixa, tem um capítulo somente para a suposta compra do silêncio do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB) e do delator Lúcio Funaro, pelo presidente Michel Temer, informa o Estadão. O documento cita que Temer incentivou a manutenção de pagamento ilícito a ambos; a defesa do presidente nega.

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