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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta sexta-feira

Confira os principais eventos deste pregão

Bovespa
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O alívio com o encaminhamento para a normalização das atividades depois de mais de uma semana de paralisação dos caminhoneiros pode ser ofuscado com a preocupação gerada pelos prejuízos econômicos que chegam à casa dos bilhões de reais. O mercado também pode comemorar a permanência de Pedro Parente na presidência da Petrobras, mesmo com a pressão que seu nome recebeu nos últimos dias, mas o cenário eleitoral fica ainda mais nebuloso e pode pôr em risco agenda ortodoxa de reformas. No exterior, o dia é de recuperação após a preocupação com uma nova medida protecionista de Donald Trump nos Estados Unidos e uma menor tensão em função da crise política italiana. Confira ao que se atentar antes de operar no pregão desta sexta-feira (1):

1. Bolsas mundiais

O dia é positivo para os principais índices acionários europeus e futuros norte-americanos, após um pregão de preocupação na véspera. O anúncio de tarifação sobre metais importados de México, Canadá e União Europeia feito pelo governo Donald Trump gerou uma nova onda de preocupação no mercado sobre uma possível guerra comercial encabeçada pelos Estados Unidos. Em paralelo a isso, na Itália o clima é de certo alívio, com a possibilidade de uma gestão menos eurocética do que era temido pelos investidores. Ontem, os líderes das duas forças políticas majoritárias no parlamento -- a conservadora nacionalista Liga e o antissistêmico Movimento 5 Estrelas -- anunciaram um novo acordo para a formação de governo, quase três meses após as eleições, liderado novamente pelo premiê Giuseppe Conte, que apresentou sua lista de ministros ao presidente Sergio Mattarella pela segunda vez em uma semana. Ainda no velho continente, chama atenção a moção de censura contra o governo de Mariano Rajoy, do Partido Popular, e a aprovação do nome do líder socialista Pedro Sánchez como novo chefe de governo da Espanha. O novo comandante foi apoiado por grupos independentistas e nacionalistas do País Basco e da Catalunha.

Às 8h (horário de Brasília), este era o desempenho dos principais índices:

*S&P 500 Futuro (EUA) +0,44%

*Dow Jones Futuro (EUA) +0,52%

*Nasdaq Futuro (EUA) +0,33%

*DAX (Alemanha) +0,96%

*FTSE (Reino Unido) +0,72%

*CAC-40 (França) +1,29%

*FTSE MIB (Itália) +2,55%

*Hang Seng (Hong Kong) +0,08% (fechado)

*Xangai (China) -0,65% (fechado)

*Nikkei (Japão) -0,14% (fechado)

*Petróleo WTI -0,95%, a US$ 66,40 o barril

*Petróleo brent +0,30%, a US$ 77,79 o barril

*Bitcoin US$ 7.508
R$ 27.955 +1,42% (nas últimas 24 horas)

2. ADRs no feriado

Em uma quinta-feira (31) sem operações na B3, em função do feriado de Corpus Christi, o índice de ADRs (American Depositary Receipt) Dow Jones Brazil Titans 20, que reúne os papéis das principais empresas brasileiras negociadas em Wall Street, fechou praticamente estável, com variação negativa de 0,028%, a 20.339 pontos. O desempenho do índice acompanhou o mal humor internacional após o governo dos Estados Unidos anunciar a imposição de tarifas sobre a importação de metais da União Europeia, México e Canadá.

O benchmark brasileiro operou em terreno positivo durante boa parte do pregão, porém, ao final da tarde, perdeu forças e virou para queda, puxado sobretudo pela virada dos ADRs da Petrobras e redução no ímpeto dos papéis de Vale, siderúrgicas e bancos. Inicialmente, os papéis das produtoras de aço brasileiras reagiam bem mesmo com o anúncio de Donald Trump, que atingia em cheio um grupo de países responsáveis por suprir cerca de metade da demanda norte-americana pela commodity. Mas os ADRs perderam força durante a tarde, com destaque para a CSN, que fechou em terreno negativo depois de chegar a subir mais de 1% no intraday.

O desempenho levemente negativo dos ADRs nas bolsas norte-americanas pode sinalizar uma reabertura cautelosa do mercado brasileiro na volta do feriado.

3. Indicadores econômicos

Os Estados Unidos comandam os destaques da agenda econômica desta sexta-feira, com a divulgação dos dados de empregos gerados em maio, às 9h30 (horário de Brasília). As expectativas dos economistas é de uma geração de 190 mil novos empregos no mês passado, superando os 164 mil gerados em abril. Também chamam atenção os dados de construção em abril e o ISM (Institute for Supply Management) Index de maio, que mede a atividade industrial norte-americana, ambos às 11h. No Brasil, os investidores devem monitorar os dados da balança comercial mensal, às 15h.

4. Noticiário do dia

A greve dos caminhoneiros é dada como encerrada, com os caminhoneiros autônomos concentrados nas proximidades do Porto de Santos decidirem descruzar os braços. Mas os impactos econômicos começam a preocupar os investidores. Além do esperado arrefecimento em um nível de atividade já baixo, o evento trouxe uma dor de cabeça no campo fiscal, com as concessões do governo à categoria. Para compensar a redução de R$ 0,46 por litro de diesel, o governo detalhou ontem, em publicação no Diário Oficial da União, as medidas a serem tomadas, com custos que somarão R$ 13,5 bilhões aos cofres públicos.

Para garantir o orçamento necessário à subvenção e não descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, o governo publicou instrumentos como medida provisória e decreto para compensação tributária, além da reoneração da folha de pagamentos de 39 setores da economia, conforme texto aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado (com vetos) pelo presidente Michel Temer.

Na prática, os recursos para compensar a redução do PIS/Cofins e da Cide sobre o diesel virão, além da reoneração da folha de pagamento de 28 setores da economia dentro de 90 dias (conforme aprovado pelo Congresso Nacional), de uma redução e eliminação de incentivos fiscais para exportadores e as indústrias química e de refrigerantes.

Parte da compensação tributária para bancar a concessão aos caminhoneiros virá da redução do Reintegra. Um decreto de Temer reduziu de 2% para 0,1% a devolução feita aos exportadores, o que deverá garantir um ganho de arrecadação de R$ 2,27 bilhões até o final do ano. O governo também alterou de 20% para 4% a alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) incidente em preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebidas, como água mineral, água gaseificada e refrigerantes. Tal redução deverá garantir R$ 740 milhões até o final do ano. Outra medida adotada foi a revogação do Reiq (Regime Especial da Indústria Química), benefício de crédito presumido na exportação, que rende mais R$ 170 milhões aos cofres públicos. Ao todo, essas medidas economizam R$ 4 bilhões aos cofres públicos e serão usados na redução de R$ 0,16, referentes à redução de impostos sobre o diesel (PIS/Cofins/Cide).

Os outros R$ 9,5 bilhões serão compensados com cortes orçamentários. Deste montante, R$ 5,7 bilhões virão de uma reserva que não tinha destinação certa por estarem acima do teto de gastos. Segundo o Ministério do Planejamento, o cancelamento de despesas foi de R$ 3,382 bilhões, sendo a maior mordida sobre uma reserva que o governo fazia para capitalização de empresas estatais. Os cortes também atingirão o Programa de Reforma Agrária, com R$ 30,779 milhões, e o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, com outros R$ 21,750 milhões. Áreas como Saúde e Educação não fora poupadas. No primeiro ministério, a previsão é de R$ 55,1 milhões de cortes.

5. Radar corporativo

A coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, informou ontem que avançaram conversas dentro dos ministérios de Minas e Energia e Fazenda sobre a adoção de uma base de cálculo que mitigue a volatilidade dos preços dos combustíveis. A medida pode ser uma solução alternativa à atual política de preços praticada pela Petrobras, alvo de forte pressão no meio político e segmentos da sociedade. Em comunicado, a petrolífera informou que todas as unidades da estatal operam normalmente e que a paralisação dos petroleiros, iniciada na quarta-feira, 30, caminha para o fim. A Enel venceu a batalha pela Eletropaulo com uma oferta de R$ 45,22 por ação, superando a proposta da Neoenergia, controlada pela espanhola Iberdrola. O TCU (Tribunal de Contas da União) aprovou por unanimidade o edital de privatização das seis distribuidoras da Eletrobras no Norte e Nordeste. A Braskem informou ao mercado que, em função das restrições logísticas decorrentes da greve dos caminhoneiros, "vem reduzindo gradativamente a taxa de utilização de suas centrais petroquímicas no país, operando hoje em aproximadamente 50% de sua capacidade no Brasil". A companhia teve recomendação sobre seus papéis elevada para "compra" pelo HSBC, com preço-alvo de R$ 58. O governo norte-americano anunciou a imposição de tarifas em importações de metais vindas da União Europeia e dos vizinhos México e Canadá. A decisão pode mexer com os papéis das siderúrgicas brasileiras na volta do feriado.

(com Agência Estado e Bloomberg)

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