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Puxado por Vale e Petrobras, índice de ADRs Brazil Titans opera em alta em Wall Street

Confira os principais assuntos para monitorar neste feriado

painel com cotações
(Divulgação)

SÃO PAULO - Em uma quinta-feira (31) sem operações na B3, em função do feriado de Corpus Christi, os papéis de empresas brasileiras negociadas nas bolsas norte-americanas iniciaram pregão positivo. Às 11h14 (horário de Brasília), o índice de ADRs (American Depositary Receipt) Dow Jones Brazil Titans 20 operava em leve alta de 0,18%, aos 20.434 pontos, em contraste com o desempenho negativo dos principais índices acionários internacionais, em meio a mais uma imposição do governo de Donald Trump de tarifas ao aço e alumínio importados de parceiros comerciais. Entre os destaques positivos dos papéis brasileiros na sessão, aparecem os ADRs de Vale, Petrobras e Bradesco. Veja o desempenho dos principais papéis brasileiros negociados em Wall Steet:

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* Os valores dos ADRs são em US$

Apesar do feriado de Corpus Chisti, que mantem a B3 fechada para negociações, a quinta-feira tem um noticiário movimentado e deve atrair a atenção dos investidores que não querem ser pegos de surpresa na reabertura da bolsa no dia seguinte. Para fugir de maiores imprevistos, embora não haja movimentações de ações no mercado brasileiro, convém acompanhar o desempenho das bolsas internacionais e, principalmente, o comportamento dos ADRs de ações de companhias brasileiras negociadas em Wall Street.

Confira os principais assuntos para monitorar neste feriado:

Bolsas mundiais

O dia é negativo para os principais índices acionários das bolsas norte-americanas, com os investidores digerindo a decisão do governo de impor novas tarifas sobre o aço e o alumínio importado da União Europeia, Canadá e México, elevando o nível de tensão nas relações comerciais do país. A notícia pesou sobre as bolsas europeias, que operavam em alta mais cedo. Por lá, os investidores também acompanham atentos os desdobramentos da crise política na Itália, com os riscos persistentes da formação de uma coalizão em torno de uma liderança eurocética no país. Na Ásia, o pregão foi de recuperação após as quedas recentes.

Às 11h27 (horário de Brasília), este era o desempenho dos principais índices:

*S&P 500 (EUA) -0,31%

*Dow Jones (EUA) -0,73%

*Nasdaq (EUA) +0,05%

*DAX (Alemanha) -0,91%

*FTSE (Reino Unido) +0,09%

*CAC-40 (França) -0,22%

*FTSE MIB (Itália) -0,23%

*Hang Seng (Hong Kong) +1,37% (fechado)

*Xangai (China) +1,86% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,83% (fechado)

*Petróleo WTI -1,63%, a US$ 67,10 o barril

*Petróleo brent +0,54%, a US$ 77,92 o barril

Indicadores econômicos

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro subiu 1,9% na comparação anual de maio, ganhando força em relação ao aumento de 1,2% observado em abril, segundo dados preliminares divulgados hoje pela agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat. A prévia surpreendeu analistas consultados pela Dow Jones Newswires, que previam aumento da taxa a 1,6%.

O resultado também mostrou que a inflação na zona do euro agora está em linha com a meta do Banco Central Europeu (BCE), que é de uma taxa ligeiramente inferior a 2%. Apenas o núcleo do CPI do bloco, que exclui os preços de energia e de alimentos, teve alta de 1,1% na comparação anual de maio, maior que o acréscimo de 1% previsto por analistas.

A taxa de desemprego da zona do euro caiu de 8,6% em março para 8,5% em abril, segundo dados publicados hoje pela agência oficial de estatísticas da União Europeia, a Eurostat. O resultado veio em linha com a projeção de analistas consultados pelo The Wall Street Journal. A taxa de março foi revisada para cima, de 8,5% originalmente. Em abril, o número de desempregados no bloco europeu teve queda de 56 mil em relação ao mês anterior, informou a Eurostat.

Noticiário do dia

A paralisação de caminhoneiros, que chega ao 11º dia nesta quinta-feira, perdeu força e dá claros sinais de que está próxima do fim. A Polícia Federal Rodoviária (PRF) notificou nesta quinta-feira, 31, uma grande redução dos pontos de concentração nas rodovias federais. Em todos os Estados, a vida começa a voltar ao ritmo normal. O Porto de Santos (SP) é um dos principais pontos de concentração, onde caminhoneiros decidiram manter a greve após não chegarem a um acordo com o governador de São Paulo, Márcio França. As Forças Armadas estão no local e conseguiram liberar o acesso ao porto, permitindo a circulação de caminhões.

Após o protesto dos caminhoneiros perder fôlego, petroleiros desafiam a Justiça do Trabalho e iniciara greve em refinarias. Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a paralisação atinge as unidades de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Amazonas e Pernambuco. Em São Paulo, a Sincopetro diz que o abastecimento está se normalizando. Após dias de protestos intensos, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que 11 Estados, incluindo São Paulo, não têm mais manifestações. Na capital paulista, a situação de emergência será suspensa nesta sexta-feira, dia 1º.

Ontem, a advogada-geral da União, Grace Mendonça, entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma petição adicional cobrando R$ 67,2 milhões em multas de outras nove transportadoras que descumpriram decisão liminar da Corte e não desobstruíram rodovias afetadas pela paralisação dos caminhoneiros. Segundo a AGU, "o valor cobrado das 96 empresas que já constavam na primeira relação de companhias que desobedeceram a determinação do Supremo subiu de R$ 141,4 milhões para R$ 272,3 milhões, uma vez que veículos de muitas delas continuaram impedindo o livre tráfego nas rodovias".

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que 96 empresas transportadores paguem em até 15 dias multas somadas em R$ 141,4 milhões por terem desrespeitado sua decisão da última sexta-feira, em relação a greve dos caminhoneiros. Ao atender pedido da União na semana passada, o ministro determinou multa de R$ 100 mil por hora às entidades que atuarem na interdição de vias.

Radar corporativo

A coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, informou que avançaram conversas dentro dos ministérios de Minas e Energia e Fazenda sobre a adoção de uma base de cálculo que mitigue a volatilidade dos preços dos combustíveis. A medida pode ser uma solução alternativa à atual política de preços praticada pela Petrobras, alvo de forte pressão no meio político e segmentos da sociedade. A Enel venceu a batalha pela Eletropaulo com uma oferta de R$ 45,22 por ação, superando a proposta da Neoenergia, controlada pela espanhola Iberdrola. O TCU (Tribunal de Contas da União) aprovou por unanimidade o edital de privatização das seis distribuidoras da Eletrobras no Norte e Nordeste. A Braskem informou ao mercado que, em função das restrições logísticas decorrentes da greve dos caminhoneiros, "vem reduzindo gradativamente a taxa de utilização de suas centrais petroquímicas no país, operando hoje em aproximadamente 50% de sua capacidade no Brasil". O governo norte-americano anunciou a imposição de tarifas em importações de metais vindas da União Europeia e dos vizinhos México e Canadá. A medida ajuda na alta dos ADRs de siderúrgicas brasileiras neste feriado.

(com Agência Estado e Bloomberg)

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