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As ações que sentiram o baque após a decisão surpreendente do Copom de manter juros

Mercado esperava uma novo corte de juros e já vinha precificando o novo cenário nos últimos dias

Bolsa de valores
(Shutterstock)

SÃO PAULO - A surpresa manutenção da Selic pelo Copom (Comitê de Política Monetária) pegou todo o mercado desprevenido, e nesta quinta-feira (17) diversos ativos reagiram ao inesperado. Outros fatores impactaram o dia negativo do mercado, como a nova alta dos Treasuries norte-americanos, mas diversas ações caíram nesta sessão porque já vinham precificando uma taxa de juros mais baixa.

O efeito mais claro está nas varejistas e concessionárias de rodovias, que têm uma relação maior com a Selic. Nos últimos dias, estas ações registraram fortes ganhos, muito em parte porque a maior parte dos investidores esperava a redução dos juros, e com isto não acontecendo é preciso reajustar o cenário.

Ou seja, o problema não é exatamente a manutenção dos juros, mas sim a não confirmação do cenário de corte esperado pelo mercado. 

Confira os setores e ações que reagiram mal ao Copom:

Consumo e Varejo
Estes papéis subiram forte nos últimos dias com a expectativa de corte de juros e acabam corrigindo nesta sessão. O setor é beneficiado pela Selic menor porque isso beneficia a retomada do crescimento econômico, e estas empresas são diretamente impactadas pelo ritmo da atividade do Brasil. Está relação ocorre principalmente por conta das vendas à prazo, já que consumidores aumentam os gastos diante das melhores condições de pagamento.

Ações que reagiram: Magazine Luiza (MGLU3), B2W (BTOW3), Lojas Renner (LREN3), Pão de Açúcar (PCAR4), Lojas Americanas (LAME4), Guararapes (GUAR3), Arezzo (ARZZ3) e Via Varejo (VVAR11).

Concessões e infraestrutura
As concessionárias possuem fluxos de caixa previsíveis por trabalharem com grandes projetos de longo prazo com valuations próprios. Cada projeto tem uma TIR (Taxa Interna de Retorno) estabelecida e a atratividade dos papéis dessas companhias é majoritariamente determinado pela diferença entre a Selic, que é a nossa taxa livre de risco, e essa TIR, que embute o risco do empreendimento.

A lógica é que quanto menor a taxa de juros, maior a atratividade das concessionárias, uma vez que a diferença para os ganhos com investimentos no setor é menor e, para o investidor, fica mais atrativo correr o risco do investimento.

Ações que reagiram: CCR (CCRO3); Ecorodovias (ECOR3); Mills (MILS3); Rumo (RAIL3).

Administradoras de shopping centers
Estas empresas têm um fluxo de recebíveis ligado à taxa pré de longo prazo. Em um período de queda da Selic, receber em taxa prefixada e pagar em posfixada é uma boa forma de lucrar. Testes de instituições financeiras indicam ainda que para cada redução de 100 pontos-base da Selic, empresas do setor podem ganhar até 10% de FFO (Funds From Operations).

O corte de juros é positivo para elas, portanto, porque a geração de fluxo de caixa dessas empresas fica maior com a queda de juros, uma vez que elas operam com alto índice de alavancagem. Nos últimos dias, estes papéis subiram na expectativa pelo corte da Selic, e agora corrigem o movimento.

Ações que reagiram: BR Malls (BRML3), General Shopping (GSHP3); Iguatemi (IGTA3), Multiplan (MULT3).

Bancos
O caso dos bancos é um pouco diferente, já que é um setor que consegue tirar vantagens dos diferentes cenários de juros, tanto com taxas mais altas quanto mais baixas. O setor financeiro consegue ganhar com o corte da Selic por conta da redução dos custos de captação de bancos, que caem mais rapidamente do que as taxas de juros oferecidas aos clientes. E, mesmo com a redução do spread bancário, o volume de empréstimos pode ser elevado. 

Vale destacar que, mesmo com a manutenção dos juros pelo Copom, o Itaú Unibanco anunciou nova redução dos juros cobrados nas linhas de cheque especial e de empréstimo pessoal. O banco não vai mexer nas taxas mínimas cobradas nessas modalidades, mas informou, em nota à imprensa, que o juro médio cobrado no cheque especial sai de 11,90% para 11,50% ao mês.

Ações que reagiram: Bradesco (BBDC3; BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander (SANB11).

Construtoras
Neste setor o cenário hoje é mais complexo. Há sim um impacto da Selic nas empresas imobiliárias, mas uma outra notícia está tendo um grande reflexo nos papéis.

No caso dos juros, é importante ressaltar que a relação da Selic com a queda nos juros do financiamento imobiliário no Brasil não é tão simples assim como ocorre nos outros países. Isso porque o financiamento imobiliário por aqui vem de veículos como o FGTS (Fundo de Garantia por Trabalho e Serviço) e a poupança, que não possuem lastro na Selic, mas sim na TR (Taxa Referencial). 

Porém, cortes da Selic têm impacto sobre essas empresas porque normalmente denotam uma melhora no ambiente inflacionário e porque o investidor estrangeiro tende a se comportar como se a composição da taxa de juros para os imóveis fosse como no seu país de origem, comprando ou vendendo de acordo com a trajetória dos juros - lembrando que: estrangeiros respondem por metade do volume financeiro negociado na Bovespa.

Por outro lado, as ações do setor estão em rumos diferentes hoje após a liminar que vetou o direito de protocolo na capital paulista ser derrubada na tarde de quarta, em julgamento do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). A sessão teve 16 votos favoráveis à queda da liminar e 7 votos contrários.

O primeiro voto foi do desembargador Evaristo dos Santos, relator do caso, que negou o recurso da Prefeitura. Em seguida, o presidente do (TJ-SP), desembargador Pereira Calças, divergiu do relator e votou favoravelmente ao recurso da Prefeitura, sendo acompanhado pela maioria dos presentes.

O julgamento diz respeito ao recurso apresentado pela Prefeitura de São Paulo contra a liminar concedida pelo TJ-SP, a pedido do Ministério Público (MP), que suspendeu o direito de protocolo desde fevereiro. Esse instrumento garante que os empreendimentos imobiliários encaminhados para licenciamento na Prefeitura sejam analisados conforme a legislação vigente na época em que são protocolados, mesmo se houver mudanças na legislação nos períodos seguintes.

Segundo o Credit Suisse, a notícia é positiva para as construtoras de média renda, eliminando um importante contratempo do setor e podendo trazer lançamentos em regiões com maior potencial de demanda. "Além disso, a decisão evita a necessidade de refazer os projetos para obedecer as regras mais restritas, o que poderia levar a menores margens desses novos projetos, sem falar em atrasos. Se o bloqueio fosse mantido, o impacto poderia ser de 20% nos lançamentos de 2018, sendo que a Cyrela, Even e EzTec seriam as mais afetadas, com os lançamentos potenciais caindo R$ 600 mihões, R$ 220 milhões e R$ 170 milhões, respectivamente", apontam os analistas.

Segundo os analistas, a decisão foi ainda mais favorável do que o cenário base de que o bloqueio seria mantido nas áreas de proteção ambiental, o que deve levar a uma reação positiva do setor. 

Ações que reagiram: Helbor (HBOR3); Tecnisa (TCSA3); Gafisa (GFSA3); Cyrela (CYRE3); Direcional Engenharia (DIRR3); Even (EVEN3); Eztec (EZTC3).

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