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Petrobras cai 3% com temor sobre cessão onerosa e ação estreia na Bolsa com salto de 23%; Gol desaba 7% com alta do dólar

Confira os destaques da B3 na sessão desta quarta-feira (25)

Plataforma da Petrobras
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Em um dia de aversão ao risco do mercado de olho na alta do rendimento dos treasuries norte-americanos, o Ibovespa chegou a amargar perdas superiores a 1,3%, mas amenizou as perdas durante a sessão e fechou com queda de 0,50%. 

As ações de blue chips registram uma sessão de queda na bolsa, com destaque para Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3;PETR4), esta última impactada também pelas notícias de que o desfecho para a cessão onerosa pode ficar para o ano que vem. No caso da Vale, o minério de ferro tem queda de 0,53% em Dalian. Nesta quarta-feira, também serão divulgados os resultados do primeiro trimestre de 2018 da mineradora. 

Enquanto isso, bancos abriram em baixa, com exceção do Santander Brasil (SANB11), mas o movimento se opôs, com o Bradesco (BBDC4) subindo mais de 1%, assim como o Banco do Brasil (BBAS3), enquanto o Itaú Unibanco (ITUB4) teve leve queda. Já as units do Santander fecharam em queda de 3% mesmo na esteira do bom resultado do primeiro trimestre. Veja mais destaques: 

 

Santander Brasil (SANB11)

O Santander Brasil divulgou um lucro líquido de R$ 2,8 bilhões no primeiro trimestre, alta 54% na comparação com o mesmo período do ano passado. 

O lucro gerencial, que exclui fatores extraordinários do ano fiscal, foi de R$ 2,85 bilhões nos primeiros três meses de 2018, uma alta de 25,4%. Esse resultado exclui  a proteção financeira feita pelo banco (hedge) contra a variação cambial. Apesar de não ser aceito como indicador de lucro pela regra contábil brasileira, esse indicador é usado por investidores para entender o resultado do banco sem fatores extraordinários.

As receitas totais foram de R$ 14,298 bilhões no trimestre, alta de 13,7% na base anual e de 4,1% em três meses.

O crédito para pessoa física cresceu 5,2% ante os três meses anteriores e o financiamento ao consumo subiu 4,1% no período. A taxa de inadimplência acima de 90 dias foi de 2,9% em março de 2018 e ficou estável na comparação com o mesmo período do ano passado. Em relação aos três últimos meses, houve uma queda de 0,2 ponto percentual.

"Essa redução (da inadimplência) decorre da resolução, nesse trimestre, do caso pontual no segmento de grandes empresas, que havia impactado este indicador no quarto trimestre de 2017", disse o banco.

De acordo com o BTG Pactual, o resultado veio novamente muito bom, mas com ajuda de tesouraria muito forte. A carteira de credito cresceu 3% na base trimestral e 9% na base anual com expansão bem maior no varejo, o que tem permitido ao banco seguir crescendo receita em dois dígitos (NII e fees), o que é muito bom na visão dos analistas. Enquanto isso, a qualidade dos ativos e despesas seguem muito bem comportados. Os analistas do banco seguem neutros com Santander Brasil, mas apontam que o momentum positivo continua.

Telefônica Brasil (VIVT4)

A Telefônica Brasil, dona da marca Vivo, apresentou lucro líquido contábil de R$ 1,098 bilhão no primeiro trimestre de 2018, um crescimento de 10,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os dados fazem parte do balanço publicado pela empresa. Os resultados contábeis já consideram os efeitos da adoção da norma IFRS 15, referente à nova metodologia de alocação de receitas de contratos com clientes.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) contábil atingiu 3,514 bilhões, um avanço de 8,0% na mesma base de comparação. A margem Ebitda subiu 2,0 pontos porcentuais, para 35,2%.

A receita líquida contábil totalizou R$ 10,789 bilhões, expansão de 1,9%.

A Telefônica Brasil também divulgou seus números pro forma, isto é, sem considerar os efeitos da norma IFRS 15, tornando os resultados comparáveis com os números já reportados um ano atrás.

Na base pro forma, a companhia teve lucro líquido de R$ 1,079 bilhão no primeiro trimestre de 2018, alta de 8,3% em relação ao mesmo período de 2017.

O Ebitda pro forma atingiu R$ 3,765 bilhões, aumento de 7,2%, enquanto a margem Ebitda cresceu 1,8 ponto porcentual, para 35,0%. A receita líquida pro forma totalizou R$ 10,759 bilhões, crescimento de 1,6%.

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Fibria (FIBR3)

A Fibria registrou lucro líquido de R$ 615 milhões  no primeiro trimestre de 2018, 87% superior ante o resultado obtido um ano antes.

Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de R$ 1,824 bilhão, com forte alta ante os R$ 644 milhões registrados no primeiro trimestre de 2017.

Ganhadoras e perdedoras com dólar alto

As ações da Suzano (SUZB3) subiram forte na esteira da alta do dólar, que chegou a bater os R$ 3,50 nesta sessão e fechou a R$ 3,8460 na venda (alta de 0,48%). A companhia tem boa parte de sua receita atrelada ao dólar por ser exportadora.

Por outro lado, as ações da companhias aéreas Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) fecharam em forte baixa por conta da valorização do dólar; as aéreas têm mais de metade das despesas de operação dependentes do dólar. 

Petrobras (PETR4)

Atenção para o noticiário agitado de Petrobras. Segundo o Valor Econômico, a Petrobras decidiu colocar a Liquigás à venda novamente, depois que a compra pela Ultragaz foi reprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no fim de fevereiro. A estatal chegou a avaliar a alternativa de fazer uma oferta inicial de ações (IPO) na bolsa, mas optou por um novo processo de venda de 100% da empresa. Desta vez, para evitar problemas com o Cade, a ideia é procurar interessados entre grupos estratégicos estrangeiros e investidores financeiros, de acordo com duas fontes ouvidas pelo jornal.

Já o Estadão informa que o megaleilão de petróleo previsto para acontecer até o fim do ano e que renderia entre R$ 80 bilhões e R$ 100 bilhões aos cofres do governo está praticamente riscado do cronograma de 2018 e deve ficar para o próximo presidente. O leilão deve ser adiado por causa de uma disputa envolvendo a União e a Petrobras em torno da ‘cessão onerosa’, área que abrange seis blocos de pré-sal na Bacia de Santos.

Segundo representantes da área econômica, as negociações entre o governo e a petroleira emperraram e dificilmente será possível chegar a um acordo a tempo de realizar ainda este ano o megaleilão, listado pela equipe econômica como um das prioridades da agenda do governo Temer. Em 2017, a licitação dessa área era considerada uma peça chave para o governo cumprir a meta fiscal em 2018. Mas, agora, a avaliação é de que o governo não precisaria mais desses recursos extras para cumprir a meta este ano.

O contrato de cessão onerosa foi firmado em 2010, no período de euforia com a descoberta do pré-sal. A União cedeu 5 bilhões de barris de petróleo em troca de R$ 74,8 bilhões da Petrobras. No contrato, ficou definido que, no momento em que a empresa declarasse que o reservatório é comercialmente viável, seria feito um acerto de contas, considerando o valor do petróleo naquela data.

Assim, caso o barril do petróleo estivesse valendo menos, as reservas teriam desvalorizado e a Petrobras deveria receber uma diferença da União. Caso contrário, deveria pagar ainda mais ao Tesouro pela área recebida. Esse acerto de contas, porém, não foi concluído até hoje. A revisão do contrato é uma condição fundamental para a realização do leilão do chamado ‘excedente da cessão onerosa’ – um reservatório na mesma área que é maior do que o cedido pelo governo em 2010. O Valor também destaca que o governo já admite deixar o leilão do petróleo excedente da cessão onerosa para 2019. 

Por fim, em resposta a pedido de esclarecimento feito pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) sobre reportagem que dizia que negociava com a chinesa CNPC uma parceria envolvendo troca de petróleo da Bacia de Campos por aportes da empresa asiática, a Petrobras informou que não houve nenhuma deliberação pelos órgãos de administração da companhia de qualquer compromisso vinculante no âmbito da parceria estratégica firmada com a companhia chinesa em 4 de julho de 2017. "Fatos julgados relevantes sobre o tema serão tempestivamente divulgados ao mercado", disse a estatal em nota.

A companhia também informou ter realizado, em 19 de abril, pré-pagamento, através das subsidiárias Citepe e Petroquímica Suape, de R$ 1,59 bilhão para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e R$ 142 milhões para o BNB. No comunicado, a Petrobras reiterou que a operação está em linha com a estratégia de gerenciamento de passivos, levando em conta a meta de desalavancagem prevista para o período entre 2018 e 2022.

Hapvida (HAPV3)

As ações da operadora de plano de saúde Hapvida  estrearam na bolsa nesta quarta-feira em disparada, destoando do movimento negativo da bolsa nesta sessão. Na máxima, os papéis chegaram a subir 24%,

A companhia precificou sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em R$ 23,50 por ação, número um pouco acima do meio da faixa indicativa que era entre R$ 20,41 e R$ 25,66 por papel.

A oferta primária (emissão de novos papéis) e secundária (venda de ações de acionistas) movimentou R$ 3,43 bilhões. 

Vale destacar que, na segunda-feira, as ações da Notre Dame Intermédica (GND13) começaram a ser negociadas na B3, encerrando o dia com alta de 22,7% frente a precificação do IPO, de R$ 16,50. Nesta sessão, os papéis da companhia tiveram perdas de 3,01%, a R$ 20,00.

No mesmo setor, as ações da Qualicorp (QUAL3), que tiveram um forte movimento de queda no ano, registraram o segundo dia de forte alta. 

Eletrobras  (ELET6)

Para garantir que a votação da Medida Provisória 814, que permite a privatização da Eletrobras e de seis subsidiárias, ocorra dentro do prazo na comissão mista, o presidente do colegiado, senador Eduardo Braga (MDB-AM), fez um acordo com a ala da oposição e decidiu marcar a apreciação do parecer do deputado Júlio Lopes (PP-RJ) para o dia 8 de maio.

Ele pediu para que os oposicionistas garantissem sua presença na sessão de votação, que será antecedida por uma última etapa de discussão com representantes dos contrários e favoráveis ao texto. Em troca, para garantir que haverá discussão antes da votação, já deixou aberta a lista de inscrições para os parlamentares que quiserem falar.

Caso os oposicionistas não concordassem com o acordo, Braga disse que marcaria a votação do relatório no dia 2 de maio, logo depois do feriado. "Um único pedido que faço, que todos os parlamentares estejam presentes com a presença registrada (no painel) e que a gente dispute no voto aquilo que a oposição acha e aquilo que a base do governo acha que é correto. Só isso. Queremos votar no dia 8 nem que termine meia noite", disse Braga.

Após a leitura do parecer, nesta quarta-feira, foi concedido período de vista coletiva (mais tempo para análise) da proposta. Antes do início da leitura, houve um princípio de tumulto. O deputado Henrique Fontana (PT-RS) alegou que a leitura descumpriria o regimento e que ainda era preciso esperar até a quinta-feira, 26. O presidente da comissão ignorou o pedido, apesar das insistências de Fontana.

Da ala governista, o deputado Darcísio Perondi (MDB-RS) disse "toca, Júlio", para que o relator iniciasse a leitura. "Olha a linguagem dele. Isso aqui não é 'toca, Júlio. Aqui tem um regimento a ser cumprido. Vossa Excelência tem que garantir os direitos da minoria", reclamou Fontana.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-AM) reclamou das interrupções de Perondi e disse que "ele acha que manda em Vossa Excelência (Braga)". "Ele manda, como Vossa Excelência (Jandira) sempre mandou", reagiu Braga.

A medida provisória altera leis relacionadas ao setor elétrico e permite que a Eletrobras e suas controladas - Furnas, Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), Eletronorte, Eletrosul e a Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE) - sejam incluídas no Programa Nacional de Desestatização (PND).

O Executivo conta com o valor que pode ser arrecadado com a privatização para fechar as contas deste ano. No entanto, o assunto é polêmico e o governo vem enfrentando resistência no Congresso. Se aprovada na comissão mista de deputados e senadores, a proposta seguirá para os plenários da Câmara e do Senado. A validade da MP vai até 1º de junho.

 

Ambev (ABEV3)

A Anheuser-Busch InBev, controladora da Ambev, continua comprometida em reduzir o endividamento líquido para 2 vezes o Ebitda ajustado e tem um plano interno de desalavancagem, disse o CEO Carlos Brito a investidores em evento em Bruxelas, sem divulgar o prazo para atingir sua meta.

Brito disse que o fluxo de caixa também serve para investir em marcas, executar a política de dividendos e deixa orçamento para fusões e aquisições. Ele ainda afirmou que grandes negócios fechados anteriormente demonstram que a AB InBev tem histórico de redução de endividamento. 

Ecorodovias (ECOR3)

A Concessionária do Grupo Ecorodovias que administra o sistema Anchieta-Imigrantes, a Ecovias dos Imigrantes, assinou ontem o 17º Termo Aditivo Modificativo (TAM) ao Contrato de Concessão com o Estado de São Paulo, para a implantação da "Nova Entrada de Santos - Sistema Viário". O investimento previsto é de cerca de R$ 270 milhões, e a inclusão das obras no contrato e o seu reequilíbrio econômico-financeiro serão realizados através da metodologia de Fluxo de Caixa Marginal, mediante a extensão do prazo do Contrato de Concessão em 7 meses e 24 dias.

O vencimento do contrato antigo se daria em Outubro de 2025 (em pouco mais de 7 anos), com cerca de R$ 158 milhões de investimentos previstos para 2018. A receita da concessão totaliza cerca de 40% do total de receita com pedágio do grupo. O anúncio sobre esse aditivo já havia sido feito previamente, e a assinatura do aditivo torna oficial o investimento.

Além do TAM, a empresa anunciou hoje que pagará cerca de R$ 207 milhões em dividendos (referentes ao exercício de 2017), o que corresponde a R$ 0,37 por ação (yield de cerca 4% em relação ao fechamento de ontem). A empresa também reporta os números do primeiro trimestre de 2018, após o fechamento do mercado.

Eletropaulo (ELPL3)

Segundo o jornal Valor Econômico, o conselho de administração da Eletropaulo se reunirá hoje decidir se manterá ou não a emissão primária de até R$ 1,5 bilhão em ações anunciada em 17 de abril.

A decisão deve depender de uma potencial nova oferta da italiana Enel. Até o momento, a proposta da Neoenergia é considerada a mais competitiva, por ter o preço mais elevado (R$29,40 por ação ante R$28 propostos anteriormente pela Enel). A expectativa do mercado é que a Enel suba a oferta para o patamar de R$31 por ação. De qualquer maneira, o futuro do controle da companhia deve ser definido em 18 de maio, definido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para o leilão simultâneo da OPA.

Guararapes (GUAR3)

A companhia informou que o conselho de administração aprovou, em reunião realizada na última segunda-feira (23), a realização da primeira emissão de 80 mil debêntures simples, não conversíveis em ações, em série única, com valor unitário de R$ 10 mil reais, perfazendo o montante total de R$ 800 milhões. O prazo será de 3 anos e a remuneração de 109,5% do CDI.

Minerva (BEEF3)

A companhia interrompeu operações no Uruguai para manutenção. Segundo o jornal local El Observador, a unidade PUL teve operação suspensa por 30 dias. Em resposta à Bloomberg, a companhia informou que a produção está sendo direcionada a outras unidades, sem dar mais detalhes.

Locamerica (LCAM3)

O conselho da companhia aprovou a alteração dos termos de sua 16ª emissão de debêntures. A data de emissão foi modificada para 27 de abril, com oferta de 350 milhões de papéis, no valor nominal unitário de R$ 1,00, perfazendo o montante total de R$ 350 milhões. O vencimento foi mantido em 6 anos e os juros de 119% do CDI.

WEG (WEGE3)

A empresa comunicou o mercado que foi aprovado em assembleia aumento de capital no montante de R$ 1.970.543.940,00, elevando-o de R$ 3.533.972.568,00 para R$ 5.504.516.508,00, com bonificação de 30% das ações. Isso significa três novas ações, da mesma espécie, para cada dez possuídas. Serão beneficiados os acionistas que mantiveram os papéis em carteira até o fechamento desta terça-feira.

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