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Em dia de disparada dos Treasuries, Ibovespa segue exterior e fecha em queda; dólar sobe

Risco de pressão inflacionária global gera preocupação no mercado sobre ritmo mais intenso de alta de juros nos EUA

SÃO PAULO - Depois de chegar a subir 1,14% na máxima do intraday, o Ibovespa virou para o campo negativo encerrou a terça-feira (24) em leve queda de 0,16% a 85.469 pontos. Assim como nas sessões anteriores, o benchmark da bolsa brasileira refletiu maior preocupação com os efeitos de uma possível onda inflacionária provocada pela valorização das commodities, o que incitaria posição mais agressiva das autoridades monetárias, com destaque para o Federal Reserve. Com isso, o índice ficou ainda mais distante da resistência técnica dos 86 mil pontos. O giro financeiro negociado na B3 neste pregão foi de R$ 9,461 bilhões.

O movimento do Ibovespa acompanhou o desempenho dos principais índices acionários de Wall Street, em mais um dia de alta dos Treasuries de 10 anos, que atingiram a faixa de 3% pela primeira vez em quatro anos. A alta dos títulos norte-americanos reduz o apetite dos investidores por outros ativos de risco, já que torna mais atraentes ativos considerados mais seguros. Diante deste quadro, os índices Dow Jones e S&P 500 recuaram mais de 1% neste pregão, enquanto o VIX, mais conhecido como "índice do medo", disparou quase 15%.

A escalada dos Treasuries está relacionada à forte alta do petróleo neste mês, já que eleva a expectativa por maior pressão inflacionária pelo mundo, uma vez que os combustíveis são um componente que afeta os preços em diversos setores da economia. Com isso, cresce a probabilidade de o Federal Reserve elevar os juros norte-americanos mais rapidamente e reduzir a liquidez no mercado.

Os Treasuries normalmente têm demanda elevada em períodos de maior instabilidade nos mercados acionários. Nestes momentos de postura mais cautelosa por parte dos investidores, os rendimentos (yields) dos títulos recuam e o que aumenta é o PU (Preço Unitário) do ativo.

Além disso, o Ibovespa "briga" com a valorização do dólar. Depois de inciar o pregão em baixa, o dólar comercial voltou a ganhar força e está cada vez mais próximo do topo consolidado entre outubro e dezembro de 2016 em R$ 3,50, que trata-se da principal resistência de curto prazo da moeda.

Para tentar amenizar esse movimento, o Banco Central realizou leilão integral dos 3.400 swaps cambiais para rolagem dos contratos que vencem em maio e somam US$ 2,56 bilhões. Neste pregão, a moeda americana subiu 0,48% ante o real, cotada a R$ 3,4693 na venda.

Confira os destaques do pregão:

Destaques da Bolsa

Do lado acionário, os papéis da Cosan (CSAN3) figuraram entre as principais altas da carteira teórica do índice, após oficializada a compra da Shell Argentina. Ainda na ponta positiva, os papéis da Cielo (CIEL3) fecharam em alta acima de 3%. No noticiário da companhia, o jornal O Estado de S.Paulo noticiou que a companhia aliou-se aos seus sócios -- Bradesco e Banco do Brasil -- para reforçar a sua força de distribuição em um momento de concorrência elevada no setor de cartões por conta dos novos entrantes, como PagSeguro, do Uol, e banco Safra. A aposta é em um terminal co-branded – ou seja, as tradicionais maquininhas da adquirente ganharão uma nova roupagem com a marca do sócio.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Ibovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 UGPA3 ULTRAPAR ON 60,65 -3,73 -18,19 86,87M
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 20,14 -3,22 +15,49 46,61M
 BRML3 BR MALLS PARON 10,82 -2,70 -15,00 60,42M
 USIM5 USIMINAS PNA 10,75 -2,18 +18,13 137,56M
 CMIG4 CEMIG PN 8,22 -2,14 +19,65 79,44M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Ibovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 QUAL3 QUALICORP ON 23,23 +5,16 -25,06 106,41M
 CSAN3 COSAN ON 39,55 +4,63 -4,70 90,56M
 CIEL3 CIELO ON 19,30 +3,21 -16,52 93,48M
 BRAP4 BRADESPAR PN 36,65 +2,23 +27,61 34,52M
 BRFS3 BRF SA ON 25,85 +2,05 -29,37 203,91M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Ibovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 22,40 -0,36 1,04B 1,04B 34.344 
 VALE3 VALE ON 48,31 +1,71 727,53M 660,53M 24.989 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 50,73 -0,49 410,88M 476,95M 22.519 
 BBAS3 BRASIL ON 36,58 -0,97 363,52M 332,25M 21.715 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 23,31 -0,60 278,76M 307,41M 23.733 
 BBDC4 BRADESCO PN 34,31 +0,18 240,16M 399,39M 19.776 
 KROT3 KROTON ON 14,50 +2,04 226,22M 149,42M 32.843 
 BRFS3 BRF SA ON 25,85 +2,05 203,91M 182,69M 19.983 
 SANB11 SANTANDER BRUNT 39,27 +0,15 174,92M 58,71M 10.816 
 PETR3 PETROBRAS ON 24,27 -0,33 152,58M 173,69M 10.972 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Agenda de indicadores

Em destaque na agenda doméstica, a arrecadação com impostos, contribuições e demais receitas pelo governo atingiu R$ 105,7 bilhões em março, enquanto os analistas esperavam R$ 109 bilhões. Apesar do resultado abaixo do esperado, esse foi o maior valor para meses de março desde 2015. Além disso, o Ibope deve divulgar às 19h20 pesquisa sobre intenção de votos para presidente a partir de entrevistas em São Paulo.

Nos EUA, as vendas de novas moradias em março superaram as expectativas ao registrarem avanço de 667 para 694 mil na passagem mensal, enquanto os analistas esperavam 631 mil novas moradias. A confiança ao consumidor também surpreendeu positivamente, ao marcar 128,7 pontos em abril, enquanto o mercado aguardava 126,1 pontos.

Notícias do dia

O noticiário eleitoral segue sendo destaque nos jornais. A Folha destaca que o pré-candidato do PDT à presidência, Ciro Gomes, e o possível candidato do PT Fernando Haddad reuniram-se e falam na formação de uma frente de centro-esquerda. "É a centro-esquerda que tem chances reais", opinou o ex-prefeito Fernando Haddad, segundo o jornal. Tanto ele quanto Ciro Gomes acham possível que o PDT e o PT formem uma chapa conjunta já para o primeiro turno, com Haddad como vice.

Enquanto isso, o ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal, liberou para julgamento na Segunda Turma recurso do ex-presidente Lula contra a execução de sua prisão. Por um lado, a maioria dos ministros que compõem essa turma são contrários ao início do cumprimento de pena após condenação em segunda instância; contudo, vale destacar que a defesa pedia a libertação de Lula porque ainda havia um último recurso pendente no TRF-4, os "embargos dos embargos", que foi rejeitado na semana passada. Com isso, Fachin deve alegar "perda de objeto" do atual recurso.

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