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Bradesco cai 2% com receios sobre Palocci; Eletrobras sobe 3% em meio à decreto polêmico e 5 ações reagem a recomendações

Confira os destaques do mercado na sessão desta quinta-feira (12)

agência do Bradesco
(Divulgação)

Bradesco (BBDC3, BBDC4)

As ações do Bradesco chegaram a cair 3% nesta quinta-feira, com receios de uma eventual delação do ex-ministro Antonio Palocci que poderia envolver o banco. No final do pregão, contudo, os papéis amenizaram as perdas. 

Segundo o jornal O Globo, Palocci negocia com a Polícia Federal um acordo de delação no qual revelaria alguns dos principais clientes de sua empresa de consultoria, citando pelo menos dois bancos. Profissionais de renda variável acreditam que um desses bancos poderia ser o Bradesco. Procurada pelo InfoMoney, a assessoria de imprensa disse que o banco não vai comentar.

 

Recomendações

As recomendações também tiveram impacto sobre a bolsa nesta sessão, com os papéis "alvos" variando entre queda de 3% e alta de 4%. Cielo (CIEL3) e Vivo (VIVT4) tiveram a recomendação reduzida para underweight e neutra, respectivamente, pelo JPMorgan, enquanto Locamerica (LCAM3) foi iniciada como overweight pelo mesmo banco. Já a EcoRodovias (ECOR3) foi elevada a compra pelo HSBC.

Por fim, a Lojas Renner (LREN3) foi elevada a ’outperform’ pelo Bradesco BBI, com preço-alvo de R$ 39. Os analistas do banco ressaltam que a baixa performance do papel fez abrir uma oportunidade de compra, dando destaque ainda para a visão de que o papel é atrativo, de alta qualidade e consistente para um ano de volatilidade. A equipe de análise do banco também espera que o resultado do primeiro trimestre de 2018 mostre um ponto de inflexão na tendência de margem (que caiu 170 pontos-base em 2017), com 2018 sendo o primeiro ano cheio de expansão da margem Ebitda de varejo desde 2015. 

Gafisa (GFSA3)

A Gafisa divulgou a prévia operacional do primeiro trimestre de 2018, lançando  apenas um empreendimento representando um VGV (valor geral de vendas) de R$ 138,7 milhões. No mesmo período de 2017, não houve lançamentos.

As vendas brutas no trimestre totalizaram R$ 293,4 milhões, alta de 24,6% em relação a janeiro e março de 2017. As vendas contratadas mais que dobraram, na mesma comparação, para R$ 235,7 milhões. Os distratos no primeiro trimestre totalizaram R$ 57,7 milhões, queda de 51,2% em relação ao mesmo período de 2017. Segundo a Gafisa, esse número deve refletir um novo patamar para os próximos trimestres. O indicador de velocidade de vendas (VSO) ficou em 14,4% ante 6,7%.

Embraer (EMBR3)

Atenção ainda para novidades sobre o acordo Boeing-Embraer. Segundo o Valor Econômico, o lado brasileiro - Embraer e governo - quer que a fabricante brasileira tenha pelo menos 20% da joint-venture, além de assentos no conselho, enquanto a Boeing não aceita menos do que 90% do controle da nova empresa e não deseja ter conselheiro indicado pelo Brasil, segundo a reportagem. 

A Boeing disse ao Valor que está trabalhando na análise e detalhamento das opções possíveis e espera poder chegar a um acordo para a negociação em curso
A Embraer disse, por sua vez, não poderia comentar o assunto.

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Petrobras (PETR4)

A Petrobras oscilou perto da estabilidade acompanhando o movimento de baixa do petróleo após a commodity atingir máxima em três anos em meio à tensão política na Síria. 

No radar corporativo, a Petrobras e a BP anunciaram a formação de aliança estratégica. O memorando de entendimentos entre as duas empresas tem o propósito de confirmar a intenção das empresas de combinar esforços para discutir e negociar oportunidades de investimento na cadeia de óleo e gás, em projetos no Brasil e no exterior, nas áreas de upstream, downstream e trading de petróleo, dentre outras, em caráter não exclusivo, segundo comunicado.

As companhias acordaram em cooperar em assuntos de interesse mútuo, como compartilhamento de riscos, intercâmbio tecnológico, fortalecimento da governança corporativa e capacitação em treinamento e pesquisa.

 

Vale (VALE3)

A Vale anunciou  encerramento e resultados finais de oferta de recompra de bonds em circulação emitidos pela subsidiária integral Vale Overseas Limited com cupom de 4,375% e vencimento em 2022 até o valor máximo, segundo comunicado ao mercado. 

 

Eletrobras (ELET6)

O noticiário sobre Eletrobras foi movimentado nesta sessão. Após o novo ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, dizer que o governo deve publicar nesta quinta-feira o decreto que inclui a Eletrobras no Plano Nacional de Desestatização (PND), o presidente da Câmara Rodrigo Maia negou a informação ao InfoMoney. O decreto, que está pronto há meses, seria uma pré-condição para a privatização da companhia, cujo projeto de lei está em tramitação na Câmara dos Deputados.  

"Não haverá decreto. É inconstitucional", afirmou na saída de encontro com investidores promovido pela XP Investimentos, em São Paulo. Quando questionado sobre o que poderia acontecer caso o governo tomasse essa iniciativa, Maia voltou a negar a possibilidade. "O presidente [Michel Temer] me disse que é inconstitucional", disse, apontando para o celular (veja a nota completa clicando aqui). Com isso, as ações da Eletrobras amenizaram os ganhos. Porém, durante a tarde, o ministro da Secretaria de Governo Carlos Marun afirmou que haverá decreto, que tem o objetivo de dar continuidade para estudos de capitalização da companhia.

Segundo fontes do Planalto ouvidas pelo Estadão, o decreto não foi publicado hoje porque o presidente Michel Temer avaliou que Moreira Franco estava "com pressa" e que era preciso medir a temperatura do Congresso antes de assinar a medida.

Vale destacar que o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, vai receber às 17h30 o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), que é relator do projeto de lei de privatização da Eletrobras em comissão especial na Câmara. O compromisso foi incluído na agenda nesta quinta e informado pela assessoria da Fazenda. Mais cedo, Guardia disse que começaria ainda esta semana a interlocução com o relator para fazer o esforço em torno do projeto da privatização.

Suzano (SUZB3)

Com o anúncio de aumento de capacidade da Chenming na China em 1 milhão de toneladas de fibra curta, o mercado levantou preocupações sobre o balanço de oferta/demanda no segundo semestre de 2018. Chenming deve começar a rodar no segundo semestre e atingir o limite da capacidade em meados de 2019, quando a base de demanda deve ser 3,5 milhões de toneladas maior do que o nível atual, aponta o Bradesco BBI.

"A oferta de madeira para essa planta ainda é uma dúvida, o que pode levar a um ramp-up maior do que o normal. Apesar de não descartarmos uma correção de preços durante o terceiro trimestre de 2018, ainda se vê o mercado para celulose nos próximos 3-5 anos. A Suzano continua como nossa top pick no setor", afirmou o analista. 

Qualicorp (QUAL3)

As ações da Qualicorp chegaram a subir até 6%. De acordo com o analista Vitor Mizumoto, da Eleven Financial Research, a ação possui fundamentos operacionais que não deveriam ter permitido reação tão negativa do mercado, diz Vitor Mizumoto, da Eleven Financial Research, disse ele para a Bloomberg. 

"Realmente, a ação ficou bem barata recentemente". De fato, houve grande punição do mercado à empresa nesse período, mas operacionalmente ela é boa, afirmou. 
Apesar disso, papel apresenta "cauda gorda" — ou seja, apresenta grandes riscos.

BRF (BRFS3)

O executivo Augusto Cruz, ex-Pão de Açúcar, enviou comunicado nessa quarta-feira à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à BRF pedindo a exclusão de seu nome da chapa montada pelo empresário Abilio Diniz para o novo conselho de administração da companhia de alimentos. Cruz, indicado em fevereiro pelos fundos de pensão Previ (Banco do Brasil) e Petros (Petrobrás) para presidir o colegiado da BRF, disse que teve o seu nome incluído na chapa concorrente montada por Abilio na sexta-feira passada, sem ser consultado.

Outros quatro conselheiros – Walter Malieni, Roberto Mendes, Vasco Dias e José Luiz Osório – também foram incluídos nessa nova chapa e teriam ficado contrariados com a inclusão, segundo fontes. A BRF recebeu nessa quarta-feira o pedido de exclusão de Osório desta lista, de acordo com pessoas a par do assunto.

A nova chapa de Abilio foi apresentada para concorrer com a dos fundos de pensão no dia 26 de abril. Previ e Petros estão insatisfeitos com o desempenho da BRF, que registrou prejuízo pelo segundo ano seguido, e questionam o processo de reestruturação da empresa conduzido por Abilio e Tarpon.

Como atual representante da Previ no colegiado, Walter Malieni estava na reunião de conselho onde a chapa concorrente, que inclui seu nome, foi apresentada. Segundo fontes, sinalizou a Abilio e Tarpon na ocasião que não concordava com a inscrição de nova lista de conselheiros. Procurados, Malieni e Osório não responderam os pedidos de entrevista. Mendes e Dias não foram encontrados pela reportagem.

Oi (OIBR4)

A Oi informou que detentores de bônus da empresa equivalentes a US$ 8,46 bilhões optaram pelo pagamento de seus respectivos créditos na condição de credores qualificados. Se essa opção for integralmente exercida, a diluição total será de 72,12%. De acordo com a empresa, esse percentual está sujeito a fatores como o resultado do exercício do direito de preferência pelos atuais acionistas da Oi.

M.Dias Branco (MDIA3)

A M. Dias Branco confirmou o adiamento da precificação da sua emissão de certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) no valor de R$ 600 milhões. Em comunicado ao mercado, a empresa, que é devedora na operação, e o coordenador líder do CRA, o Itaú BBA, informam que optaram por postergar a data indicativa para a realização do procedimento de bookbuilding (coleta de intenções de investimento), que seria inicialmente realizado nesta quinta-feira, 12 de abril, para “fornecer aos investidores esclarecimentos que eventualmente se façam necessários.”

Na quarta-feira, a fabricante de alimentos enviou esclarecimento sobre a notícia, afirmando que a oferta seguia seu curso normal e também reiterava que tem colaborado com as autoridades sobre os fatos investigados por autoridades.

A companhia é citada na Operação da Polícia Federal Tira-Teima, deflagrada na terça-feira sobre pagamentos de vantagens indevidas a políticos para obter benefícios em medidas de interesse de grupo econômico. A Polícia Federal realizou na ocasião busca e apreensão na sede da empresa.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

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