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Ganhadoras com a queda da Selic sobem até 4%; siderúrgicas chegam a subir forte, mas amenizam

Confira os destaques da B3 na sessão desta quinta-feira (22)

Shopping Iguatemi
(Google Street View)

SÃO PAULO - Entre os temores de guerra comercial entre os EUA e a China com o anúncio de um pacote de tarifas de até US$ 60 bilhões contra o gigante asiático e a reação ao Copom, a sessão é de leves ganhos para o Ibovespa.

Às 15h47 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa registrava leves ganhos de 0,21%, com Petrobras diminuindo as perdas, enquanto as siderúrgicas chegaram a subir forte com o anúncio também de Trump, mas amenizaram os ganhos. Enquanto isso, empresas ganhadoras com a Selic em queda são o destaque de ganhos. Confira os destaques: 

Construtoras e varejistas
Em destaque entre as altas do Ibovespa, estão as ações que ganham com a queda da Selic, como é o caso de construtoras como a MRV (MRVE3) e a Cyrela (CYRE3), além de varejistas, como Lojas Americanas (LAME4) e Lojas Renner (LREN3). Já as empresas de shopping centers também registram as maiores altas do índice, como BR Malls (BRML3), Multiplan (MULT3) e Iguatemi (IGTA3). Na véspera, o Copom cortou os juros em 0,25 ponto percentual, para 6,5% ao ano, como esperado, mas deixou a porta aberta para um novo corte, o que anima esses papéis. 

No caso de consumo e varejo, como o juros em queda beneficia a retomada do crescimento econômico, empresas que acompanham o ritmo da atividade do Brasil tendem a se beneficiar. No caso de shopping center, estas empresas têm um fluxo de recebíveis ligado à taxa pré de longo prazo. Em um período de queda da Selic, receber em taxa prefixada e pagar em posfixada é uma boa forma de lucrar.

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Eletrobras (ELET6)

Após abrir em queda em meio às notícias sobre barreiras para a privatização da Eletrobras entre os políticos, fazendo com que os papéis chegassem a cair até 3%, as ações PNB da estatal diminuíram as perdas, enquanto as ON viraram para alta.

Vale ressaltar que, em entrevista à Bloomberg, o deputado Leonardo Quintão (MDB-MG), membro suplente da comissão especial que analisa proposta de privatização da Eletrobras e forte opositor da venda de Furnas, subsidiária da estatal em Minas, disse que a comissão não vai a lugar nenhum. 

“Tenho certeza que o governo sabe que não passa”, disse ele, que apontou que o governo “está fazendo a obrigação dele, que é tocar e esperar lá na frente fechar um acordo”. A resistência não é só da oposição, vem da base do governo, disse e reiterou: "esse ano, esquece. Impossível. O governo não tem voto para aprovar".

Já o vice-presidente da Câmara e principal voz da bancada mineira, Fábio Ramalho (MDB-MG), afirmou não ser impossível, "mas é muito difícil”.

O relator do projeto de lei que estabelece as regras para privatização, deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), disse ainda que o governo abandonou a desestatização "à própria sorte". "O governo não está focado. Quer, mas não faz força. Não se fez presente à comissão", afirmou durante um seminário que debateu os desafios do setor elétrico realizado na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Vale ressaltar que a sessão da comissão especial da Eletrobras na Câmara marcada para a tarde da última quarta-feira foi remarcada para a próxima semana. Em 20 de março, após duas horas e meia de forte obstrução, a sessão foi encerrada sem que plano de trabalho fosse fechado.

Vale (VALE3)
As ações da Vale caem após duas sessões de ganhos em um dia de leve queda do minério em Dalian (baixa de 0,43%, a 466 iuanes) com o mercado de olho nas notícias sobre saída de acionistas do papel.  A holding Bradespar (BRAP4) tem queda ainda mais expressiva. 

De acordo com a Reuters, os fundos de pensão brasileiros liderados pela Previ planejam vender de 10% a 12,5% de suas participações na mineradora Vale por meio de uma oferta pública de ações, disseram quatro fontes. 

Essa venda pode atingir até R$ 8 bilhões se o BNDESPAr, braço de investimentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), também vender parte de sua fatia na Vale, disseram as fontes.

Siderúrgicas
As ações de siderúrgicas têm um movimento volátil nesta quinta-feira. Os papéis de CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4) chegaram a subir até 4% após o anúncio dos EUA, mas diminuíram os ganhos. 

No começo da tarde, o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, informou que o Brasil e outros países aliados ficarão de fora da aplicação da sobretaxa do aço e alumínio que entra em vigor amanhã. Essa suspensão ocorre durante o período de negociações. Segundo ele, o presidente Donald Trump decidiu "suspender a imposição das tarifas em relação a esses países".

Na quarta-feira, Lighthizer, falou por três horas e meia em uma comissão da Câmara dos Representantes sobre as barreiras. Ele chegou a mencionar o Brasil, dizendo que esperava negociar “em breve” com o País uma isenção nas tarifas de importação do aço e do alumínio. 

Embraer (EMBR3)

A Embraer reafirmou, sobre as negociações com a Boeing, que até o momento não há definição acerca da estrutura da combinação de negócios entre as companhias, incluindo os porcentuais que as partes eventualmente possuirão caso venha a ser implementada.

A empresa afirma, em comunicado, que as conversas consideram uma possível segregação das atividades de aviação comercial da Embraer para fins da combinação de negócios, entre outras opções.

“A Embraer e a Boeing têm mantido entendimentos com vistas a avaliar possibilidades para combinação de negócios. Além das duas empresas, o governo brasileiro também participa de tais conversas por intermédio do grupo de trabalho formado para este fim”, ressalta.

A empresa brasileira reitera que não há garantia de que o negócios venha a se concretizar. “Quando e se definida a estrutura para combinação de negócios, sua eventual implementação estará sujeita à aprovação não somente do governo brasileiro, mas também dos órgãos reguladores nacionais e internacionais e dos órgãos societários das duas companhias”, lembra.

Petrobras (PETR4)
As ações da Petrobras têm um dia de queda após a disparada da véspera. Tanto o movimento da véspera quanto desta quinta ocorrem seguindo o movimento do petróleo. Nesta sessão, o dia é de baixa para a commodity, com o brent em baixa de 0,92% e o WTI em queda de 0,75%. 

No noticiário da empresa, a estatal recebeu ontem, da Statoil Brasil Óleo e Gás Ltda, US$ 300 milhões, referentes à segunda parcela da operação de cessão de sua participação no bloco exploratório BM-S-8, concluída em 22 de novembro de 2016 com a empresa norueguesa.

O pagamento dessa parcela estava condicionado à assinatura do contrato de partilha do bloco Norte de Carcará, outorgado, em janeiro de 2018, pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A primeira parcela, no valor de US$ 1,25 bilhão, foi paga pela Statoil, no fechamento da operação.

Segundo a companhia, o restante do valor total da operação, para completar o preço base de US$ 2,5 bilhões, será pago na última parcela relacionada à celebração do Acordo de Individualização da Produção, para a unitização do bloco, que ocorre com jazidas adjacentes a campos ou prospectos de reservatórios que ultrapassam a área contratada.

CESP (CESP6)
A Cesp teve prejuízo líquido de R$ 102,0 milhões no quarto trimestre de 2017, revertendo o lucro líquido de R$ 71,3 milhões obtido no mesmo período de 2016. A estatal de energia paulista informou que seus números foram impactados por despesas de compra de energia na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, pela atualização do saldo de depósitos judiciais em 2017 (com efeitos retroativos) e por reversão de parte do impairment de anos anteriores referente a Porto Primavera, entre outros fatores. 

Já a receita líquida subiu 14,1% no quarto trimestre de 2017, para R$ 394,2 milhões, ante os R$ 345,4 milhões do mesmo período do ano anterior. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do do período foi de R$ 2,1 milhões, queda de 93,8% ante o Ebitda de R$ 34,0 milhões do quarto trimestre de 2016.  

Anima (ANIM3)
A Anima registrou um prejuízo líquido de R$ 5 milhões no quarto trimestre de 2017, enquanto a estimativa do BTG Pactual era de um lucro de R$ 4 milhões.

Segundo o banco, o resultado veio fraco, com a receita líquida de R$ 242,2 milhões, alta de 5% na base de comparação anual, em linha com as estimativas, mas as  despesas corporativas foram pior que o esperado, levando a uma queda do Ebitda de 14%. 

Os recebíveis também pioraram na base anual (+5 dias) que, combinado com um capex mais alto do que o esperado, resultou numa queima de caixa no trimestre. "Sem dúvida essa não foi a melhor maneira de encerrar um ano que tinha como objetivo marcar o turnaround da cia", apontam os analistas, que mantêm recomendação neutra para o papel. 

Tecnologia
Destaque para uma notícia que vale a pena ser monitorada e pode ter efeito para o setor de tecnologia. O plenário da Câmara dos Deputados aprovou ontem tramitação em regime de urgência para o Projeto de Lei 8.456/17, que acaba com a desoneração da folha de pagamento para a maioria dos setores hoje beneficiados. O requerimento foi aprovado por 342 votos a 46.

Segundo o projeto, voltam a contribuir sobre a folha as empresas dos ramos de tecnologia da informação, teleatendimento (call center), hoteleiro, comércio varejista e alguns segmentos industriais, como de vestuário, calçados e automóveis. Se a proposta for aprovada, as empresas voltarão a contribuir pela folha de pagamento, com alíquota de 20%, após 90 dias da publicação da futura lei.

Na terça-feira, o relator do projeto, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), informou que apresentará um substitutivo mantendo a reoneração de cerca de 20 setores, enquanto a proposta original previa reduzir a isenção fiscal para quase todos os 56 setores atualmente beneficiados. O projeto é uma das prioridades elencadas pela presidente Michel Temer para equilibrar as contas públicas, com o adiamento da votação da reforma da Previdência.

O governo estuda usar recursos provenientes da reoneração para financiar ações da intervenção federal na área de segurança pública no estado do Rio de Janeiro.

Linx (LINX3)
Ainda sobre o setor, o conselho de administração da Linx aprovou aquisição da Itecgyn Informática, que tem sede em Goiânia, por até R$ 25,5 milhões.

De acordo com a empresa, ela fará um primeiro pagamento de R$ 16,4 milhões  à vista e o restante dependerá do cumprimento de metas financeiras e operacionais entre 2018 e 2020. A Itec atua no segmento de sistemas de gestão para o varejo farmacêutico do Brasil.

O BTG aponta que o racional do negócio é aumentar a exposição  vertical de farmácias, que vem crescendo mais do que a média, além de aumentar mercado endereçável para solução de retail intelligence (voltada inicialmente para vertical de farmácias). Os analistas reiteram visão positiva sobre o case. 

Celesc (CLSC4) e Energias do Brasil (ENBR3)
A portuguesa EDP concluiu nessa quarta-feira, 21, a compra de 14,5% das ações da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) - ou 33,1% do capital votante -, pertencentes à Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil). O valor do negócio foi de R$ 244 milhões, mas pode chegar a R$ 450 milhões com a realização de um leilão de Oferta Pública de Ações Voluntária (OPA).

O objetivo é adquirir até 32% das ações preferenciais da companhia, o que aumentaria a participação total para 33,6%. Com a medida, o grupo se tornaria o maior detentor de ações preferenciais da elétrica e teria direito a mais um assento no conselho, afirma o presidente da empresa Miguel Setas. Hoje a Celesc, composta por geradoras e distribuidoras de energia, é controlada pelo governo do Estado, que detém 50,18% das ações ordinárias da companhia.

Segundo Setas, o negócio faz parte da nova estratégia do grupo que encontrou no Estado de Santa Catarina um ambiente adequado para novos investimentos. "A parceria com a Celesc integra um novo ciclo de crescimento da EDP no Brasil, com ênfase nos segmentos de distribuição e transmissão de energia e na ampliação da nossa presença em novas geografias", avalia Setas.

Bancos
O Itaú Unibanco (ITUB4), o Banco do Brasil (BBAS3), o Santander (SANB11) e o Bradesco (BBDC4) anunciaram na quarta-feira nova redução nas taxas de juros de suas linhas de crédito para pessoas físicas, micro e pequenas empresas, repassando aos seus clientes o corte da taxa básica (Selic) anunciado hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC). 

O Itaú detalha que para pessoas físicas haverá redução no cheque especial e a nova taxa mínima passa a ser 2,08% ao mês. O banco diz que para micro e pequenas empresas também serão alteradas as taxas no cheque especial e capital de giro, mas não especifica quanto.

Já o Bradesco informou que vai repassar o corte de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic nas principais linhas de crédito de pessoa física e pessoa jurídica.  O Banco do Brasil informa que, para pessoas físicas, a instituição destaca a linha de crédito parcelado no cartão de crédito, com redução de 0,20 ponto porcentual ao mês. Já para pessoas jurídicas, a redução de juros acontece nas linhas de capital de giro, desconto de títulos e de cheques, antecipação de crédito ao lojista e conta garantida.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

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