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EUA põem "água no chope" do Copom e Ibovespa opera sem movimento definido; DIs afundam

Dia negativo no exterior, com risco de ciclo de altas mais agressivo nos juros norte-americanos, ofusca surpresa positiva com Copom

SÃO PAULO - Após engatar a segunda alta consecutiva na véspera, mesmo com as sinalizações mais otimistas vindas da primeira reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) sob o comando de Jerome Powell nos Estados Unidos, o Ibovespa iniciou a quinta-feira (22) sem movimento definido, entre o mau humor visto nas principais bolsas mundiais e a sinalizações surpreendentes do Copom (Comitê de Política Monetária) na véspera. Às 10h40 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira caía 0,10%, a 84.880 pontos.

No mesmo horário, os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 recuavam 19 pontos-base, a 6,26%. Já os DIs com vencimento em janeiro de 2021 caíam 13 pontos-base, a 8,10%. No radar dos investidores, destaque para a sinalização do Copom de que pode haver um novo corte na Selic na próxima reunião. Ontem, a taxa básica de juros brasileira foi reduzida em 25 pontos-base, para 6,5% ao ano, na mínima histórica. As expectativas do mercado eram de que este fosse o último movimento do ciclo de afrouxamento monetário iniciado em outubro de 2016.

Os contratos de dólar futuro com vencimento em abril subiam 0,85%, sinalizando cotação de R$ 3,303, com os investidores ainda digerindo a última reunião do Fomc e uma maior probabilidade de uma alta adicional nos juros norte-americanos ainda em 2018. Na decisão de ontem, em que a autoridade monetária local elevou as taxas para a faixa de 1,5% a 1,75%, mais três membros votantes passaram a projetar um total de quatro altas neste ano, ante três previamente apontadas. Agora, este grupo já conta com sete dos 15 membros votantes.

Confira os destaques deste pregão:

Destaques da Bolsa

Do lado acionário, os papéis da Eletrobras (ELET3) aparecem entre as principais quedas dentro da carteira teórica do índice. As notícias sobre barreiras para a privatização na Câmara dos Deputados têm pressionado as ações da companhia. Em entrevista à Bloomberg, o deputado Leonardo Quintão (MDB-MG), membro suplente da comissão especial que analisa proposta de privatização e forte opositor da venda de Furnas, subsidiária da estatal em Minas, disse que a comissão não vai a lugar nenhum. Já o vice-presidente da Câmara e principal voz da bancada mineira, Fábio Ramalho (MDB-MG), afirmou não ser impossível, "mas muito difícil”. O relator do projeto de lei que estabelece as regras para privatização, deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), disse ainda que o governo abandonou a desestatização "à própria sorte". No campo positivo, destaque para as ações das varejistas, repercutindo o cenário mais favorável para novos cortes nos juros. Para acessar os destaques do radar corporativo, clique aqui.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 QUAL3 QUALICORP ON 23,10 -2,41 -25,48 4,92M
 BRAP4 BRADESPAR PN 31,42 -2,39 +9,40 22,10M
 PETR4 PETROBRAS PN 21,75 -1,36 +35,09 120,66M
 VALE3 VALE ON 41,94 -1,32 +5,36 72,01M
 USIM5 USIMINAS PNA 11,09 -1,16 +21,87 14,30M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ESTC3 ESTACIO PARTON 38,56 +1,88 +17,49 8,25M
 ELET3 ELETROBRAS ON 21,85 +1,86 +12,98 11,77M
 MRVE3 MRV ON 15,92 +1,79 +5,85 2,74M
 IGTA3 IGUATEMI ON 39,32 +1,68 -0,18 3,93M
 MULT3 MULTIPLAN ON N2 67,38 +1,57 -4,96 2,77M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

 

Agenda econômica

O mercado repercute a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) da noite da véspera, que fez o que todos esperavam: cortou a Selic em 25 pontos-base, para 6,50% ao ano. Mas por outro lado surpreendeu analistas e investidores com seu comunicado, onde praticamente cravou que irá reduzir os juros novamente em maio. Assim, a curva do DI, que embutia no fim do dia de ontem probabilidade marginal de alívio em maio, poderá ter uma sessão de ajuste. 

Em linha com o comunicado, algumas instituições já anunciaram mudanças em suas projeções, como o Rabobank, que agora vê a Selic em 6,25% no fim deste ano, ou seja, apenas mais um corte e depois manutenção da taxa pelo menos até o início de 2019. Segundo a XP Gestão, o cenário-base agora para a reunião de maio é um corte de 25 pontos-base nos juros. Ainda no Brasil, nesta quinta, o Banco Central oferta até 14 mil contratos de swap para rolagem e o Tesouro faz leilão de LTN para 2019, 2020 e 2022 e de NTN-F para 2025 e 2029.

Veja mais em: Novo corte de juros, revisão de projeções e ações em alta: como o mercado reagiu a surpresa do Copom

Já na agenda econômica desta quinta-feira, atenção para os dados dos EUA: às 9h30 serão divulgados os pedidos de auxílio-desemprego, às 10h os dados de preços residenciais referentes a janeiro. Entre às 10h45 e 11h45, serão revelados os PMIs industrial, de serviço e composto prévios de março pela Markit. Por fim, ao meio-dia, o Fed divulgará a sondagem industrial de Kansas, também de março. 

STF

Após muita polêmica, o STF (Supremo Tribunal Federal) julga hoje o habeas corpus preventivo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o qual ele pretende impedir sua prisão após condenação em segunda instância no caso do triplex no Guarujá (SP).

Com a decisão, o habeas corpus de Lula no Supremo será julgado antes do embargo de declaração protocolado pela defesa do petista na segunda instância da Justiça Federal.  O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), com sede em Porto Alegre, marcou para a próxima segunda-feira, dia 26, o julgamento do recurso.

Em entrevista à Bloomberg, Lucas de Aragão, sócio da Arko Advice, apontou que o habeas corpus no STF de Lula tende a ser rejeitado por um placar apertado de 6 a 5 votos. O "voto de minerva" seria de Rosa Weber que, apesar de já ter se manifestado a favor da execução da pena somente após o julgamento no STJ (Superior Tribunal de Justiça),  tem seguido a jurisprudência. 

Também no radar político, a Coluna do Estadão informa que interlocutores do presidente Michel Temer já trabalham com a informação de que ele será denunciado pela terceira vez pela Procuradoria-Geral da República no inquérito dos Portos antes da eleição de outubro, o que contaminará o período eleitoral. Assim, a reforma ministerial será usada para garantir apoio na Câmara, responsável por analisar denúncias contra presidentes.

IMTV

Na InfoMoney TV, no programa "Você, Trader!" desta quinta-feira, o analista técnico Rodrigo Cohen, da Rico Investimentos, comentará se a correção do Ibovespa já chegou ao fim ou se ainda há motivos para ter cautela e como o investidor pode fazer para se proteger desse cenário de forte volatilidade no mercado. Na transmissão ao vivo, que tem início às 17h, os investidores também poderão tirar suas dúvidas sobre o mercado de ações. Veja a grade completa clicando aqui. 

(Com Agência Estado e Bloomberg)

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