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Ibovespa tem quinta queda seguida e perde os 84 mil pontos com derrocada em Wall Street

Forte queda dos índices nos EUA pressionaram o mercado, que azedou também com novidades que colocam as esperanças de Lula com Gilmar Mendes

SÃO PAULO - O Ibovespa acentuou as perdas no início da tarde desta segunda-feira (19) e se manteve com queda de mais de 1% seguindo a derrocada no exterior, com os três índices nos Estados Unidos caindo mais de 1,5%. Além disso, o mercado ficou de olho na notícia de que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes foi escolhido como o responsável por analisar um pedido de habeas corpus coletivo feito pela Associação de Advogados do Ceará, se tornando a nova esperança de salvação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O benchmark da bolsa brasileira fechou com queda de 1,15% - após chegar a cair 1,42% na mínima do dia -, aos 83.913 pontos. O volume financeiro ficou em R$ 16,301 bilhões. Segundo o analista da XP Investimentos Marco Saravalle, o exterior fez grande pressão na bolsa, mas o caso do habeas corpus coletivo ajudou a piorar o cenário.

Nos EUA, o mercado desabou puxado pelas ações de tecnologia com a forte queda do Facebook. Diante do "selloff" em Wall Street, o VIX, conhecido como índice do medo, disparou quase 27%, para 20,12, maior nível desde o início do mês. O dólar comercial, por sua vez, não teve tanta reação, fechando com alta de 0,32%, cotado a R$ 3,2894 na venda.

Segundo documento do STF, o pedido impetrado beneficiaria todos os cidadãos que se encontram presos, e os que estão na iminência de serem, para fins de execução provisória de pena, decorrente de condenação confirmada em segundo grau. Avaliação negativa ocorre porque Gilmar tem sido um dos maiores defensores da revisão da decisão do STF de prisão em segunda instância.

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Para a XP Investimentos, o pedido de habeas corpus coletivo se encaixa perfeitamente na situação do ex-presidente Lula, condenado em segunda instância no caso do triplex, e aguardando julgamento dos embargos de declaração. "Em tese, seria suficiente uma liminar de Gilmar Mendes para que Lula consiga recorrer em liberdade", diz a XP.

Os analistas destacam que, até pouco tempo a jurisprudência do Supremo era contrária ao habeas corpus coletivo, por se tratar de ação que visa proteger um direito de natureza individual. Por outro lado, esse entendimento mudou no mês passado, quando a Segunda Turma do STF conheceu um habeas corpus coletivo para autorizar que mulheres grávidas ou com filhos até 12 anos possam cumprir prisão domiciliar, com voto favorável de Gilmar Mendes.

Destaques de ações

Os principais destaques de baixa foram as siderúrgicas, como CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5), Gerdau (GGBR4), uma vez que o minério de ferro teve queda forte no último pregão em Dalian. Além delas, a Vale (VALE3) também sofreu com a derrocada do minério de ferro. Por outro lado, a Suzano (SUZB3) e a Multiplan (MULT3) tiveram fortes ganhos. Veja mais destaques aqui.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 USIM5 USIMINAS PNA 10,60 -4,93 +16,48 112,82M
 BRAP4 BRADESPAR PN 31,10 -3,51 +8,29 69,13M
 PETR3 PETROBRAS ON 22,59 -3,34 +33,59 156,68M
 SMLS3 SMILES ON 71,33 -3,32 -6,02 53,39M
 GOAU4 GERDAU MET PN 7,17 -2,98 +23,83 100,59M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SUZB3 SUZANO PAPELON 30,60 +7,37 +63,72 743,41M
 QUAL3 QUALICORP ON 22,80 +3,64 -26,45 136,58M
 CMIG4 CEMIG PN 8,50 +2,53 +23,73 157,86M
 CIEL3 CIELO ON ED 22,55 +1,71 -2,47 175,02M
 JBSS3 JBS ON 9,77 +1,56 -0,41 44,21M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE3 VALE ON 41,10 -2,84 896,35M 911,00M 34.939 
 PETR4 PETROBRAS PN 20,93 -2,33 883,82M 1,04B 46.118 
 SUZB3 SUZANO PAPELON 30,60 +7,37 743,41M n/d 55.979 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 50,12 -2,15 571,10M 721,39M 37.290 
 BBAS3 BRASIL ON EJ 41,40 -2,36 435,88M 409,59M 19.808 
 FIBR3 FIBRIA ON 64,11 -0,22 435,53M 200,76M 24.407 
 BBDC4 BRADESCO PN 37,84 -1,02 362,39M 397,47M 24.784 
 ESTC3 ESTACIO PARTON 35,99 -1,13 242,56M 117,40M 18.366 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 23,79 +0,76 222,32M 399,68M 25.880 
 BVMF3 B3 ON 25,56 -0,74 203,03M 264,00M 24.409 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Notícias do dia

No campo político, o STF segue pressionado para que altere a decisão de permitir a prisão de condenados após julgamento em segunda instância, na esteira dos recursos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro Marco Aurélio Mello pode motivar a discussão em plenário sobre a prisão em 2ª instância. Além do PT e de partidos da base, a ministra Cármen Lúcia sofre pressão de colegas para colocar o assunto em pauta.

o jornal O Estado de S. Paulo informa que o presidente Michel Temer já começou a avisar seus principais interlocutores que está disposto a disputar a reeleição presidencial. Temer acha que poderá melhorar de situação com a confirmação da recuperação da economia e com outras medidas que pretende adotar até o final de seu mandato. Enquanto isso, O Globo informa que, convidado para entrar no MDB, Henrique Meirelles também avalia filiação a outro partido. 

Em destaque nas eleições estaduais, a Folha de S. Paulo informa que o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) comunicou ao partido que aceita discutir sua candidatura ao governo de Minas, num movimento que favorece a campanha do governador Geraldo Alckmin. Já João Doria venceu as prévias do partido com 80% dos votos e será o candidato a governador de São Paulo. Sobre o assunto, Alckmin afirmou à Folha que as eleições serão fragmentadas e que "o povo está meio cansado dessa brigalhada política". Por outro lado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) disse ao Correio Braziliense que o governo "quer candidato para defender o passado".

Grandes eventos na semana

Os investidores iniciam a semana de olho em 3 eventos que vão mexer com o humor do mercado: Copom (Comitê de Política Monetária) e Fomc (Federal Open Market Committee) na quarta-feira (21), além do IPCA-15 na sexta-feira (23).

Na quarta-feira, dia mais agitado na semana, o destaque fica para a decisão de política monetária do Fed às 15h. A expectativa predominante no mercado é que o BC dos EUA subirá a taxa de juros em 25 pontos-base, levando-a para o intervalo entre 1,5% e 1,75% ao ano. Além da decisão, essa será a primeira vez que o novo presidente do Fed, Jerome Powell, irá discursar após a reunião, que também contará com as projeções econômicas dos membros do Fomc. 

O diretor da mesa de câmbio da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, destaca a importância do dia e as projeções dos bancos sobre as altas na taxa de juros. Os economistas do Goldman Sachs apostam em aumento da projeção de alta de juros para este ano de 3 para 4, enquanto outros bancos acreditam na manutenção da projeção de 3 altas após dados mais fracos da economia, apontou.

No mesmo dia, às 18h, será definida a taxa básica de juros pelo Copom. Desde a última semana o mercado já passou a cravar um novo corte da Selic, que levaria a taxa para 6,50% ao ano, na 12ª redução consecutiva e os investidores estão na expectativa pelas sinalizações do BC quanto ao rumo nos próximos encontros. Uma das referências importantes é justamente o comportamento da inflação e por conta disso o IPCA-15 de março na sexta-feira será acompanhado de perto pelo mercado, com expectativa de avanço de 0,20%, o que deixa o acumulado em 12 meses ainda abaixo do piso da meta, em 2,90%.

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