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BB lucra R$ 11,1 bi em 2017 e anima mercado; mais 2 balanços, novidades da Fibria-Suzano e outros destaques

Confira os destaques do noticiário corporativo desta quinta-feira (22)

sede do Banco do Brasil em Brasília
(Paulo Whitaker/Reuters)

SÃO PAULO - O noticiário corporativo é movimentado nesta quinta-feira (22), com destaque para o resultado do Banco do Brasil, cujo lucro superou as estimativas de analistas consultados pela Bloomberg, enquanto a Ultrapar viu seu lucro cair 8%. Novas notícias sobre uma possível combinação de negócios entre Fibria e Suzano, a IMC rejeitando proposta de análise de fusão com a Sapore e mais notícias são destaques no radar. Confira abaixo: 

Banco do Brasil  (BBAS3)
O Banco do Brasil registrou um lucro líquido ajustado de R$ 3,188 bilhões no quarto trimestre de 2017, 82,5% acima do mesmo período de 2016, anunciou a instituição nesta quinta-feira (22). O lucro superou a estimativa mais alta de analistas de mercado consultados pela Bloomberg, que esperavam uma variação entre R$ 2,75 bilhões e R$ 2,83 bilhões.  O lucro líquido contábil do maior banco do país em ativos foi de R$ 3,108 bilhões no período, avanço de 222,7% na comparação com um ano antes.

A margem financeira bruta foi de R$ 14,548 bilhões nos três últimos meses de 2017, uma baixa de 5,1% em relação a um ano antes. Já as despesas com PDD (provisões para devedores duvidosos) tiveram queda de 24,7%, para R$ 5,637 bilhões.

Em 2017, o lucro líquido do banco totalizou R$ 11,1 bilhões, 54,2% maior na comparação com o exercício anterior, de R$ 7,171 bilhões. Segundo o BB, o desempenho também reflete o crescimento das receitas de tarifas e serviços, menos gastos com calotes e ainda maior eficiência com o controle das despesas administrativas.

A carteira de crédito ampliada do BB foi a R$ 681,3 bilhões no quarto trimestre do ano passado, aumento de 0,6% em relação ao fechamento do terceiro trimestre, de R$ 677,037 bilhões. Em um ano, porém, os empréstimos se reduziram em 3,8%. Na pessoa física, foi visto crescimento de 0,1% em dezembro ante setembro e queda de 0,1% em um ano. Já a carteira da pessoa jurídica encolheu 0,4% e 8,9%, respectivamente.

O total de ativos do Banco do Brasil alcançou R$ 1,369 trilhão de outubro a dezembro, montante 2,3% menor ante um ano, quando estava em R$ 1,401 trilhão. Na comparação com os três meses anteriores teve queda de 2,2%.

O BB encerrou dezembro com patrimônio líquido de R$ 98,7 bilhões, cifra 13,2% superior em um ano, de R$ 87,2 bilhões. O retorno sobre o patrimônio líquido (RSPL) no quesito mercado do BB foi a 14,5% no quarto trimestre, melhora de 1,7 ponto porcentual em relação ao terceiro trimestre, quando o indicador ficou em 12,8%. Em 12 meses, o índice cresceu 5,8 p.p.

 

Já no consolidado de 2017, a rentabilidade do BB atingiu 12,3% contra 8,8% no ano anterior, reforçando a melhora dos resultados do banco público durante a gestão de Paulo Caffarelli. O executivo assumiu o comando da instituição em 2016 com o desafio de melhorar o seu retorno após uma política de concessão de crédito a juros menores e em plena crise financeira.

A avaliação geral de analistas é de que o resultado foi positivo. A XP Investimentos apontou ter ficado satisfeita com a sensível melhora dos principais indicadores operacionais do Banco do Brasil ao longo de 2017. "Acreditamos que estes números vieram para ficar e que poderemos ter surpresas positivas em 2018. Tendo em vista um ROE (retorno sobre o patrimônio) projetado próximo de 13% para este ano, acreditamos que as ações BBAS3 deveriam ser melhor avaliadas em bolsa. Com isso, reforçamos nossa recomendação de compra após os resultados para investidores com perfil de longo prazo", apontam os analistas. De acordo com o Credit Suisse, o guidance será positivo para o desempenho dos papéis hoje. 

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Ultrapar (UGPA3)
A Ultrapar viu seu lucro líquido recuar 8% no quarto trimestre de 2017, de R$ 435 milhões do mesmo período de 2016 para R$ 400 milhões. Já no ano, o lucro foi de R$ 1,5 bilhão, valor próximo ao resultado de 2016. 

Já a receita líquida somou R$ 21,57 bilhões, 13% superior sobre a mesma etapa de 2016. Em seu balanço trimestral, a Ultrapar destacou que o cenário permanece desafiador após a crise, mas disse que “continua confiante na resiliência e potencial dos seus negócios”.

A empresa investiu R$ 2,3 bilhões em 2017,alta de 24% na comparação com o ano anterior. Para 2018, a perspectiva é de novo aumento, embora em ritmo menor, prevendo investir R$ 2,7 bilhões neste ano, 16% acima na base de comparação com 2017.

De acordo com o UBS, o último ano foi difícil para a Ultrapar, mas a perspectiva para 2018 é positiva. Já o Credit Suisse apontou que os números apresentados foram razoáveis e de que o ano não foi tão ruim dentro de um ambiente macroeconômico ainda complicado. Os analistas do banco suíço avaliam estar mais céticos com o crescimento da empresa do que o consenso. 

Marcopolo (POMO4)
A Marcopolo registrou um lucro líquido de R$ 37,3 milhões, com margem de 4,4%. Já a receita líquida somou R$ 843,6 milhões.

A produção brasileira de ônibus (mercado total) atingiu 4.212 unidades no quarto trimestre de 2017, aumento de 24,1% na base anual. A produção anual somou 14.693 unidades, 2,2% superior ao volume produzido em 2016. 

De acordo com a XP Investimentos, os resultados apontam para recuperação, mas abaixo das expectativas. O viés é negativo no curto prazo.

O setor e a Marcopolo já apresentam sinais claros de recuperação, aponta a XP Investimentos. Segundo a companhia, a demanda do mercado interno deve permanecer em sua trajetória de recuperação, com volumes crescentes frente a 2017, tendo como destaque os modelos rodoviários para o setor de fretamento e interestaduais.

A norma voltada à renovação da frota de ônibus rodoviários interestaduais e internacionais mantém-se em vigor, tendo em 2018, como idade média obrigatória, os 6 anos (5 anos em 2019), diz a corretora. Em relação à acessibilidade, entra em vigor em 1º de julho de 2018, regra que obriga a instalação de elevadores em todos os ônibus rodoviários. Tal norma poderá afetar positivamente o mercado de ônibus rodoviários no primeiro semestre de 2018. "Portanto, temos diversos indicadores que 2018 deverá ser um ano de forte recuperação das vendas nos principais mercados de atuação da Marcopolo, no entanto, seguimos com nossa preferência no setor pelas ações da Randon (RAPT4), por ora", aponta a XP Investimentos.  

Fibria (FIBR3) e Suzano (SUZB3)
Mais uma vez o noticiário sobre a possível combinação de negócios entre Fibria e Suzano está no radar. Segundo a colunista Sonia Racy, do jornal O Estado de S. Paulo, o interesse da Suzano pela Fibria desperta o interesse também de players internacionais.

Segundo conhecido banqueiro não identificado pelo jornal, quatro empresas estão costurando para entrar na fila: a finlandesa UPM, a chilena CMPC e a Paper Excellence – da família chinesa Widjaja, estabelecida na Indonésia e que já pagou R$ 1 bilhão à J&F, por 13% da Eldorado; a quarta é a April, também da Indonésia – que tentou adquirir a Eldorado. 

IMC (MEAL3)
A IMC Holdings informou em comunicado ao mercado a rejeição da análise de proposta de fusão com a Sapore. A empresa afirmou ter concluído que, embora os termos da proposta possam ser considerados meritórios do ponto de vista estrutural, não é possível ao Conselho de Administração sobre ela manifestar-se, da maneira solicitada pelo proponente. 

"No entendimento do Conselho de Administração, tratando-se de operação de incorporação e não tendo existido prévia discussão visando à celebração de um protocolo, não é possível à administração avaliar a adequação dos termos da proposta - que não atribui qualquer prêmio para a companhia - nem realizar a análise adequada das informações sobre a companhia de capital fechado que se pretende seja incorporada pela companhia, cujas informações, por sua vez, são públicas e acompanhadas pelo mercado.

Diante disso, o Conselho de Administração deliberou por não dar seguimento à análise da Proposta como formulada, sem prejuízo de a diretoria analisar no futuro as informações que a proponente venha a fornecer sobre os negócios da Sapore, visando a uma potencial negociação entre as administrações", disse a IMC no comunicado.

Braskem (BRKM5)
A Braskem informou que uma proposta de acordo com líder de ação coletiva movida na Justiça dos Estados Unidos foi homologada nesta quarta-feira. Para encerrar a ação, a Braskem pagará US$ 10 milhões aos investidores representados na class action, disse a companhia em comunicado.

Wiz (WIZS3)
A Wiz acertou o desligamento de João Francisco da Silveira Neto da presidência da companhia a partir de 1 de março. O presidente do Conselho de Administração Fernando Carlos de Melo Filho vai acumular a função interinamente.

De acordo com o Itaú BBA, o anúncio foi inesperado e a notícia deve levar à queda das ações, já que Silveira era um nome bem visto pelo mercado. "Além disso, muitos investidores podem interpretar a mudança como um sinal de deterioração da relacionamento com a Caixa Econômica Federal, o que pode ser uma notícia negativa em meio às discussões sobre a reconfiguração do ecossistema de seguros da Caixa", apontam os analistas. 

Totvs (TOTS3)
Os analistas do Credit Suisse elevaram a recomendação para a Totvs de neutro para outperform (desempenho acima da média do mercado), elevando o preço-alvo de R$ 35 para R$ 37. 

Os analistas avaliam que o quarto trimestre de 2017 marcou o patamar mais baixo de rentabilidade e que a recuperação de vendas deve permitir que a empresa entregue expansão de margem e crescimento de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações). O Credit vê potencial para a empresa entregar crescimento de Ebitda de dois dígitos por vários anos, já esperando uma taxa de crescimento de 10.1% no Ebitda em 2018.

Locamerica (LCAM3)
O Conselho de Administração aprovou a aquisição pela Locamerica de 40,3% do capital social da Unidas por R$ 397,7 milhões, segundo comunicado ao mercado.

A companhia aprovou ainda a incorporação de ações da Unidas imediatamente subsequente à aquisição da fatia, mediante aumento de capital de R$ 579,6 milhões. Os acionistas discutiram a aquisição e a incorporação em AGE (Assembleia Geral Extraordinária) em 9 de março, às 10h, segundo outro comunicado.

Sabesp (SBSP3)
A Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – publicou no site da Arsesp (Agência reguladora de saneamento e energia do Estado de São Paulo) o Plano de Negócios da Segunda Revisão Tarifária Ordinária.

A empresa explica que o documento contém considerações referentes a perspectivas e estimativas futuras, e que este encaminhamento corresponde a uma primeira abordagem da situação econômica projetada para a empresa, de modo que se reserva o direito de, “sempre que julgar cabível, reavaliar conceitos e valores propostos”.

A companhia cita que o valor mencionado de capex, desembolsos por programas, de R$ 13,9 bilhões para o período 2017 a 2021, já é de conhecimento do mercado. Por sua vez, informa que há uma tabela de imobilizações por programas com o valor de R$ 15,5 bilhões para esse intervalo.

Consta ainda da deliberação que a Tarifa Média Máxima Final (P0 Final) será divulgada e autorizada até 10 de abril de 2018 e que as diferenças de receitas apuradas em decorrência dos valores tarifários autorizados em 10 de junho de 2017 (P0 Preliminar) e os valores tarifários apurados após complementação da revisão tarifária (P0 Final) serão devidamente compensadas, aplicando-se às tarifas do serviço público de abastecimento de água e esgotamento sanitário, por ocasião do reajuste tarifário a ocorrer em 11 de abril.

(Com Bloomberg)

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