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Ibovespa sobe 3,3% e dólar cai mais de 2% no melhor pregão desde o julgamento de Lula

Índice operou em alta durante todo o pregão e ganha força com a virada para cima dos índices nos Estados Unidos

SÃO PAULO - Em alta desde a abertura, o Ibovespa ganhou força durante a tarde desta quarta-feira (14) com ajuda da virada do mercado nos Estados Unidos, onde os índices começaram o dia em queda, mas passaram a subir mais de 1%. Ajuda ainda a bolsa brasileira a alta de 2% do ETF (Exchange Traded Fund) EWZ, que representa os papéis com maior peso no índice, nos dois dias que a B3 ficou fechada para negócios por conta do Carnaval.

O benchmark da bolsa brasileira fechou com alta de 3,27%, aos 83.542 pontos, em seu melhor pregão desde o julgamento do ex-presidente do Lula, dia 24 de janeiro, quando subiu 3,72%. O volume financeiro deste pregão ficou em R$ 11,257 bilhões. O dólar comercial, por sua vez, teve um forte ajuste, caindo 2,27%, cotado a R$ 3,2274 na venda, praticamente na mínima do dia.

Na última segunda-feira, os ADRs (American Depositary Receipt) brasileiros subiram forte na esteira dos índices norte-americanos e o petróleo também registrando alta, com o mercado reagindo ao comunicado da Opep sobre o aumento da projeção para a demanda do petróleo em 2018. Já na terça-feira, a alta dos ADRs nacionais foi mais comedida, com o EWZ fechando em alta de 0,53% depois de disparar 1,44% na segunda-feira.

Nesta quarta-feira, o resultado acima do esperado da inflação nos EUA em janeiro ameaçou jogar um "balde de água fria" em todo esse otimismo, mas ele prevaleceu na abertura. Durante a tarde, o mercado se acalmou, com analistas destacando que o pânico era exagerado dado o cenário econômico do país e os fundamentos.

O índice de preços ao consumidor dos EUA subiu 0,5% na passagem de dezembro para janeiro, acima da expectativa de 0,3% projetada pelo mercado, fato que eleva ainda mais as apostas de que o Federal Reserve aumentará a taxa de juros 4 vezes ainda este ano, ao invés de 3 como projeta o mercado. Como contraponto, as vendas ao varejo recuaram 0,3% na passagem de dezembro para janeiro, enquanto esperava-se aumento de 0,2% na passagem mensal.

Destaques do mercado
Do lado positivo, destaque para as ações da Vale (VALE3), que dispararam acompanhando a alta do minério de ferro na China, enquanto a CCR (CCRO3), Marfrig (MRFG3) e Natura (NATU3) foram as únicas com queda de mais de 1%.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CSNA3 SID NACIONALON 10,75 +8,70 +28,28 121,82M
 BRAP4 BRADESPAR PN 33,32 +6,90 +16,02 54,44M
 GGBR4 GERDAU PN 14,96 +6,63 +20,84 145,26M
 USIM5 USIMINAS PNA 11,97 +6,59 +31,54 203,58M
 VVAR11 VIAVAREJO UNT N2 25,89 +6,28 +5,80 72,69M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRFG3 MARFRIG ON 6,27 -2,34 -14,34 13,65M
 CCRO3 CCR SA ON 14,52 -1,36 -10,09 164,73M
 CSAN3 COSAN ON 43,05 -0,85 +3,73 74,32M
 NATU3 NATURA ON 33,48 -0,68 +1,27 81,71M
 FIBR3 FIBRIA ON 54,10 -0,42 +13,06 88,90M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE3 VALE ON 44,51 +5,98 1,14B 732,74M 43.825 
 PETR4 PETROBRAS PN 19,22 +2,40 769,76M 988,14M 37.551 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 52,66 +4,32 764,06M 804,34M 36.703 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 38,58 +3,65 554,94M 525,60M 32.829 
 BBAS3 BRASIL ON 39,56 +4,60 419,54M 427,47M 23.913 
 ABEV3 AMBEV S/A ON ED 22,24 +3,49 395,17M 278,50M 23.153 
 KROT3 KROTON ON 15,71 +4,32 364,74M 218,27M 25.162 
 BVMF3 B3 ON 24,40 +1,71 307,33M 262,13M 27.974 
 ITSA4 ITAUSA PN 13,09 +3,23 235,52M 231,86M 25.002 
 PETR3 PETROBRAS ON 20,38 +1,44 210,30M 207,78M 13.808 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Agenda da semana
Por aqui, a política monetária será o grande destaque, com a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), na quinta-feira às 8h (horário de Brasília). O documento deve dar mais detalhes sobre as explicações do Banco Central, que pode cravar ainda mais o fim do ciclo de cortes da Selic.

Voltando ao exterior, o PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro cresceu 0,6% no quarto trimestre de 2017 ante os três meses anteriores e teve expansão anual de 2,7% no mesmo período, segundo revisão publicada hoje pela agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat. Os dados vieram em linha com a previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal e confirmaram estimativas preliminares divulgadas no fim de janeiro. Em termos anualizados, o PIB do bloco cresceu 2,4% entre outubro e dezembro, informou a Eurostat.

Noticiário político
Mesmo em meio ao Carnaval, o noticiário político foi bastante movimentado, com destaque para as movimentações sobre a candidatura ou não de Luciano Huck, cujas negociações devem ser retomadas após o feriado. Mesmo em meio às negativas sobre a sua candidatura, os rumores de que o global está estudando se candidatar voltaram após a condenação em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O apresentador intensificou nos últimos dias as consultas a políticos e empresários sobre a viabilidade de seu nome na disputa presidencial.

Já o jornal O Estado de S. Paulo apontou que o economista Paulo Guedes está propondo um plano liberal ao candidato Jair Bolsonaro, que costuma ser um defensor de uma política nacional-desenvolvimentista. Entre as propostas estão um mandato fixo de quatro anos para a diretoria do Banco Central e privatizações de estatais. Paulo Guedes foi anunciado como o possível ministro da Fazenda de Bolsonaro caso ele seja eleito. 

Outra questão que ganhou as manchetes durante o feriado foi a fala do diretor-geral da PF, Fernando Segovia, à Reuters. O delegado sugeriu, segundo noticiado pelo site de notícias, que o inquérito que investiga o presidente Michel Temer no caso decreto dos Portos deve ser arquivado. Segovia alegou que foi mal interpretado sobre suas declarações e disse ao Estadão que não vai pedir demissão. Sobre o assunto, o jornal O Globo informa que a Polícia Federal deverá pedir a prorrogação do prazo do inquérito.

Reforma da Previdência
Enquanto o noticiário eleitoral segue movimentado, o governo faz o esforço final para votar a reforma da Previdência ao retomar os trabalhos hoje e disposto a fazer novas concessões na proposta em busca de voto, segundo informa O Globo. Temer deve se reunir com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para tratar da matéria. Maia tem dito que a proposta não passa se não houver engajamento de prefeitos e governadores e que ele pode retirar o assunto da pauta se o Planalto não conseguir os votos necessários à aprovação da reforma.

A coluna Painel, da Folha, destaca um apoio que o governo está recebendo: a de associações empresariais ligadas à indústria e ao agronegócio, que resolveram aumentar a pressão sobre os deputados federais. Definiram como alvo cerca de 120 parlamentares que ainda se declaram indecisos sobre a proposta negociada pelo governo com o Congresso: "encerrado o Carnaval, pretendem bombardeá-los com mensagens telefônicas para que aprovem as mudanças nas aposentadorias", afirma a coluna.

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