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Fibria salta 5% e bancos caem até 3%; recomendações do Credit guiam de alta de 8% à baixa de 3% de ações

Confira os destaques do noticiário corporativo desta segunda-feira (29)

Fibria - Bloomberg
(Bloomberg)

SÃO PAULO - Após o forte ânimo do mercado da última semana em meio à confirmação da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em segunda instância, que fez o Ibovespa renovar recorde e diversas ações entrarem na máxima histórica, a sessão foi de correção para o índice, que caiu 1,03%, a 84.650 pontos. A correção veio, consequentemente, também para diversos papéis, como estatais e bancos, com Bradesco (BBDC3, R$ 38,80, -2,88%; BBDC4, R$ 40,00,-2,91%) e Itaú (ITUB4, R$ 51,69, -2,69%) caindo mais de 2%, enquanto Banco do Brasil (BBAS3, R$ 38,95, -0,56%) fechou com leve baixa. Por outro lado, outras ações que não aproveitaram o rali da semana passada, como papel e celulose, disparam nesta sessão, impulsionadas ainda pela notícia do O Globo de que a Paper Excellence estaria de olho na Fibria. Veja este e outros destaques do mercado: 

Fibria (FIBR3, R$ 55,35, +5,23%)
As ações da Fibria dispararam na bolsa, chegando a subir até 8,84%, mas amenizaram durante o pregão. De acordo com a coluna Radar, de Lauro Jardim, do jornal O Globo, o BTG Pactual está com mandato do grupo asiático-holandês Paper Excellence, que comprou a Eldorado Celulose por R$ 15 bilhões em setembro, para comprar a Fibria. Ao InfoMoney, a empresa informou que não comenta rumores de mercado.

Vale destacar que a Fibria dá o pontapé inicial na temporada de balanços do quarto trimestre nesta segunda-feira, divulgando os seus números após o fechamento do mercado. A Suzano (SUZB3, R$ 20,47, -0,58%) chegou a registrar fortes ganhos, mas fechou em queda, enquanto a Klabin (KLBN11, R$ 18,00, +1,01%) seguiu em alta e apareceu como um dos maiores ganhos da sessão. Vale destacar ainda que o dia é de ganhos para o dólar, com o contrato futuro com vencimento em fevereiro em leve alta de 0,11%, a R$ 3,158. 

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Cielo (CIEL3, R$ 25,99, -2,18%)
As ações da Cielo registraram queda nesta sessão, em meio à notícia do Valor Econômico de que o Banco Central (BC) recebeu no início do mês uma proposta das empresas do setor de cartões que estabelece a substituição da modalidade de pagamento “parcelado sem juros” em cartões de crédito por um “modelo crediário” que virá a ser oferecido ao consumidor. 

De acordo com o jornal, a proposta é de que os consumidores tenham que adquirir um crediário para poder parcelar compras no cartão a partir do limite concedido pelo banco.

Segundo analistas, a substituição de parcelamentos sem juros para um modelo em crediário basicamente eliminaria as receitas de pré-pagamento dos adquirentes, que representam cerca de 20% da geração do lucro por ação da Cielo.

"As implicações para os adquirentes menores poderiam ser ainda mais graves, pois tendem a ser mais dependentes desse produto do que os operadores históricos. Portanto, reafirmamos que não esperamos que os reguladores implementem mudanças tão importantes de forma imprudente, pois poderiam trazer consequências indesejáveis que contribuiriam, em última instância, negativamente para o uso de pagamentos eletrônicos em vez de moeda física", afirmam os analistas do Itaú BBA. Os analistas esperam uma implantação gradual para que todos os jogadores tenham tempo suficiente para se adaptar.

Cemig (CMIG4, R$ 7,51, +1,08%)
As ações da Cemig chegaram a saltar 4,5%, numa alta de quase 20% em apenas três pregões, mas amenizaram fortemente os ganhos no final do pregão. De acordo com operadores, a avaliação é de que o papel da estatal de energia mineira estava "muito atrasada" frente a outras estatais e, em meio à alta da bolsa pós condenação de Lula que impactou principalmente as estatais, as ações da companhia dispararam por ser um papel que não havia andado tanto. Além disso, uma nota do Bradesco BBI aponta pela expectativa para divulgação de nota técnica da distribuidora que poderia surpreender positivamente o mercado. 

Embraer (EMBR3, R$ 19,99, +1,31%) e Eletrobras (ELET3, R$ 20,22, -0,15%;ELET6, R$ 23,65, -0,76%)
Em entrevista ao Valor Econômico, o presidente Michel Temer afirmou que o  controle da Embraer continuará com o poder público federal e que a ideia básica é que não haverá perda de controle nem por via direta nem por via indireta. Segundo ele, a Embraer tem simbologia grande para o país, semelhante à Petrobras. 

Já sobre a Eletrobras, ele afirmou que há clima para aprovar a privatização da companhia elétrica. Contudo, as ações registraram queda nesta sessão, em "ressaca" após o forte ânimo na semana passada pós-condenação de Lula.  Ainda sobre Eletrobras, vale destacar a matéria do Estadão deste fim de semana, que aponta que a privatização da companhia  já começou a provocar disputa no governo em torno de seu "espólio". Com orçamento de R$ 100 milhões anuais, o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) pode ser assumido por uma estrutura governamental a ser criada, a Agência de Desenvolvimento Energético (ABDE). A agência também assumiria as funções do Conpet, programa de combate ao desperdício de recursos naturais não renováveis, tocado pela Petrobras.

A defesa da nova agência, que teria sede no Recife, foi feita pelo secretário de Planejamento do Ministério de Minas e Energia (MME), o pernambucano Eduardo Azevedo, em reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A agência seria uma autarquia, a exemplo da Apex, para promoção de exportações e investimentos, e da ABDI, que desenvolve ações sobre a política industrial. Essa iniciativa, porém, enfrenta resistências dentro do governo.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o Ministério do Planejamento é contra a proposta e avalia que os programas podem ser assumidos pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que tem entre suas atribuições a prestação de serviços na área de estudos sobre eficiência. No projeto de lei de privatização da Eletrobras, o governo retirou o Procel das atribuições da companhia e o colocou sob responsabilidade do Poder Executivo. Porém, não definiu qual órgão ficaria com o programa.

Vale (VALE3; R$ 41,89, +1,11%)
As ações da Vale abriram em alta, viraram para baixo em linha com o dia de correção do mercado, mas fecharam com ganhos, enquanto os metais registram alta em Londres, refletindo otimismo com crescimento global. Na China, a sessão é de queda dos contratos futuros de minério de ferro negociados na bolsa de Dalian, de 1,34%, a 514,5 iuanes. 

Petrobras (PETR3, R$ 21,71, 0% ;PETR4, R$ 19,85, -0,40%)
Após disparada de 10% na semana passada em meio ao ânimo do mercado após a condenação de Lula em segunda instância, os papéis da Petrobras registraram um movimento de correção nesta data, chegando a cair mais de 2%, mas fecharam praticamente no "zero". 

No radar da companhia, o Credit Suisse elevou o preço-alvo para o ADR (American Depositary Receipt) da Petrobras de US$ 12,40 para US$ 15,00, mantendo a recomendação outperform. Os analistas do banco avaliam que o preço atual do petróleo de US$ 70 o barril nao está precificado nas ações. Vale destacar que o petróleo registra queda nesta sessão, com o brent em baixa de 1,57%, a US$ 69,41, e o WTI em baixa de 0,88%, a US$ 65,56. 

No setor de distribuição, o Credit reforça preferência por Cosan (CSAN3, R$ 44,92, -0,69%), mesmo com o desempenho superior recentemente em relação à Ultrapar (UGPA3, R$ 80,04, -0,78%).  

Ainda sobre Petrobras, a companhia elevou o preço da gasolina em 0,1% e do diesel em 0,8%, com o reajuste válido a partir de terça-feira (30). Atenção ainda sobre evento realizado pela ANP nesta segunda no Rio de Janeiro. Segundo o diretor geral da Agência, Decio Oddone, o leilão de excedente da cessão onerosa pode ficar para depois das eleições, apontando que o Brasil tem restrição para anúncio de leilão de áreas nos 90 dias anteriores à eleição presidencial, mas pode fazê-lo depois. 

Eletropaulo (ELPL3, R$ 14,70, -1,34%)
Segundo a coluna do Broad, do Estadão, a  Eletropaulo pode ir para a rua com sua oferta subsequente de ações (follow on) já na próxima semana, com a intenção de aproveitar o otimismo dos investidores em relação ao Brasil. A oferta, primária e secundária, será pela instrução da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) 476, de esforços restritos, que não precisa de registro e permite uma emissão bastante célere. A ideia é concretizá-la antes do carnaval.

Procurada, a companhia reiterou que avalia a possibilidade de realização de uma oferta pública de distribuição de ações, “dentre outras alternativas disponíveis para o financiamento de suas atividades e compromissos no curso normal dos seus negócios”, conforme divulgado em fato relevante.

Recomendações
Três ações reagiram a recomendações do Credit Suisse. O banco suíço iniciou cobertura para a Movida (MOVI3, R$ 8,35, +8,58%) com recomendação outperform e preço-alvo de R$ 11, elevou Marcopolo (POMO4, R$ 4,19, +1,45%) para neutra e elevou o preço-alvo de R4 1,70 para R$ 4,60 e reduziu a recomendação de WEG (WEGE3, R$ 24,21, -3,20%) a underperform, com o preço-alvo sendo elevado de R$ 18 para R$ 22.

Sobre a Movida, os analistas do Credit apontam que, apesar dos primeiros trimestres depois do IPO a empresa ter decepcionado nos resultados, as perspectivas para 2018 são melhores e o principal catalisador para MOVI3 é uma maior confiança do mercado de que os principais problemas do último ano foram resolvidos. Na máxima do dia, as ações da Movida saltaram 8,45%. 

Sobre a WEG, os analistas apontam que a empresa tem uma qualidade excepcional, mas o nível de valuation parece esticado. Já sobre a Marcopolo, há uma preocupação com a competição e aparentemente nao há nenhum catalisador relevante de demanda, afirmam os analistas do banco suíço. 

Braskem (BRKM5, R$ 50,58, +0,m50%)
Segundo a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, para sair da Braskem, a Petrobras vai usar o modelo que está usando na BR Distribuidora — vender suas ações em bolsa. A operação está prevista para acontecer no final de abril, mas não necessariamente a venda acontecerá de uma vez só.

BR Distribuidora (BRDT3, R$ 20,10, +2,29%)
Falando sobre a BR Distribuidora subiu na bolsa após ter aprovado juros sobre capital próprio da ordem de R$ 658,5 milhões. O montante bruto corresponde a R$  0,56527346761767 por ação, a ser pago até 31 de julho com base na posição de 1 de fev, segundo fato relevante. As ações passam a ser negociadas ex-juros em 2 de fevereiro. 

(Com Agência Estado) 

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