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Cesp sobe 4% com privatização "mais perto"; 10 ações vão de alta à queda de 5% com recomendações

Confira os destaques da B3 na sessão desta quinta-feira (11)

CSN 04 - Fábrica Siderurgia
(Divulgação CSN)

SÃO PAULO - Após dois dias de queda, o Ibovespa registra ganhos, com as principais variações do índice guiadas por recomendações de ações, como é o caso de Kroton, que foi rebaixada pelo JPMorgan, enquanto as siderúrgicas avançam mais de 4% após recomendação do BTG Pactual. A Eletrobras zerou ganhos após justiça suspender Medida Provisória que autoriza a privatização da companhia. Enquanto isso, a Unipar Carbocloro sobe após o investidor Luiz Barsi aumentar sua participação acionária na empresa. Confira os destaques: 

Embraer (EMBR3, R$ 20,46, +0,84%)
Em resposta a questionamento da CVM sobre notícia divulgada no jornal "O Estado de S. Paulo", a Embraer informou que vem consultando assessores financeiros e legais, entre aqueles que usualmente já utiliza em suas operações, para a eventual combinação de negócios com a Boeing.

A notícia do Estadão informava sobre a contratação dos bancos de investimento Citi e Goldman Sachs para a operação, conforme publicado no jornal "O Estado de S. Paulo". No dia 21 de dezembro, a Embraer confirmou, em comunicado conjunto com a Boeing, a existência de tratativas para uma potencial combinação de negócios.  

Eletrobras (ELET3, R$ 17,03, +0,53%;ELET6, R$ 19,71, +0,77%)
A s ações da Eletrobras diminuíram os ganhos após a Justiça Federal de Pernambuco conceder uma liminar que suspende os efeitos da Medida Provisória 814, que trata da privatização da Eletrobras. A decisão elimina o efeito do artigo da MP que coloca a companhia e suas subsidiárias no Programa Nacional de Desestatização e permite o seu processo de privatização.

A liminar foi concedida pelo juiz federal da 6ª Vara Federal de Pernambuco, Cláudio Kitner, atendendo a ação impetrada pelo advogado Antônio Campos. Ele afirma que a medida adotada pelo Governo Federal atinge diretamente o patrimônio público nacional "permitindo a alienação de todas as empresas públicas do setor elétrico para a iniciativa privada".

Segundo o juiz, o presidente Michel Temer (PMDB) não apresentou justificativa para a urgência da edição de uma Medida Provisória no "apagar das luzes" de 2017 "para alterar de forma substancial a configuração do setor elétrico nacional, sem a imprescindível participação do Poder Legislativo na sua consecução", diz trecho da decisão. Na quarta-feira (10), o deputado federal Danilo Cabral (PSB-PE) entrou com uma ação popular para suspender os efeitos da Medida Provisória. Segundo ele, "a MP é ilegal e lesa o patrimônio público". "O governo federal não pode se desfazer da maior empresa de energia elétrica da América Latina sem debater com a sociedade", disse o parlamentar.

A MP retira da lei 10.848/2004, que trata da comercialização de energia, o artigo que excluía a Eletrobras e suas controladas - Furnas, Companhia Hidroelétrica do São Francisco, Eletronorte, Eletrosul e a Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE) - do Programa Nacional de Desestatização. Foi pelo menos a terceira MP editada pelo governo Michel Temer para possibilitar a venda da Eletrobras.

A proposta de privatização de fato da estatal será enviada por meio de projeto de lei. Em entrevista na quarta, o ministro de Minas e Energia Fernando Coelho Filho, que é deputado licenciado por Pernambuco, disse que a proposta deve ser enviada ao Congresso Nacional alguns dias antes do fim do recesso parlamentar, no início de fevereiro. Segundo ele, a proposta já está pronta e está nas mãos da Casa Civil, órgão do governo responsável pelas análises finais da proposta. Vale ressaltar que no início do pregão, as ações da Eletrobras chegaram a subir mais de 3% em meio às falas do ministro. 

Veja mais em: A estratégia do governo por trás da MP que abre as portas para a privatização da Eletrobras

 

Kroton (KROT3, R$ 17,66, -4,28%) e Estácio (ESTC3, R$ 33,31, +1,31%)
A Kroton vê suas ações registrarem forte queda após ter a sua recomendação reduzida de overweight (exposição acima da média do mercado) para 'neutra' pelo JPMorgan,  com preço-alvo sendo reduzido de R$ 21,50 para R$ 19. Os analistas do banco  Marcelo Santos e Andre Baggio citaram no relatório  oportunidades de crescimento limitadas e fraca dinâmica de base de estudantes. O JPMorgan também espera um ano estável versus crescimento anterior de meio dígito. 

"A Kroton enfrentará dificuldades para expandir os ganhos em relação aos pares, especialmente com improvável aprovação de reguladores antitruste de grande fusão e aquisição, aumentando a concorrência
no ensino à distância e a base em declínio de estudantes com empréstimos estudantis do FIES", aponta o banco, que está overweight em Ser Educacional (SEER3, R$ 31,67, -0,41%) e Estácio, mais expostas à recuperação do Brasil, sendo negociadas em valuations similares.

Já o Itaú BBA rolou o preço-alvo para as ações da Estácio para 2018, que passou de R$ 29,00 para R$ 43,00. A recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) foi mantida. Em relatório, os analistas do banco discutem a estratégia de expansão do ensino à distância e apontam as principais alavancas de eficiência da Estácio. "Acreditamos que, embora as possíveis dificuldades de curto prazo não sejam triviais, a empresa possui flexibilidade operacional para manter o crescimento da receita e continuar promovendo a racionalização de custos, desbloqueando o valor para os acionistas", afirmam. 

CESP (CESP6, R$ 14,41, +4,04%)
As ações da CESP registram mais um dia de ganhos, após o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, afirmar à agência Reuters que o governo federal prepara um decreto que deve ajudar o governo do Estado de São Paulo a viabilizar a privatização da companhia. 

Um leilão para a venda da fatia do governo paulista na companhia chegou a ser agendado para 26 de setembro passado, mas após uma falta de interessados a administração de São Paulo decidiu tentar negociar com a União condições mais favoráveis para a desestatização da elétrica. De acordo com Pedrosa, o decreto em preparação no governo federal deverá detalhar condições para uma “venda combinada” da elétrica paulista, que assim geraria arrecadação maior tanto para a União quanto para o governo de São Paulo, mas não deu mais detalhes sobre a medida. 

 

Siderúrgicas
Os analistas do BTG Pactual atualizaram as estimativas das empresas considerando o início de ano bastante promissor, apesar de todas as preocupações no final de 2017 de uma queda de preços iminente dada a queda da demanda na China, o cenário de curto prazo é animador. Assim, o dia é de ganhos para as siderúrgicas. Com isso, o dia é de disparada para os papéis das companhias brasileiras. 

"Os estoques de aço chineses estão na mínima em anos, a demanda é resiliente e os preços dos insumos (minério e carvão) continuam aumentando - uma combinação que deve continuar impulsionando os preços de aço no curto prazo. Do ponto de vista estrutural, também há espaço para mais otimismo em relação ao setor - como a China continuando cortando o excesso de capacidade de aço (as taxas operacionais devem superar 80% em 2019) e as exportações de aço de baixo preço estão significativamente reduzidas (queda de 50% dos picos)".

Estamos mais otimistas no setor do que jamais estivemos em anos - e aumentos de preços recentes aumentam a confiança. Os analistas elevaram a recomendação de CSN  (CSNA3, R$ 10,76, +4,98%) para neutro, com novo preço-alvo de R$ 11 e Usiminas (USIM5, R$ 10,68, +4,20%)  para compra, com novo preço-alvo de R$ 14. "Estamos reiterando compra em Gerdau (GGBR4, R$ 14,47, +4,55%), com novo preço-alvo de R$ 18", apontaram ainda os analistas do banco. 

Veja mais em: "Estamos mais otimistas no setor do que jamais estivemos em anos", diz BTG sobre siderúrgicas

Vale (VALE3, R$ 42,78, +0,73%)
As ações da Vale também sobem após registrarem dois dias seguidos. Enquanto o minério de ferro negociado na bolsa de Dalian teve leve baixa, de 0,36%, a 556 iunes, o noticiário vindo da China anima o mercado. O primeiro-ministro do país, Li Keqiang, reforçou que a economia chinesa cresceu em torno de 6,9% no ano passado, uma aceleração frente ao crescimento de 6,7% de 2016: “de modo geral, as coisas estão melhores do que se esperava”, avaliou o premiê. 

Papel e celulose
Os analistas do Credit Suisse reforçaram recomendação neutra e o call mais cauteloso para o setor de papel e celulose no curto prazo, uma vez que esperam que os preços de celulose comecem a cair em fevereiro, podendo perder US$ 100 a tonelada até meio de 2018 antes de recuperar no final do ano – estimando um milhão de toneladas de excesso de capacidade. Com essa visão mais cautelosa, o dia é de perdas para Fibria (FIBR3, R$ 49,46, -0,86%) e Suzano (SUZB3, R$ 19,35, -0,31%) e Klabin (KLBN11, R$ 17,35, -1,42%), mas com queda menos expressiva com relação ao início do pregão, quando chegaram a cair mais de 2%. 

Os analistas revisaram o preco de FOEX HW na China de 2018 e 2019 para US$ 641 a tonelada e US$ 642 a tonelada (versus projeção anterior de US$ 646 a tonelada e US$ 648 a tonelada , respectivamente). "Mas, como agora esperamos um real um pouco mais depreciado, os target prices quase não foram alterados (Fibria a R$ 50 a ação, Suzano R$20 por ação e Klabin R$ 20,50 por ação)." No cenário base de queda de celulose e câmbio estável, os analistas apontam que a Klabin parece ser va mais resiliente e ainda poderia se beneficiar de uma recuperação da economia brasileira. Para a Fibria, Klabin e Suzano, a recomendação é neutra.

Gol (GOLL4, R$ 14,46, -3,60%) e Azul (AZUL4, R$ 26,50, +0,19%)
A ação da Gol cai após o ADR (American Depositary Receipt) da companhia ter a recomendação reduzida para neutra pelo Bank of America Merrill Lynch. Os analistas do banco esperam um ano sólido para a companhia, mas reduziram a recomendação dado o potencial de alta limitado para o preço-alvo de US$ 11 por ADR. 

Já a Azul tem leve alta. O mesmo banco iniciou cobertura para os papéis com recomendação de compra e a colocando como a top pick para 2018 e ressaltando o potencial de valorização de 40% ante o preço-alvo de R$ 37, também destacando que o papel deve se beneficiar da recuperação econômica. 

Petrobras (PETR3, R$ 18,09, +1,74%;PETR4, R$ 17,06, +1,55%)
As ações da Petrobras aceleram os ganhos e sobem mais de 1% após a queda da véspera, guiadas também pelo dia de forte ganhos para o petróleo, com o brent chegando a superar os US$ 70 o barril pela primeira vez desde dezembro de 2014, enquanto o WTI avança 1,57%, a US$ 64,57. A demanda global robusta, a perspectiva de cortes na produção pela Opep e a série de tensões geopolíticas têm guiado a alta dos preços da commodity desde junho. 

Já no radar da estatal, a companhia anunciou a elevação do preço da gasolina em 1,4% e do diesel em 0,7%, que serão válidos nas refinarias a partir do dia 12 de janeiro. 

A nova política de revisão de preços foi divulgada pela petroleira no dia 30 de junho. Com o novo modelo, a Petrobras espera acompanhar as condições do mercado e enfrentar a concorrência de importadores.  Em vez de esperar um mês para ajustar seus preços, a Petrobras agora avalia todas as condições do mercado para se adaptar, o que pode acontecer diariamente. Além da concorrência, na decisão de revisão de preços, pesam as informações sobre o câmbio e as cotações internacionais.

Unipar (UNIP6, R$ 19,97, +5,16%)
As ações preferenciais classe B da Unipar Carbocloro sobem forte após o megainvestidor Luiz Barsi ter elevado a sua fatia nas ações UNIP5 representando participação de 12,22% sobre esse tipo de classe de papéis, conforme comunicado ao mercado.

Veja mais: Megainvestidor Luiz Barsi aumenta participação em small cap que disparou 255% em 2017

Em artigo, a Suno Reserch, destacou o comunicado e reforçou visão positiva para a companhia, apontando os resultados trimestrais. No terceiro trimestre do ano, a receita operacional líquida consolidada da Unipar foi de R$ 799,5 milhões, 8% superior ao segundo trimestre de 2017, explicada principalmente pelo aumento no volume de vendas (14% de PVC e 3% de químicos), do aumento no preço de PVC e soda no mercado internacional e desvalorização das moedas locais frente ao dólar.  "Entendemos que a companhia tem tudo para continuar nesse ritmo de ascensão operacional, o que pode ser traduzido em maior geração de valor e distribuição de dividendos para seus acionistas que, diga-se de passagem, têm sido bastante satisfatórios, principalmente no ano passado", apontou a casa de research. 

 

Tenda (TEND3, R$ 20,20, +2,02%)
A Tenda anunciou novo diretor financeiro, Renan Barbosa Sanches, que ingressou na companhia em 2010 e atuou em diversas áreas até assumir a Gerência de Planejamento Financeiro, em 2013. De acordo com o Itaú BBA, o anúncio é neutro para a companhia, já que era um anúncio amplamente esperado. 

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Rumo (RAIL3, R$ 12,39, +0,57%)
A Rumo confirmou a autorização para emissão de US$ 500 milhões em títulos pela Rumo Luxembourg no mercado internacional. 

(Com Bloomberg e Agência Estado)

 

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