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Acordo entre Embraer e Boeing enfrenta resistências, leilão de ações do Itaú e mais 7 notícias

Confira os destaques do radar corporativo nesta sexta-feira (22)

Embraer EMB-110 Bandeirante
(Sargento Johnson / Força Aérea Brasileira)

SÃO PAULO - Apesar das expectativas de volume financeiro reduzido na B3 no último pregão antes do Natal, o noticiário corporativo é movimentado e demanda atenção dos investidores. Para além do turbilhão de indicadores econômicos importantes a serem divulgados no exterior, o mercado nacional deve monitorar os desdobramentos do acordo envolvendo a Embraer e a Boeing, um leilão envolvendo as ações do Itaú Unibanco, mudanças nos ratings de Gol e Suzano e mais 6 notícias.

Embraer (EMBR3)
A fabricante de aviões anunciou, em conjunto com a americana Boeing, que as companhias estudam uma "potencial combinação", mas sem deixar claro que tipo de negócio seria. De acordo com nota divulgada por elas, as bases de um potencial acordo ainda estão em discussão, e "qualquer transação estaria sujeita à aprovação do governo brasileiro". O anúncio fez as ações da empresa brasileira dispararem 22,5%, em um crescimento de valor de R$ 3 bilhões em comparação com o pregão anterior.

Em contraste com a euforia do mercado, a movimentação deve enfrentar resistência dentro do governo, principalmente nas áreas militares. O comando da Aeronáutica, por exemplo, afirmou considerar a Embraer "uma empresa estratégica e fundamental para a soberania nacional". Numa conversa com o ministro da Defesa, Raul Jungmann, e o comandante da Aeronáutica, Nivaldo Rossato, nesta quinta-feira, durante a reunião de cúpula do Mercosul, o presidente Michel Temer teria dito que a Embraer é "inegociável". O que preocupa principalmente o meio militar é que a Embraer, junto com a produção de jatos comerciais leves, tem um braço de indústria aeronáutica de defesa com grande conteúdo tecnológico. Há um receio de que, estando sob o comando da Boeing, essas linhas de produção possam ser interrompidas por influência do Congresso norte-americano, que tem total controle sobre a indústria de defesa local.

Na área econômica, porém, a venda do controle da Embraer não enfrentaria tanta resistência. Uma fonte ouvida pelo Estadão/Broadcast avaliou que seria uma operação complicada, porque a Embraer tem muita participação no Brasil em desenvolvimento de tecnologia e na produção de equipamentos militares. Mas disse, porém, que perder o controle da companhia não seria um problema para o governo. Um acordo entre as duas companhias teria de passar pelo aval do governo brasileiro por conta de uma ação especial (chamada de golden share) que a União detém desde que a Embraer foi privatizada, em 1994.

Petrobras (PETR3; PETR4)
O presidente da companhia, Pedro Parente, disse que tem havido conversas informais sobre cessão onerosa. "Petrobras já indicou sua comissão de negociação, temos notícia que o governo está a qualquer momento anunciando a sua comissão", afirmou em coletiva a jornalistas. Quando questionado sobre as estimativas do mercado de que a Petrobras receberia U$ 8 bi do governo federal, Parente disse que o número da empresa é diferente e se recusou a comentar mais.

A estatal também comunicou, em fato relevante, o encerramento da Oferta Pública de distribuição secundária de 334.937.500 ações ordinárias de emissão da BR Distribuidora. A quantidade total das ações já considera 43.687.500 papéis do lote suplementar, alienadas da própria Petrobras. O preço por ação foi de R$ 15,00 e os papéis foram liquidados na última quinta-feira (21).

Itaú Unibanco (ITUB3ITUB4)
A Fundação Antônio e Helena Zerrenner – Instituição Nacional de Beneficência deseja alienar, por meio de leilão, até 9 milhões de ações ordinárias do banco pelo valor inicial de R$ 37 por papel, informou o Itaú em comunicado ao mercado. No mesmo documento, a instituição financeira disse ter interesse em participar do leilão para recomprar ações. O leilão ocorre nesta sexta-feira e pode contar com a participação de outros interessados.

Vale (VALE3; VALE5)
A mineradora pretende disponibilizar à Samarco (joint venture com a BHP Billiton) linhas de crédito de curto prazo de até US$ 48 milhões para apoiar suas operações no primeiro semestre de 2018 e cobrir despesas. Segundo a companhia, os fundos serão liberados à medida que forem necessários.

Oi (OIBR4)
Empresa de private equity TPG e China Telecom estão preparando proposta para adquirir o controle da brasileira, após os credores aprovarem o plano de reestruturação na quarta-feira, segundo pessoas com conhecimento do assunto ouvidas pela Bloomberg. O plano aprovado pelos credores da Oi foi considerado positivo por essas duas empresas. As expectativas são de que uma delas apresente proposta no início do próximo ano. Nenhuma das envolvidas comentou as informações.

Ainda no noticiário da companhia de telecomunicações, a Pharol, maior acionista, disse em comunicado que até esta quinta-feira o plano de recuperação da empresa ainda não se tornou público ou foi disponibilizado aos seus acionistas. A Pharol diz que as poucas informações disponíveis apontam para a manutenção de aspectos negativos quanto à falta de equidade e de adoção de uma governança "insólita".

Sabesp (SBSP3)
O conselho da empresa aprovou a 22ª emissão de debêntures em até três séries para investidores qualificados. O montante total da operação é de R$ 750 milhões. A quantidade de papéis a ser alocada em cada série, a remuneração e o valor total da oferta serão definidos em procedimento de bookbuilding no sistema de vasos comunicantes.

Sanepar (SAPR4)
A Sanepar aprovou programa de investimentos para o período de 2018 até 2002 avaliado em R$ 5,69 bilhões, enquanto a Caixa Seguridade informou que o acordo com francesa CNP Assurances para distribuição de seguros até 2041 ainda estão em andamento, o que também deve mexer com as ações da Wiz.

Eletropaulo (ELPL3)
O conselho da Eletropaulo aprovou emissão de debêntures no montante de R$ 300 milhões, com prazo de vencimento de um ano. Os recursos serão destinados a novos investimentos e ao reforço do capital de giro da companhia. A remuneração será de 100% do CDI mais sobretaxa de 2,3%. O pagamento será efetuado em seis parcelas mensais, com o primeiro pagamento no 7º mês e o último, no vencimento.

Tecnosolo (TCNO3; TCNO4)
A companhia, em recuperação judicial, informou ao mercado que foi dado ganho de causa no montante de R$ 85.806.980,72 junto ao juízo da 5ª Vara da Fazenda Pública de Salvador em relação à discussão do valor do débito entre a companhia e a SUCOP. Com isso, a empresa comunica que poderá dar cumprimento ao plano de recuperação judicial aprovado.

Linx (LINX3)
A empresa anunciou a compra de 100% da Percycle por R$ 13 milhões.

Rating
A Suzano (SUZB5) teve seu rating elevado de BB+ para BBB-, entrando no patamar de grau de investimento pela Fitch, com perspectiva estável. Segundo a agência de classificação de risco, o fluxo de caixa operacional mais forte e investimentos menores contribuíram com esforços da companhia para a redução de sua dívida. Para a Fitch, a alavancagem da Suzano pode voltar a subir, mas não deve ultrapassar a marca de 3,5 vezes o Ebitda. Já a Gol (GOLL4) foi elevada de CAA3 para B2 pela Moody's, com perspectiva estável.

(com Agência Estado)

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