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Ibovespa apaga ganhos no fim e dólar vai a R$ 3,30 com pressão de debate sobre Previdência

Índice chegou a subir quase 1%, mas perdeu força durante a tarde diante das diferentes novidades sobe a votação da Previdência

Rodrigo Maia
(Lula Marques/AGPT)

SÃO PAULO - O Ibovespa voltou a ter um desempenho fraco nesta segunda-feira (11) após chegar a subir 0,86% na máxima do dia. O mercado segue atento às negociações do governo para aprovar a reforma da Previdência, que deve ter início de discussões na próxima quinta. Mais cedo, o índice chegou a zerar os ganhos após o departamento de polícia de Nova York confirmar uma explosão próxima da Times Square, mas o evento acabou não tendo grande peso no mercado em geral.

O benchmark da bolsa brasileira fechou com leve alta de 0,09%, aos 72.800 pontos, com o mercado ainda tenso de olho no conturbado cenário para a votação da Previdência. O volume financeiro da bolsa ficou em R$ 6,883 bilhões. O dólar comercial, por sua vez, encerrou o pregão cotado a R$ 3,2974 na venda, alta de 0,08%, após chegar a superar os R$ 3,30 durante a sessão.

"Mercado ainda reflete preocupações em relação à Previdência e fica na expectativa de quando será votação; de um lado, Maia vem falando da dificuldade dos votos e, do outro, Dyogo diz que vai tentar votar este ano", disse Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos, para a Bloomberg.

Tentativa de ataque
A explosão ocorrida próxima da Times Square, em Manhattan, foi considerada pelo prefeito da cidade, Bill de Blasio, como uma tentativa de ataque terrorista. O incidente foi registrado no cruzamento da Rua 42 com a 8ª Avenida, onde está o Port Authority, considerado um dos maiores terminais rodoviários do mundo.

Por conta disso, as linhas A, C e E do metrô foram esvaziadas e a circulação suspensa. Segundo as informações, foram registrados 4 feridos até o momento, incluindo o suspeito, que está sob custódia e em situação grave. De acordo com as autoridades, a bomba utilizada era de fabricação caseira e teria sido detonada antes da hora programada, o que explica os ferimentos graves do terrorista.

Segundo informações da imprensa dos EUA, o terrorista, que carregava seus explosivos amarrados ao corpo, tem 27 anos e nasceu em Bangladesh. O governador de Nova York, Andrew Cuomo, chamou a tentativa de ataque de "assustadora e perturbadora".

Reforma da Previdência
Oficializado como presidente do PSDB pelo placar de 470 votos a 3, Alckmin vai convocar uma reunião na próxima semana para definir o posicionamento do partido na votação da reforma da Previdência e se diz favorável ao fechamento de questão: “minha posição pessoal é pelo fechamento de questão, mas essa não é uma decisão só da executiva do partido. É também da bancada. Acho que o caminho agora é o caminho do convencimento”, afirmou o governador de São Paulo. Para o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Wellington Moreira Franco, o apoio de Alckmin marca o reencontro do partido com sua história e tradição.

Segundo as contas do líder do PSDB na Câmara, Ricardo Trípoli, atualmente 25 dos 46 deputados tucanos estão "fechados" com a reforma da Previdência, sendo que a maior resistência é da ala mais jovem do PSDB, conhecidos como "cabeças pretas". Por isso, o fechamento de questão seria uma sinalização importante, pois, além dos votos adicionais, teria um efeito positivo sobre os demais partidos, que não querem assumir esse risco político sem a certeza da vitória.

Mesmo que o partido de Alckmin consiga fechar questão em torno da matéria, será preciso observar se tal movimento será suficiente para gerar o clima necessário para a aprovação da proposta de emenda constitucional. A impopularidade das medidas e a proximidade das eleições gerais de 2018 são uma combinação dramática para o governo, pois nem mesmo o fechamento de questão evitará uma debandada dos votos da base aliada.

Na prática, a janela de transferência partidária, aberta até abril do ano que vem, joga contra qualquer efeito mais duro provocado pelo fechamento de questão. Como se não bastasse, não é incomum na vida política brasileira que a infidelidade em casos de fechamento de questão seja sumariamente ignorada e os parlamentares que votaram contra a medida continuem nas legendas como se nada tivesse acontecido - confira a análise completa.

Além disso, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou hoje pela manhã que não será fácil aprovar a reforma da Previdência na semana que vem: "com tempo curto, temos de trabalhar dobrado", afirmou. Apesar disso, no sábado (9), Maia afirmou que a reforma vai começar a ser debatida no plenário na quinta-feira (14), assim como está mantida a previsão de começar a votar a matéria na próxima segunda-feira (18).

Destaques de ações
Entre os papéis de maior alta, a Usiminas subiu mais de 3% e liderou os ganhos do índice com um possível reajuste de preços no aço. A CSN e a Gerdau também ficaram entre as maiores valorizações do pregão. Na ponta negativa, a CPFL e a Estácio foram os destaques, com perdas superiores a 4%.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 USIM5 USIMINAS PNA 8,94 +3,23 +118,05 126,10M
 BRKM5 BRASKEM PNA ED 44,10 +2,20 +32,44 49,88M
 EMBR3 EMBRAER ON 16,70 +1,71 +5,78 32,73M
 CSNA3 SID NACIONALON 7,49 +1,63 -30,97 59,17M
 CSAN3 COSAN ON 35,31 +1,61 -5,06 58,14M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ESTC3 ESTACIO PARTON 29,90 -4,93 +92,53 78,40M
 CPFE3 CPFL ENERGIAON 17,98 -3,80 -28,06 28,83M
 KROT3 KROTON ON 16,52 -2,77 +27,28 123,20M
 ELET6 ELETROBRAS PNB 21,00 -2,19 -13,85 20,95M
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 17,11 -2,12 -0,28 22,20M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE3 VALE ON 35,76 +0,79 528,09M 683,76M 25.794 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 32,96 0,00 340,71M 309,09M 16.976 
 PETR4 PETROBRAS PN 15,38 +0,20 328,39M 614,74M 19.949 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 42,36 +0,26 275,22M 400,35M 19.730 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 21,15 +0,62 266,57M 270,07M 18.570 
 BBAS3 BRASIL ON 30,84 -0,36 204,00M 307,03M 14.414 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 22,04 +1,43 200,58M 220,95M 29.269 
 BRFS3 BRF SA ON 36,82 +0,30 165,22M 140,60M 11.116 
 GGBR4 GERDAU PN 11,84 +1,20 142,62M 105,45M 14.054 
 USIM5 USIMINAS PNA 8,94 +3,23 126,10M 173,83M 11.577 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Agenda de indicadores
Na agenda doméstica da semana,  destaque para a ata do Copom, na terça-feira (12) às 8h (horário de Brasília), após o Comitê ter reduzido a Selic para a mínima histórica, em 7% ao ano, e ainda deixar espaço para cortar ainda mais os juros em 2018. A questão é que, segundo o comunicado, o Banco Central deixou este movimento atrelado ao resultado da Previdência.

A semana também conta com os últimos indicadores de peso sobre a atividade econômica de outubro, com vendas no varejo, dado de serviços e o IBC-Br, considerado uma prévia do PIB e que ainda não tem data confirmada para se apresentado, lembrando que o mercado tem elevado gradativamente as projeções de crescimento da economia. No mercado, o apetite pelas ações brasileira volta a ter um importante teste nos próximos dias com a precificação de três IPOs (Oferta Pública Inicial): BR Distribuidora, Neoenergia e BK ( dona do Burger King no Brasil).

No exterior, atenção especial para os Estados Unidos, onde ocorre a reunião do Fomc na quarta, com grande expectativa de alta de juros no país, deixando o comunicado como foco de atenção dos investidores, além do discurso da presidente Janet Yellen. Outro destaque é o pacote tributário de Donald Trump, que tem guiado o humor dos investidores nos últimos dias. Entre indicadores, após relatório de emprego desta sexta-feira, os destaques da próxima semana ficam para os dados de inflação do PPI e CPI.

A China também continua nos holofotes com dados de produção industrial e vendas no varejo na quinta-feira (14), além de inflação na sexta-feira (15). Na Zona do Euro, destaque para a reunião de política monetária do BCE na quarta-feira (13), seguido pela fala de Mario Draghi, enquanto no Japão ocorre no mesmo dia a reunião do Bank of Japan, com o discurso do presidente do BC, Haruhiko Kuroda.

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