Em mercados / acoes-e-indices

JBS lidera os ganhos do Ibovespa, Vale salta 4% e construtora dispara 8% com dividendos de R$ 2,67 por ação

Confira os principais destaques da bolsa desta segunda-feira

Vale
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa voltou a ganhar força na tarde desta segunda-feira (4), de olho nos na aprovação da reforma tributária de Donald Trump no Senado dos Estados Unidos, no tom mais positivo da fala de Rodrigo Maia sobre a reforma da Previdência e na disparada do minério de ferro, que puxou forte alta das ações da Vale e siderúrgicas hoje. Com isso, o índice encerrou esta sessão em alta de 1,14%, a 73.090 pontos, depois de ter subido 2,05%, a 73.749 pontos, na máxima do dia. 

Apesar da euforia dos investidores, o analista técnico Fernando Góes, da Clear Corretora, disse hoje, no programa "In The Money", da InfoMoneyTV, que o mercado está em zona perigosa: enquanto o semanal segue bonito, o gráfico diário indica correção até os 68.000 pontos. Para ele, a Vale é a única compra clara nesse momento (veja aqui a análise completa).

Com o dia de alta da Bolsa, apenas 10 das 59 ações que compõem o índice encerraram em queda, com destaque para a CPFL Energia (CPFE3, R$ 19,00, -5,09%), que deu continuidade à derrocada provocada pela OPA (Oferta Pública de Aquisição). Em seis pregões, os papéis da elétrica acumulam queda de 31% (veja mais aqui). Do outro lado, as maiores altas ficaram com JBS, Metalúrgica Gerdau e Natura, que subiram mais de 4% nesta sessão. 

Confira os principais destaques de ações desta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 16,09, -0,12%;PETR4, R$ 15,48, -0,83%)
As ações da Petrobras fecharam em queda, mas em movimento bem mais ameno do que o visto nos preços do petróleo nesta sessão. Em Londres, os contratos futuros do petróleo Brent recuavam 1,29%, a US$ 62,91 o barril, enquanto os contratos do petróleo WTI, cotados em Nova York, fecharam em queda de 1,5%, a US$ 57,47 o barril. O movimento ocorreu após dados apontarem aumento de sondas de perfuração nos Estados Unidos e se contraporem à sinalização de que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e o grupo de grandes produtores liderados pela Rússia deverão cumprir o acordo de limitar a produção da commodity até o fim de 2018. 

No radar, o Grupo Executivo de Mercado e Preço (GEMP) da Petrobras decidiu revisar o cálculo da paridade internacional praticada no diesel com o objetivo de adequar os preços às mudanças de fluxo logístico e entrada de produtos importados no país, disse a Petrobras em comunicado na sexta-feira.

Ainda no noticiário, a companhia revisou cálculo de paridade para se adequar a importados, com o objetivo de adequar os preços às mudanças de fluxo logístico e entrada de produtos importados no país, disse a Petrobras em comunicado na sexta-feira.

O aumento das importações no país tem reduzido a participação de mercado da Petrobras, que atinge hoje cerca de 72% no diesel e 88% na gasolina, disse a empresa. A expectativa é que a nova precificação do diesel não tenha impacto na receita da companhia em virtude da perspectiva de ganhos de mercado. A decisão mantém inalterada a política de preços em vigor, reafirmando o compromisso da companhia de operar sempre com margem positiva acima da paridade internacional, além de refletir os movimentos de preços observados nos mercados internacionais de derivados, disse a empresa. Com essa revisão, Petrobras decidiu reduzir o preço médio do diesel em 5,7% na sexta, com novos preços válidos para o sábado. Já o preço da gasolina foi elevado em 1,9%, aumento explicado, principalmente, pela variação da cotação do produto no mercado internacional, segundo a Petrobras. 

Por fim, o Globo informa que a Petrobras encerra o ano com a maior contratação de serviços desde 2014, quando foi abalada pelo esquema de corrupção revelado pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal. Desde então, a companhia paralisou todas as grandes contratações, como o Comperj. A companhia está fazendo uma profunda reforma em 39 plataformas de petróleo na Bacia de Campos, visando a aumentar a produção, número que representa cerca de 75% das 53 unidades existentes no local. Dividida em três licitações, a expectativa é que a nova leva de encomendas receba investimentos de R$ 3 bilhões e gere pelo menos três mil empregos diretos, de acordo com projeções da Abespetro, associação que reúne empresas prestadoras de serviços para a indústria petrolífera.

Vale (VALE3, R$ 36,83, +3,80%)
As ações da Vale registraram forte alta seguindo a disparada dos preços do minério de ferro. Os contratos futuros da commodity negociados na bolsa chinesa de Dalian saltaram 4,78%, a 548 iuanes. 

Acompanharam o movimento os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 26,55, +3,71%) - holding que etém participação na Vale - e as siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4, R$ 11,29, +2,17%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,32, +4,93%), CSN (CSNA3, R$ 7,52, +1,21%) e Usiminas (USIM5, R$ 8,98, +1,13%). 

Recomendações
O BTG Pactual iniciou a cobertura para as ações da small cap Vulcabrás (VULC3, R$ 8,77, -0,34%) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 14,00, o que leva a um potencial de valorização de 60%. Os analistas destacam a bem sucedida virada da companhia, que está no caminho de obter melhores margens. 

O mesmo banco elevou a recomendação para a Aliansce (ALSC3, R$ 17,36, +2,72%) de neutra para compra, apontando para recuperação em meio a uma melhor perspectiva macroeconômica, além de um valuation atrativo. O novo preço-alvo para os papéis é de R$ 20,00. 

Por fim, o Goldman Sachs elevou sua recomendação para a M. Dias Branco (MDIA3, R$ 49,00, +4,26%) para compra, com o preço-alvo sendo elevado de R$ 45,90 para R$ 55,00. 

Banrisul (BRSR6, R$ 14,27, +7,70%)
Após conversas com vários clientes e investidores durante o fim de semana, o BTG Pactual escreveu, em relatório divulgado hoje, que acredita que a oferta de ações do Banrisul não deve ocorrer este ano e que esse adiamento pode significar em uma alta de 10% dos papéis no curto prazo, tendo em vista a forte queda recente (-23% desde que a oferta foi anunciada, no dia 4 de outubro; e -11% somente semana passada). 

Os analistas comentam que, negociando a 0,81 vez a 0.81x o P/BV (Price to Book Value), a ação está inegavelmente barata. Com isso, um adiamento da oferta poderia levar a um alívio no curto prazo, contribuindo para uma alta do papel. Por outro lado, eles apontam que esse movimento será limitado, uma vez que, se ele for demais e aproximando-se do livro de 1,0 vez, patamar em que as ações PN do Banrisul estavam sendo negociadas quando a operação foi anunciada, o governo pode tentar buscar o mercado novamente e poderia fazê-lo sem muito alarde (o decreto presidencial já ocorreu).  

Os investidores mais otimistas, no entanto, podem argumentar que um adiamento da oferta aumenta novamente, mesmo que de forma marginal, as chances de uma privatização no futuro. No final do dia, o estado Rio Grande do Sul está em uma situação fiscal desesperada, o que significa que a venda total (ou seja, a privatização) do banco pode ser a única saída, comentam. 

"Embora acreditemos que a vantagem seria muito grande em caso de privatização, é muito difícil prever o que ocorrerá em breve, especialmente se considerarmos as eleições estaduais na próxima semana. Mas esperamos que a ação reaja bem na esteira do adiamento da oferta. Nós tendemos a acreditar que as ações do Banrisul poderiam se estabilizar perto de 0,9x no último P/BV, no ponto médio antes de negociação antes do acordo ter sido anunciado e os últimos preços de fechamento", comentam. Eles mantêm recomendação neutra para o papel. 

Oi (OIBR4, R$ 3,89, -0,51%)
A novela da Oi continua. O Société Mondiale Fundo de Investimento em Ações, segundo maior acionista da Oi, protocolou na sexta-feira um pedido para que o Aurelius Capital Management seja impedido de negociar um plano de recuperação de falência com a operadora de telefonia.

A reclamação apresentada na Anatel alega que Aurelius é um acionista controlador da NII Holdings Inc., que no Brasil controla a Nextel, um concorrente da Oi, de acordo com uma cópia do documento enviado à Bloomberg pelo Société Mondiale
A lei brasileira não permite que um investidor controle operadoras de telecomunicações concorrentes, e Aurelius, como credor de Oi, pode eventualmente se tornar um acionista controlador na reestruturação da dívida de US$ 19 bi da empresa, diz o documento. O Aurelius disse que não iria comentar.

Ainda sobre a empresa, a juíza Monica Maria Costa decidiu que os administradores que lidam com a falência das unidades Oi na Holanda não podem votar na assembléia de credores da operadora telefônica agendada para 19 de dezembro. Os fundos administrados pela Aurelius Capital Management estão entre os credores das unidades holandesas da Oi.

Ambev (ABEV3, R$ 20,58, +0,64%)
A AmBev informou na sexta-feira que a E. León Jimenes (ELJ), sua sócia na Tenedora –holding dona da Cervecería Nacional Dominicana-, exerceu parcialmente uma opção de venda de aproximadamente 30 por cento do capital da Tenedora. Com isso, a AmBev pagará à ELJ US$ 926,5 milhões, passando a ser titular de aproximadamente 85% da Tenedora, deixando a ELJ com os 15%remanescentes. A AmBev informou ainda que seu conselho de administração aprovou alterar, de 2019 para 2022, o prazo para que a opção de compra outorgada pela ELJ à companhia se torne exercível.

JBS (JBSS3, R$ 8,78, +8,00%)
As ações da JBS lideraram os ganhos do Ibovespa, chegando a alta de 8,24%, a R$ 8,80, na máxima do dia. O movimento é guiado por um forte volume financeiro, que atinge neste momento R$ 84,9 milhões, contra média diária de R$ 87,9 milhões nos últimos 21 pregões. 

No radar, o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Paulo Rabello de Castro, disse que está aguardando AGE (Assembleia Geral Extraordinária) sobre a JBS para discutir a companhia. Vale menção que ainda não há data para a reunião de acionistas. 

Cyrela (CYRE3, R$ 12,35, +1,06%)
A agência de classificação de risco Fitch afirmou os IDRs de longo prazo em moedas estrangeira e local da companhia em 'BB-'. Ao mesmo tempo, a agência afirmou o rating nacional de longo prazo da construtora em 'A+'. A perspectiva dos ratings é estável. "Os ratings da Cyrela se apoiam em sua forte posição de negócios e em sua conservadora estratégia financeira, suportada por uma estrutura de capital conservadora, um histórico de robusta liquidez e um perfil de dívida adequado aos riscos da indústria", escreveram os analistas da agência.

PetroRio (PRIO3, R$ 68,29, +1,25%)
A produção da companhia em novembro foi de 7.742 barris por dia no campo de Polvo. O resultado veio levmente abaixo do registrado em outubro (7.465 bpd). No ano, a companhia registra produção média de 7.900 bpd.

EzTec (EZTC3, R$ 23,20, +8,51%)
As ações da EzTec dispararam nesta segunda-feira (4), após a construtora anunciar o pagamento de dividendos de R$ 2,67 por papel, dando um dividend yield (dividendos por ação) de 12,48%, considerando o preço de fechamento da última sexta-feira.

O pagamento dos dividendos, que totalizam um montante de R$ 440,5 milhões, será realizado no dia 15 de dezembro. Farão jus aos proventos os acionistas detentores do papel no dia 6 deste mês, com a ação passando a ser negociada "ex-dividendos" no pregão seguinte (7/12).

Segundo o analista Raul Grego, da Eleven Financial, o mercado esperava, em partes, por uma distribuição adicional de dividendos, com a venda efetivada da torre B do EzTower no valor de R$ 650 milhões, o deu um fôlego de caixa muito bom para a empresa, mas não sabia exatamente qual montante viria.

"O valor apenas dessa distribuição gera um yield de 12,5%, o que é muito atrativo para uma empresa do setor de construção civil e nesse momento pós-crise. Temos recomendação de compra para o papel e acredito em um potencial crescimento em 2018, com mais lançamentos", comentou.

Restoque (LLIS3, R$ 31,33, -7,85%)
As ações da Restoque, dona das marcas Le Lis Blanc, Dudalina, Rosa Chá e John John, caíram forte pelo segundo pregão seguido, acumulando no período perdas de 22%, na esteira de uma oferta de ações. 

Na oferta, realizada na semana passada, a companhia emitiu 4,94 milhões de ações ordinárias, levantando R$ 148,1 milhões. A opção de lote suplementar não foi exercida. As ações foram precificadas a R$ 30,00, ficando abaixo da faixa indicativa de R$ 38,50 a R$ 42,50.

(Com Agência Estado)

Contato