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De ressaca? Ibovespa dispara mais 2.000 pontos em 2 dias e abre espaço para repique

Investidores também estão de olho nos avanços da reforma ministerial

SÃO PAULO - Guiado pelas commodities, o Ibovespa registrava alta de 0,51%, aos 72.880 pontos, às 11h49 (horário de Brasília) desta sexta-feira (17), acumulando valorização 2.050 pontos nos últimos dois pregões e confirmando a força de compra da média móvel de 21 semanas. Além disso, os investidores acompanham de perto o andamento da reforma ministerial.

Confirmando o fechamento em alta neste pregão, além de interromper a sequência de quatro semanas consecutivas de baixa, o índice encerrará a sexta-feira com um candle de reversão sobre a principal referência de suporte de curto prazo, o que gera uma expectativa de repique até a região de 75 mil pontos.

Temer costura a reforma
Uma das condições para aprovação do texto da Previdência, a reforma ministerial pode não ser suficiente para alavancar a aprovação das novas regras de aposentadoria no Congresso, segundo alerta dos líderes da base ao Palácio do Planalto, informa a coluna Painel, da Folha de S. Paulo. De acordo com a matéria, os  deputados avaliam que há risco da Câmara aprovar as novas regras de aposentadoria, assumindo o ônus das mudanças, e o Senado depois engavetar a proposta para não enfrentar o tema em ano eleitoral. O plano do governo é que se vote a reforma na Câmara até 15 de dezembro. 

Já O Globo informa que, na Previdência, só idade mínima tem amplo apoio. Líderes de oito partidos de sustentação ao governo, que somam 309 votos, disseram ao jornal que vão apresentar as linhas gerais da proposta mais enxuta às suas bancadas na próxima semana, mas antecipam que o texto defendido pela Fazenda — com ajustes mínimos no relatório aprovado pela comissão especial em maio — não passa agora no Congresso. Justamente de olho na aprovação da impopular reforma, o governo lançará uma campanha para defender a mudança da Previdência na televisão, onde ataca o que chama de "privilégios" dos servidores públicos e afirma que "tem muita gente no Brasil que trabalha pouco, ganha muito e se aposenta cedo".

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Em paralelo, em busca de apoio no Congresso para a reorganização da base aliada, a ala política do governo pressiona por um desbloqueio de R$ 10 bilhões de despesas do orçamento ainda este mês. Mesmo com a melhora da arrecadação de tributos, a equipe econômica considera elevado esse valor, mas já prepara uma liberação entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões nesta sexta-feira, para despesas da máquina pública e emendas parlamentares.

Agenda econômica
Nos EUA, atenção para os dados de construção de residências e concessões de alvarás de outubro, às 11h30, além da sondagem industrial de Kansas City às 14h. Já no final da noite, às 23h30, será divulgado o índice de preços de imóveis na China.

Sem dados relevantes no Brasil, as atenções ficam por conta da participação do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, na Reunião Plenária do Instituto para Desenvolvimento do Varejo durante a tarde, em São Paulo, enquanto o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, participa do FGV Finance Club sobre “Carreira e Perspectivas para Economia”, às 17h00.

Reforma tributária de Trump
Por 227 votos a 205, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou a reforma tributária na última quinta-feira, um passo importante para uma das mudanças legislativas mais esperadas do governo Trump. Os 13 republicanos e todos os democratas que votaram "não" foram insuficientes para derrubar a proposta, que agora segue para o Senado.

No entanto, destaca a LCA Consultores, como existe uma outra proposta sendo analisada no Senado, é provável que, com a aprovação de uma proposta em cada casa, estas teriam que elaborar uma proposta conjunta de reforma para passar a versão final nas duas casas. "As duas propostas diferem em alguns pontos, como os níveis de imposto de renda individual e o ano de início para redução dos impostos corporativos. De qualquer forma, esta é uma vitória significativa do governo Trump, mas que ainda deve gerar conflitos no Congresso", destaca a consultoria. Não se espera nenhuma ação decisiva do Senado até o feriado de Ação de Graças na semana que vem.  

Bolsas mundiais
O dia é de leve queda para os principais índices de ações europeus, após a alta forte da véspera com o avanço da reforma tributária nos EUA, enquanto as bolsas asiáticas fecharam sem direção única após o governo chinês alertar por uma bolha dos papéis da fabricante de bebidas alcoólicas Kweichow Moutai, cuja ação mais do que triplicou de valor desde o início de 2016, gerando receios dos investidores por sanções para futuras Ofertas Públicas de Ações.

No mercado de commodities, o petróleo se recupera depois de três sessões consecutivas de desvalorização, movimento positivo que também é visto pelas commodities metálicas, com o minério de ferro negociado em Dalian fechando em alta de 2%.

Às 11h49, este era o desempenho dos principais índices:

*Dow Jones Futuro (EUA) -0,20%

*S&P 500 Futuro (EUA) -0,08%

*Nasdaq Futuro (EUA) +0,03%

*CAC-40 (França) -0,25%

*FTSE (Reino Unido) -0,30%

*DAX (Alemanha) -0,14% 

*Hang Seng (Hong Kong) +0,62% (fechado)

*Xangai (China) -0,50% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,20% (fechado)

*Petróleo WTI +1,60%, a US$ 56,02 o barril

*Petróleo brent +1,22%, a US$ 62,11 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +1,98%, a 462,5 iuanes

*Minério de ferro spot (à vista) no porto de Qingdao, na China, +1,69%, a US$ 62,61 a tonelada

trader na Bolsa de Frankfurt
(Lisi Niesner/Reuters)

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