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Itaú supera expectativas com lucro de R$ 6,25 bi; 3 resultados, Petrobras e Oi agitam o radar

Confira as principais notícias corporativas da noite desta segunda-feira (30)

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(Wikimedia)

SÃO PAULO - Com destaque para o Itaú Unibanco, a temporada de resultados do terceiro trimestre volta a ganhar força na noite desta segunda-feira (30). Além dos balanços, Petrobras e Oi também agitam o radar. Confira os destaques:

Itaú Unibanco (ITUB4)
O Itaú Unibanco reportou lucro líquido recorrente de R$ 6,25 bilhões no terceiro trimestre deste ano, superando em 1,1% as expectativas compiladas pela Bloomberg, que apontavam lucro de R$ 6,18 bilhões. O resultado ficou 11,7% acima dos R$ 5,60 bilhões registrados um ano antes.

O lucro foi influenciado, conforme explica o banco, pela melhora no custo do crédito, reflexo de menores gastos com provisões para devedores duvidosos, e maiores ganhos com receitas de serviços e tarifas. Já do lado negativo, a instituição destaca menores margens com clientes, impactadas pela redução dos juros, limitação de uso do crédito rotativo e eventos não recorrentes como operações estruturadas de clientes do atacado e maiores ganhos com derivativos comerciais de nossa operação na América Latina.

O ROAE (Retorno Médio Sobre o Patrimônio) do Itaú no período entre julho e setembro ficou em 21,6%, acima dos 19,9% do mesmo período de 2016.  A margem operacional, por sua vez, teve alta de 3,1% em um ano, para R$ 22,67 bilhões. Os ativos totais da instituição fecharam em R$ 1,47 trilhão. 

As receitas de prestação de serviços cresceram 6,8%, para R$ 8,358 bilhões, enquanto as despesas com provisões para devedores duvidosos caíram para R$ 4,28 bilhões, com a taxa de inadimplência caindo de 3,9% em setembro do ano passado, para atuais 3,2%.

A carteira de crédito total fechou setembro em R$ 575,2 bilhões, uma queda de 4,9% sobre um ano antes, quando era de R$ 605,1 bilhões. Pessoas físicas tiveram queda de 1,4%, com o pior desempenho ficando para o crédito de veículos, que recuou 12,7%. A carteira de crédito pessoal caiu 6,9% e consignado recuou 2,3%. Já o crédito imobiliário e o de cartão de crédito foram os únicos que subiram: 2,5% e 2,6%, respectivamente.

O Itaú publicou ainda lucro líquido de R$ 6,077 bilhões no terceiro trimestre, aumento de 12,7% em relação ao mesmo intervalo de 2016, de R$ 5,394 bilhões. Em comparação com o segundo trimestre deste ano, que era de R$ 6,014 bilhões, teve alta de 1,0%.

As principais diferenças entre o lucro líquido e o resultado recorrente, conforme explica o banco em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, foram R$ 155 milhões obtidos com a venda de ações detidas no ressegurador IRB Brasil Re, que abriu capital na bolsa; efeito de R$ 125 milhões em amortização de ágio de aquisições feito pelo banco; ajustes de R$ 137 milhões no valor de ativos (principalmente relacionados à tecnologia); provisões para planos econômicos no valor de R$ 61 milhões e outros.

Multiplan (MULT3)
A Multiplan, dona de 18 shopping centers no País, teve lucro líquido de R$ 75,552 milhões no terceiro trimestre de 2017. Esse montante representa crescimento de 30,2% em relação ao mesmo período de 2016, conforme balanço publicado nesta segunda-feira, 30, pela companhia. No acumulado do ano, o lucro líquido da Multiplan chegou a R$ 234,368 milhões, um aumento de 3,3%.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 181,078 milhões no terceiro trimestre, recuo de 1,8%. No ano, totalizou R$ 580,653 milhões, alta de 0,4%.

O Ebitda ajustado, sem a conta de remuneração baseada em ações, somou R$ 205,608 milhões, crescimento de 7,3%. No ano, totalizou R$ 634,644 milhões, avanço de 6,2%.

A receita operacional líquida atingiu R$ 291,297 milhões no terceiro trimestre, expansão de 7,9%. No ano, alcançou R$ 853,564 milhões, aumento de 4,3%.

O FFO (lucro líquido excluindo depreciação, amortização e efeitos não caixa) ajustado atingiu R$ 145,453 milhões, crescimento de 41,1%. No ano, foi de R$ 427,997 milhões, alta de 15,7%.

Cielo (CIEL3)
A Cielo anunciou que teve lucro líquido de R$ 1,017 bilhão no terceiro trimestre, alta de 0,8% ante o mesmo período do ano passado. A receita líquida, por sua vez, foi de R$ 2,93 bilhões, número 4,3% menor do que o registrado no terceiro trimestre de 2016.

Já o resultado da companhia medido pelo Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização, na sigla em inglês), somou R$ 1,298 bilhão de julho a setembro, queda de 6,1% ano a ano.

M. Dias Branco (MDIA3)
A M.Dias Branco registrou lucro líquido de R$ 253,6 milhões no terceiro trimestre, uma queda de 6% em relação ao mesmo período do ano passado. Na mesma base de comparação, a receita da companhia passou de R$ 1,446 bilhão para R$ 1,469 bilhão, alta de 1,6%.

O lucro acabou impactado, principalmente, pela redução no resultado operacional, que caiu 8,7%, para R$ 258,7 milhões. Segundo a companhia, a piora em sua lucratividade foi consequência também dos maiores investimentos em marketing, que fizeram com que a linha de despesas com vendas aumentasse em 17%, para R$ 283,3 milhões.

Petrobras (PETR3; PETR4)
A Petrobras informa que recebeu na última sexta-feira (27), R$ 81 milhões da empresa britânica Rolls-Royce, que firmou acordo de leniência com o Ministério Público Federal (MPF) no âmbito da Operação Lava Jato. Outros dois acordos de colaboração premiada renderam mais R$ 5,8 milhões ao caixa da companhia: R$ 1,7 milhão foi devolvido pelo ex-diretor da área Internacional Nestor Cerveró e R$ 4,1 milhões, pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

O acordo firmado com a Rolls-Royce inclui a devolução do lucro líquido obtido pela empresa em seis contratos de fornecimento de bens e serviços para a Petrobras. Contempla ainda o valor integral pago a título de comissão a intermediários contratados para atuar perante a companhia e o pagamento de multa, prevista na Lei de Improbidade, equivalente a uma vez o valor das comissões dos intermediários.

A Petrobras diz que seguirá adotando medidas jurídicas contra empresas e pessoas, inclusive ex-funcionários e políticos, que causaram danos financeiros e à imagem da companhia. “A companhia atua como coautora com o MPF e a União em 13 ações de improbidade administrativa em andamento. Além de ser assistente de acusação em 41 ações penais”, diz.

A estatal afirma ainda que trabalha em estreita parceria com as autoridades que conduzem a Operação Lava Jato e é reconhecida por tais autoridades, inclusive pelo próprio MPF e pelo Supremo Tribunal Federal, como vítima da corrupção investigada. A Petrobras reforça que continuará colaborando com as autoridades e buscará o ressarcimento de todos os prejuízos causados em função dos atos ilícitos cometidos contra a companhia.

Oi (OIBR4)
O tratamento para as dívidas da Oi com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será fundamental para desenhar a solução para a empresa, disse a ministra-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Grace Mendonça. A companhia está em recuperação judicial desde junho do ano passado e deve R$ 65 bilhões, dos quais R$ 20 bilhões à União.

“A forma de tratamento dos créditos da Anatel será determinante para a solução”, afirmou a ministra. “Não podemos considerar que qualquer tratamento aos créditos públicos têm reflexo no todo. Não podemos desconsiderar todo o acervo dos débitos da empresa. Não adianta construirmos o melhor caminho para os créditos públicos desconsiderando todo esse acervo”, acrescentou.

Diante do tamanho das dívida da Oi com a União, qualquer proposta de renegociação desses valores terá impacto sobre os demais credores, inclusive os bancos oficiais, como BNDES, Banco do Brasil e Caixa. Isso justifica a presença dessas instituições financeiras no grupo de trabalho do governo. Os bancos, na avaliação dela, também têm mais experiência para estudar cenários que considerem fluxos de caixa futuros da companhia.

Grace Mendonça disse que ainda não há uma decisão sobre o caminho que o governo vai adotar para a empresa. Segundo ela, existe a possibilidade de que a União edite uma Medida Provisória sobre o assunto, mas o martelo ainda não foi batido. Ainda de acordo com ela, é possível que não seja necessário editar uma MP ou publicar um projeto de lei.

“O cenário é complexo e exige cautela e segurança jurídica”, afirmou. “Não fechamos ainda qual seria o melhor cenário.” Na avaliação da ministra, não será preciso fazer um novo pedido para adiar a assembleia de credores, marcada para 10 de novembro. “O ritmo de trabalho que imprimimos ao grupo de trabalho sobre a Oi gera expectativa no mercado.”

Acionistas da Oi, como Société Mondiale, do empresário Nelson Tanure, e Pharol (ex-Portugal Telecom), pediram audiências com a ministra para discutir o andamento das negociações sobre a tele. A ministra disse, no entanto, que ainda não foi informada sobre um comitê, pelo Conselho de Administração da tele, criado para acompanhar a evolução das negociações do grupo de trabalho do governo.

Também integrante do grupo de trabalho do governo sobre a Oi, o presidente da Anatel, Juarez Quadros, reiterou que ainda não há uma solução desenhada para a empresa. “Não há nenhuma decisão sobre nenhum ato legal para a companhia”, disse.

Segundo ele, após a ameaça de intervenção na semana passada, o Conselho de Administração da Oi se comprometeu a manter a diretoria da executiva da Oi, inclusive o presidente, Marco Schroeder. “O Conselho de Administração da Oi se manifestou, inclusive presencialmente, que não tem intenção de destituir a diretoria".

(Com Agência Estado)

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