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Varejistas recuperam 15% em 3 dias após "pesadelo"; Vale fecha na mínima; Multiplus e Smiles vivem dia de contraste

Confira os destaques da B3 na sessão desta sexta-feira (20)

Magazine Luiza
(Reprodução/Youtube)

SÃO PAULO - O noticiário internacional voltou a mexer com os rumos do Ibovespa nesta sexta-feira (20), com o índice acompanhando o tom de leve bom-humor visto nas principais bolsas internacionais e no mercado de commodities, mas também o crescimento das incertezas sobre o futuro presidente do Federal Reserve e como se dará a política monetária norte-americana na gestão que sucederá o mandato de Janet Yellen, em meio ao possível programa de reforma tributária do presidente Donald Trump. Do lado acionário, destaque para a dinâmica das recomendações e notícias como o adiamento da assembleia dos credores da Oi, assim como dados operacionais da Randon e estimativas da Rumo.

Confira os principais movimentos do mercado neste pregão:

Petrobras (PETR3, R$ 16,55, +0,30%; PETR4, R$ 16,22, +0,43%)
Após chegarem a subir mais de 1%, as ações da Petrobras encerraram o dia com leves ganhos, acompanhando o desempenho dos contratos de petróleo tipo WTI no mercado internacional, que subiram 0,35%, a US$ 51,66 o barril. O movimento foi mais moderado que o visto com os barris tipo brent, que tiveram alta de 1,07%, a US$ 57,84, após chegarem a cair cerca de 1% mais cedo, em meio às informações de que o Iraque estaria reparando campos de produção.

No noticiário da estatal, a Petrobras elevou o preço da gasolina em 0,4% e cortou do diesel em 1,3%. Os preços são para as refinarias a partir de 21 de outubro. Vale destacar ainda que a Polícia Federal cumpriu durante a manhã 10 mandados em investigação de contratos com Petrobras. As ordens judiciais são decorrentes de investigação que tramita na 13ª Vara Federal de Curitiba, Paraná, “para apurar o pagamento de vantagens indevidas a executivos da Petrobras através do já conhecido Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht, bem como em ação penal em curso que apura fatos semelhantes”, segundo comunicado.

Os investigados responderão pela prática dos crimes de associação criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro, diz a PF no comunicado. A PF cumpre 4 mandados de busca e apreensão, 1 mandado de condução coercitiva e 1 mandado de prisão temporária, além 3 intimações determinadas pelo Juízo Federal com a imposição de outras medidas cautelares.

Vale (VALE3, R$ 32,95, -0,15%; VALE5, R$ 30,67, -0,03%)
Os papéis da mineradora destoaram do movimento dos contratos futuros de minério de ferro, avançaram 5,4% hoje em Dalian e 2,60% (US$ 62,46) em Qingdao, recuperando-se de perdas recentes, o que leva a uma sessão positiva para as ações da Vale.  Na véspera, as ações da mineradora tiveram uma virada na bolsa, um dia após a companhia aprovar a conversão de ações VALE5 para VALE3. 

Siderúrgicas
O dia foi de movimentos moderados das companhias do setor, com exceção dos papéis da CSN (CSNA3, R$ 10,16, +3,04%), que fecharam em forte alta. No radar das siderúrgicas, destaque para a notícia de que a Fitch elevou a nota da Usiminas (USIM5, R$ 10,10, +0,10%) de CCC para B, com perspectiva estável, citando melhora significativa no perfil de crédito da companhia apoiada em tendência de redução de endividamento e riscos de refinanciamento administráveis. A mudança na nota ocorreu após a conclusão de plano de reestruturação financeira que incluiu aporte de R$ 1 bilhão na Usiminas e injeção de R$ 700 milhões  em recursos da unidade de mineração do grupo.

Multiplus (MPLU3, R$ 39,88, -3,48%) e Smiles (SMLE3, R$ 92,82, +3,59%)
As duas ações do setor de fidelidade reagiram a recomendações. A Multiplus foi rebaixada de compra para underperform (performance abaixo da média do mercado) pelo Santander, enquanto a Smiles foi elevada de manutenção para compra pelo mesmo banco, com preço-alvo de R$ 104. 

Oi (OIBR3, R$ 5,37, -2,36%; OIBR4, R$ 4,24, -2,53%)
Bancos públicos e privados, além de parte dos credores internacionais da Oi, protocolaram, na quarta-feira (18) na 7.ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, pedido de adiamento da assembleia dos credores da tele, originalmente marcada para o dia 23. Eles querem remarcar a reunião para o dia 27 de novembro para que possam avaliar o plano de reestruturação da operadora e ganhem tempo para apresentar uma proposta alternativa.

O pedido foi protocolado por BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Banco do Brasil), Caixa, BNP Paribas, o fundo GoldenTree, as gestoras Capricorn e Syzygy (ambas ligadas ao fundo abutre Aurelius), além do Citadel Equity Fund e o Canyon Capital Finance.

Se o pedido de adiamento for confirmado pela Justiça do Rio, vai desagradar a direção da Oi e parte dos acionistas, que, segundo fontes, defendiam a realização da assembleia como forma de reunir todos os credores em um único local e de fomentar a discussão dos possíveis ajustes que tornarão viável o plano de recuperação da companhia. Além disso, dizem essas fontes, o adiamento contribuiria para prolongar ainda mais a insegurança sobre o desfecho do longo processo de recuperação judicial, que se arrasta desde junho de 2016, com dívidas de R$ 64,5 bilhões.

Além disso, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) marcou para 11h da segunda-feira (23), uma reunião em que o conselho diretor vai decidir que destino dará aos termos de ajustamento de conduta (TAC) propostos pela Oi.

Randon (RAPT4, R$ 7,85, +2,21%)
Os papéis da companhia subiram na B3 após a divulgação dos dados operacionais. A receita líquida da companhia aumentou 4,1% na comparação anual no acumulado janeiro a setembro, para R$ 2,1 bilhões, segundo comunicado ao mercado. A receita bruta total aumentou 45,6% na base anual em setembro, para R$ 363,9 milhões; atingiu R$ 3 bilhões no acumulado do ano, alta de 6,4% na base anual.

Os resultados da Fras-le, controlada da Randon, são:  A receita líquida consolidada de setembro foi de R$ 72 milhões, alta de 16,4% na base anual. Já a receita líquida consolidada no acumulado de janeiro a setembro foi de R$ 611,3 milhões, queda de 1,1% na base anual. A receita bruta total de setembro foi de R$ 104,7 milhões, a 21,5% na base de comparação anual. 

Azul (AZUL4, R$ 29,30, +2,81%)
A Azul confirmou a captação de US$ 400 milhões com vencimento em 2024. A emissão da Azul Investments com cupom de 5,875% por ano e  acredita que emitirá os títulos em 26 de outubro.

Rumo (RAIL3, R$ 13,52, +3,21%)
O capex da Rumo foi estimado para 2020 entre R$ 1 bilhão a R$ 1,3 bilhão. O montante é menor que o estimado para 2017, de R$ 2 bilhões a R$ 2,2 bilhões, disse a companhia em fato relevante ao mercado. A empresa estima crescimento médio de 19% ao ano no Ebitda de 2017 a 2020, chegando em 2020 entre R$ 4,4 bilhões e R$ 4,6 bilhões. A Rumo reafirmou guidance de Ebitda 2017 entre R$ 2,6 bilhões e R$ 2,8 bilhões. O capex de 2017 deve ficar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões. 

JBS (JBSS3, R$ 7,95, -1,24%)
As ações do JBS tiveram leve queda nesta sessão. A agência de classificação de risco Moody's rebaixou os ratings da companhia para B3, com perspectiva negativa, em meio aos riscos relacionados aos processos judiciais envolvendo os acionistas e executivos da empresa. "O downgrade incorpora a opinião da Moody\'s de que os riscos relacionados a processos judiciais e investigações envolvendo os acionistas da JBS e seus executivos permanecem elevados", diz a agência.

Varejistas
As varejistas registraram alta nesta sessão, após um dia divergente na véspera e em uma semana bastante agitada para o setor com a expansão da Amazon no Brasil. Magazine Luiza (MGLU3, R$ 72,45, +3,51%) e B2W (BTOW3, R$ 22,51, +5,14%) sobem nesta sexta. Desde o pesadelo que culminou na queda de cerca de 20% dos papéis, houve uma recuperação na casa dos 15% das companhias.

Muitas análises sobre a Amazon foram destaque nos últimos dias. Os analistas do JP Morgan apontaram que a Amazon não é uma ameaça completa, pois tem um longo passo para percorrer, que passa desde reforçar sua marca entre os brasileiros como questões de logística. Sobre esse último assunto, o presidente do Magazine Luiza, Frederico Trajano, resume bem o desafio: "a Amazon não vai ter moleza no Brasil. Lá fora ela tem Fedex, Sedex, DHL, entre outras. Então, ela não precisa ter sequer um caminhão ou um motoboy. Aqui, a gente depende de uma única empresa, o Correios, que ainda por cima é estatal", afirmou durante evento realizado na Casa do Saber.

Na avaliação dos analistas Stephen Duvignau, da Fama Investimentos, Rodrigo Furtado, da XP Gestão, e Giovanna Scottini, da Eleven Financial, a queda dos papéis desde a divulgação da notícia da entrada da Amazon foi exagerada e isso acabou gerando uma oportunidade de compra para as ações: e o mais interessante, uma entrada que atende desde os investidores mais conservadores até os mais arrojados. Para ler a íntegra das análises, clique aqui.

(Com Bloomberg e Agência Estado) 

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