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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta sexta-feira

Confira os principais eventos da semana nos mercados

SÃO PAULO - A volta do feriado é movimentada no mercado brasileiro, tendo como destaque a inflação de setembro nos EUA será o destaque do dia, dado crucial para definir os próximos passos do Federal Reserve. Enquanto os dados não saem, atenção se volta para o alerta da S&P sobre o rebaixamento de rating do Brasil se a reforma da Previdência não for aprovada, além da disparada das commodities com os dados da China. Confira no que se atentar nesta sexta-feira (13):

1. Bolsas mundiais
Na manhã desta sexta-feira, as bolsas europeias operam sem sinal único, de olho no noticiário político e também à espera dos dados de inflação nos EUA a serem revelados esta manhã. Números em geral positivos da balança comercial da China impulsionam algumas ações na Europa, como as do setor de matérias-primas, mas outras praças oscilam com viés negativo, com notícias corporativas no radar. No Reino Unido, continua a haver cautela com a dificuldade do país em avançar nas negociações com a União Europeia para sua saída do bloco, o Brexit. Analistas ponderam que a falta de progresso nesse diálogo pode ameaçar o crescimento do país, no momento em que o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) sinaliza que deve conduzir um aperto monetário para conter a inflação. 

Enquanto isso, na Ásia, a maior parte dos mercados fechou com ganhos,  beneficiadas por números em geral positivos da balança comercial da China, o que também impulsionou fortemente o minério de ferro. As importações da potência asiática avançaram 18,7% em setembro na comparação anual, acima da expectativa de alta de 15% dos analistas, o que beneficiou as praças asiáticas em geral. As exportações chinesas cresceram pelo sétimo mês consecutivo, em alta anual de 8,1%, embora neste caso abaixo da previsão de avanço de 10% dos economistas ouvidos pelo Wall Street Journal. O ânimo com o minério foi reforçado pela informação do aumento na importação da commodity pela China para acima de 100 milhões de toneladas.

Além do minério, o petróleo também é impulsionado pelos dados da China: as importações tiveram aumento de 12% entre janeiro e setembro, na comparação com igual período do ano passado, de acordo com dados oficiais divulgados nesta sexta-feira. Levando-se em conta apenas o mês de setembro, a alta anual também foi de 12%.  

Às 7h57 (horário de Brasília), este era o desempenho dos principais índices:

*CAC-40 (França) -0,01%

*FTSE (Reino Unido) -0,28%

*FTSE MIB +0,25%

*DAX (Alemanha) +0,07% 

*Hang Seng (Hong Kong) +0,06% (fechado)

*Xangai (China) +0,16% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,96% (fechado)

*Petróleo WTI +1,88%, a US$ 51,55 o barril

*Petróleo brent +2,17%, a US$ 57,47 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +5,07%, a 456 iuanes

*Minério spot 62% negociado em Qingdao (China) +4,06%, a US$ 62,53 a tonelada

2. Desempenho dos ADRs no feriado
Na véspera, em dia de bolsa fechada no Brasil,  o índice Brazil Titans 20, que reúne os principais ADRs (American Depositary Receipt) de empresas nacionais negociados em Wall Street, fechou em leve baixa de 0,36%, a 23.797 pontos, em linha com o desempenho das principais bolsas mundiais e entre alta de Vale e siderúrgicas e queda de bancos e Petrobras.

Confira o desempenho dos ADRs durante o feriado no Brasil: 

Empresa ADR Variação Preço
CSN SID +0,67% US$ 3,00
Bradesco BBD -1,03% US$ 11,50
Santander BSBR -0,53% US$ 9,31
Itaú Unibanco ITUB -0,99% US$ 14,04
BRF BRFS -0,07% US$ 14,72
Ultrapar UGP +0,41% US$ 24,37
Sabesp SBS -0,47% US$ 10,50
Pão de Açúcar CBD -1,14% US$ 25,10
Gafisa GFA -2,21% US$ 8,86
Fibria FBR +0,06% US$ 15,90
Copel ELP -0,33% US$ 9,15
Ambev ABEV 0% US$ 6,79
Telefônica Brasil VIV -0,62% US$ 16,15
TIM Participações TSU +0,32% US$ 18,79
Embraer ERJ -0,45% US$ 22,29
Cemig CIG -1,54% US$ 2,55
Petrobras PBR.A -0,49% US$ 10,10
Vale VALE +0,72% US$ 9,86
Petrobras PBR -0,86% US$ 10,40
Gerdau GGB +0,88% US$ 3,44

 

3. Agenda de indicadores
O grande destaque na agenda de indicadores fica para os dados de preços ao consumidor nos Estados Unidos de setembro, que serão divulgados às 9h30 e devem dar um bom parâmetro sobre os próximos passos do Federal Reserve (mais especificamente, se haverá alta ou não em dezembro). No mesmo horário, serão revelados os dados de vendas no varejo no mesmo mês e, às 11h30, sairá o dado de confiança do consumidor da Universidade de Michigan. 

Atenção ainda para os discursos de dirigentes do Federal Reserve: Charles Evans (Chicago) às 11h25, Robert Kaplan (Dallas) às 12h30 e Jerome Powell (diretor da autoridade monetária) às 14h.

Ainda nos EUA, destaque para o noticiário político: o presidente dos EUA, Donald Trump, fará anúncio às 12h45 a sua decisão sobre o histórico pacto nuclear multilateral assinado com o Irã em 2015 e a nova estratégia para se relacionar com o país, informou a Casa Branca na tarde desta quinta. Além disso, destaque para a notícia do "The Wall Street Journal" de que o presidente americano entrevistou hoje o economista da Universidade Stanford John Taylor para discutir a sua potencial nomeação para a presidência do Federal Reserve, segundo informou uma fonte da Casa Branca ao jornal. 

4. Reforma da Previdência e S&P
A agência de classificação de risco Standard & Poor’s se juntou à Moody's e emitiu um alerta de que a nota soberana do Brasil pode ser rebaixada caso a reforma da previdência não seja aprovada em tempo hábil para “dar algum respiro” ao próximo governo, segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo. Na área econômica do governo Michel Temer, a advertência da S&P foi recebida como um reforço à mensagem de que a aprovação da proposta é essencial, destaca o jornal. A agência foi a primeira a tirar o grau de investimento do Brasil em setembro de 2015. Em agosto, a agência reafirmou a nota de crédito do País em BB, dois patamares abaixo do grau de investimento e manteve a perspectiva negativa.

Vale destacar que, na semana passada, os jornais noticiaram que o governo segue em busca da aprovação de uma reforma mais enxuta. A reforma deveria se concentrar em três mudanças: idade mínima de aposentadoria, tempo mínimo de contribuição e uma regra de transição para quem já contribui hoje com a Previdência.

Ontem, em Washington, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que o governo espera votar a Previdência até o final de outubro ou início de novembro. Ele ainda afirmou que o potencial de crescimento do PIB do País, "num horizonte de três a quatro anos" é de 4%, com a adoção de reformas econômicas que permitirão um aumento do nível de atividade, consumo e investimentos. Hoje, Meirelles participa de eventos nos EUA, incluindo café de manhã de trabalho com ministros de Finanças da Argentina, Chile, Espanha e México para discutir a presidência argentina do G20 e continuação do encontro dos ministros das Finanças e presidentes de Bancos Centrais do G20. 

5. Noticiário corporativo
O noticiário corporativo também esteve movimentado, com três notícias principais. Um mês após suspender o acordo de leniência da J&F para fins criminais, o juiz federal Vallisney de Souza, da 10ª Vara Federal em Brasília, decidiu revalidar parte do acordo firmado em junho pelo grupo e a Procuradoria da República no Distrito Federal. Veja mais clicando aqui. 

Além disso, o jornal Valor Econômico informou que o Banco do Brasil (BBAS3) contratou os bancos BB Securities, BofA Merrill Lynch, BTG Pactual, Itaú BBA, Santander e Wells Fargo para preparar uma possível emissão externa em dólar. O roadshow acontece na segunda-feira (16) e terça (17), em Londres, Los Angeles, Nova York e Boston. 

Porém, o grande destaque fica para a Oi (OIBR4), que protocolou ontem (11) o plano de recuperação judicial na 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, responsável por conduzir o processo. A proposta, que altera as condições para a negociação com credores, foi aprovada na terça-feira (10) pelo conselho de administração e pela diretoria e prevê uma capitalização de R$ 9 bilhões. Com o novo plano, as ações da acionista Pharol (antiga Portugal Telecom) fechou com ganhos de 13% na Europa. O presidente da holding portuguesa, Luis Palha da Silva, afirmou que a Pharol fará esforços para manter sua participação na Oi no maior nível possível após a reestruturação. Atualmente a Pharol possui participação de 25,7% na Oi. Veja mais sobre o plano aqui. 

Falando em repercussões internacionais de notícias brasileiras, a notícia de que a Amazon aumentará as suas operações no Brasil foi um baque para os papéis do Mercado Livre na Nasdaq, despencando 10%. Confira aqui. Entre outras notícias, a IMC foi iniciada com recomendação outperform pelo Credit Suisse e o Estadão informa que a Sanepar estuda fazer nova oferta de ações. 

(Com Agência Brasil, Bloomberg e Agência Estado)

Henrique Meirelles
(Lula Marques/Agência PT)

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