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Vale zera perdas; construtora despenca 8% com novo aumento de capital e Oi salta até 9%

Confira os destaques da B3 na sessão desta quarta-feira (11) 

Vale (VALE3, R$ 31,40, +0,13%;VALE, R$ 28,87, +0,24%)
Após chegar a cair mais de 1% seguindo a queda do minério, as ações da Vale zeraram as perdas no final desta manhã. A commodity negociada no porto de Qingdao com 62% de pureza, uma das mais acompanhadas pelo mercado, recuou 2,23% nesta quarta, encerrando o dia cotado a US$ 59,65 por tonelada, voltando para o patamar verificado em 27 de junho deste ano. Assim, a commodity acumula queda de 4,2% somente nesta semana.

No mesmo compasso, os contratos futuros negociados na bolsa chinesa de Dalian registraram queda de 0,91%, encerrando o pregão cotados a US$ 66,12 (436 iuanes), desvalorização de 3,9% nos últimos três dias. 

Kroton (KROT3,R$ 20,17, -3,86%) e Estácio (ESTC3, R$ 31,27, -2,35%)
As ações de Kroton e Estácio registram queda nessa sessão. Vale destacar que o relatório do deputado Alex Canziani (PTB-PR) sobre a Medida Provisória 785/2017, que trata das mudanças no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), foi aprovado ontem na comissão especial que analisa a MP. O texto deve ser votado no plenário da Câmara até o dia 17 de novembro para que a medida não perca a validade. Entre as mudanças introduzidas no relatório está a ampliação do aporte do Tesouro Nacional ao Fundo Garantidor do Fies (FG-Fies), de R$ 2 bilhões para R$ 3 bilhões em quatro anos. O texto aprovado também estabelece que a parte do Fies destinada a estudantes carentes terá juro zero. O benefício já tinha sido anunciado pelo governo, mas não estava no texto da MP enviado ao Congresso. Segundo o BofA, o novo programa é menos atrativo para as empresas listadas mas, dada a menor relevância do Fies no setor no longo prazo, o banco segue positivo com as educacionais.

Ainda no radar do setor, a Kroton informou que a captação total cresceu 6% na base anual, para 179.481 alunos, enquanto as rematrículas caíram 3% a/a para 722.161 alunos, segundo comunicado ao mercado.

A base de alunos na graduação presencial caiu 6% na comparação anual para 399.862, enquanto EAD cresceu 2,4% na mesma base, para 501.780 alunos. A evasão cresceu nos dois segmentos "como um reflexo direto da crise econômica e do alto nível de desemprego", disse a companhia. Já os números do terceiro trimestre reforçam trajetória para que guidance de 2017 seja "plenamente alcançado".

Cemig (CMIG4, R$ 8,43, +0,96%)
Segundo a coluna do Broad, do jornal O Estado de S. Paulo, a Cemig, que há meses busca alternativas para melhorar sua situação financeira, conseguiu alongar por mais cinco anos uma dívida no montante de cerca de R$ 3 bilhões junto aos principais bancos do País. A negociação teria sido feita individualmente com cada instituição, mas, em geral, as condições do reperfilamento foram as mesmas.

 

Bradesco (BBDC4, R$ 37,19, +0,35%)
As ações do Bradesco registram leves ganhos após a notícia de sucessão do banco. Logo após o fechamento da terça-feira, o Bradesco comunicou a renúncia de Lázaro de Mello Brandão, presidente do conselho de administração do banco. Em seu lugar, foi nomeado Luiz Carlos Trabuco, então presidente da instituição.

Para oficializar a troca do comando, a assessoria de imprensa do banco organizou nesta quarta-feira (11), às 10h30, uma coletiva na sede do Bradesco para explicar a renúncia de Brandão, que estava no cargo desde fevereiro de 1990. Brandão, que trabalha no Bradesco desde 1943, permanecerá na presidência do conselho das sociedades controladoras do Bradesco, "transmitindo seus ensinamentos e experiência acumulados ao longo desses mais de 75 anos de vida profissional dedicados exclusivamente à organização, com magníficos exemplos de trabalho, honradez e ética", como destaca o comunicado.

Com Trabuco devendo assumir a cadeira do Conselho, agora o mercado fica de olho em quem será o novo CEO do banco. De acordo com o Bank of America Merrill Lynch, o novo diretor presidente do Bradesco provavelmente será escolhido entre os sete vice-presidentes executivos do banco; os com mais experiência  provavelmente serão os principais candidatos para assumir o cargo. "Acreditamos ser improvável que o Bradesco procure um CEO fora do grupo, especialmente considerando o sistema meritocrático do banco", apontam os analistas

Cosan (CSAN3, R$ 37,99, -0,94%)
A Cosan informou, em fato relevante enviado ao mercado, que a petroleira Shell exerceu opção de venda de suas ações na Comgás (CGAS5), as quais serão compradas pela controladora da companhia, Cosan Limited. O valor intrínseco da transação é de R$ 1,16 bilhão por 16,77% do capital social da companhia. 

Na transação, a controladora Cosan Limited entregará a Shell ações que equivalem a 4,99% do capital da Cosan. Além disso, estão previstos dois pagamentos: R$ 208,7 milhões na data do fechamento da transação; e R$ 214,9 milhões um ano depois. Com a conclusão da operação, o acordo de acionistas celebrado entre a Cosan e a Shell no âmbito da Comgás será extinto. 

Oi (OIBR3, R$ 5,19, +3,8%; OIBR4, R$ 3,95, +8,56%)
Sobre o caso Oi, a advogada-geral da União, Grace Mendonça, informou que o governo iniciou grupo de trabalho sem excluir possibilidades para a empresa. Os cenários estão abertos, inclusive com MP que cria Programa de Regularização de Débitos não Tributários junto às autarquias. A possibilidade estender prazo de pagamento das dívidas da Oi também está sendo considerada. Segundo Mendonça, grupo de trabalho é composto por representantes da AGU, Anatel, Caixa, Banco do Brasil, Ministério das Comunicações. O governo marcou nova reunião para segunda-feira.

Além disso, a definição sobre se a Oi tem ou não um plano de recuperação judicial pronto para ser registrado na 7ª Vara da Justiça do Rio de Janeiro ficou para hoje, segundo o Valor. A diretoria da tele aguarda a proposta detalhada e assinada pelo conselho de administração - órgão influenciado pelo acionista Nelson Tanure - para só então decidir se consente com o modelo. Sem assinatura de dois diretores estatutários o plano não é aceito na Justiça.

De acordo com o Bradesco BBI, "dada a falta de progresso nas negociações entre os acionistas e os detentores de títulos da Oi, acreditamos que uma intervenção está emergindo como o único cenário possível". Considerando que os números operacionais da Oi estão melhorando, a Anatel precisa aguardar a hora correta para evitar danos judiciais. 

Em um cenário de intervenção, a Anatel assumiria o controle do conselho de administração e poderia oferecer um plano de recuperação judicial mais flexível aos detentores de títulos,
ajudando assim a Oi a chegar a um acordo e desenvolver um plano com potencial aumento de capital". 

Os analistas citam outras opções para Oi, que eles acreditam que não são prováveis: aguardar um acordo entre os acionistas e os detentores de títulos, o que é improvável dada a discrepância nos valores solicitados por ambas as partes. Se não houver acordo, deixar o juiz declarar falência; uma vez que a Oi é crucial no setor, é improvável que o regulador
permita isso. Cancelar a concessão e autorização de linha fixa da Oi e vendê-la para outra empresa, o que criaria ruído e poderia levar a um impacto negativo nas entidades públicas

"Uma intervenção é suficiente para encontrar uma solução para o Oi? Não na nossa visão", afirmam os analistas. Um investidor chinês poderia ser o principal nome por trás de um aumento de capital, desde que esses obstáculos sejam removidos, apontam. 

Cesp (CESP6, R$ 14,40, +2,49%)
O Credit Suisse comentou a notícia do ValorPro da véspera, que informou que a privatização da Cesp poderia ser postergada para o primeiro trimestre de 2018, com a possibilidade de estender a concessão de Porto Primavera e o Estado deixando 10-20% de valor adicional para os investidores. Os analistas acreditam que esse ganho adicional não deve ser suficiente para trazer muito mais apetite para o ativo. "Ainda estamos esperando mais detalhes sobre esse processo e, até lá, não conseguimos ver muito potencial de alta para as ações. Mantemos o neutro", apontam. 

Helbor (HBOR3, R$ 2,25, -8,16%)
A ação da construtora Helbor cai forte após o conselho de administração aprovar um aumento de capital de até R$ 280 milhões mediante emissão de no máximo 140 milhões de novas ações ordinárias, segundo comunicado enviado ao mercado. A operação ocorrerá mediante subscrição particular, ao preço de R$ 2 por ação, com base na média das cotações de fechamento dos papéis entre 2 de junho e 9 de outubro, sendo aplicado um deságio de 14,9%. O aumento de capital será homologada desde que sejam subscritas ao menos 105 milhões de novas ações ordinárias, o que corresponderia a um aumento mínimo de R$ 210 milhões. De acordo com o BTG Pactual, a notícia é negativa. Os analistas apontam que alavancagem deve cair entre 93-100% na relação entre dívida líquida e patrimônio e a  diluição deve ser entre 25-30% para os atuais acionistas (o que é mais uma diluição grande, considerando que esta é a segunda vez em 13 meses que eles anunciam um aumento de capital). 

Gol (GOLL4, R$ 15,74, +0,90%)
A demanda total da Gol aumentou em 5,0% em setembro ante o mesmo mês do ano passado, informou nesta terça-feira a companhia aérea. O oferta, por sua vez, avançou 2% no período, o que levou a taxa de ocupação nas aeronaves da empresa ao patamar de 80,2%, um crescimento de 2,3 pontos porcentuais em relação ao mesmo período de 2016. O número de passageiros transportados, por sua vez, teve alta de 4,8%.

No mercado doméstico, a demanda por voos da Gol cresceu 4,1%, enquanto a oferta de assentos teve leve avanço de 0,7%. A taxa de ocupação nos voos nacionais da empresa cresceu 2,7 pontos porcentuais, para 81%. O número de passageiros transportados cresceu 4,5% em relação ao mesmo período de 2016.

Já os voos internacionais da empresa registraram aumento de 13,1% na demanda no mês passado na comparação anual. O movimento foi acompanhado pela oferta, que também cresceu 13,1%. A taxa de ocupação ficou estável em setembro em 74,3%. O número de passageiros transportados aumentou 8,5% em relação ao mesmo período de 2016.

Fibria (FIBR3, R$ 49,35, +1,80%) e Suzano (SUZB5, R$ 20,30, +1,30%)
A despeito da queda do dólar, as ações de empresas do setor de papel e celulose seguem em alta. Após colocar a Fibria como top pick do setor na segunda, o BTG Pactual reafirmou visão positiva com a companhia nesta quarta, vendo um potencial de desalavancagem ainda não precificado e elevando o preço-alvo de R$ 45 para R$ 60. Já sobre a Suzano, os analistas destacam o ótimo desempenho operacional somado a melhorias de governança que fazem reiterar a recomendação de compra com o preço-alvo sendo elevado de R$ 23 para R$ 26. Já para a Klabin, a recomendação é neutra, com o preço-alvo sendo elevado de R$ 19 para R$ 21. 

Petrobras (PETR3, R$ 16,60, 0,66%;PETR4, R$ 16,12, -0,43%)
As ações da Petrobras registram perdas a despeito do dia de leves ganhos para o petróleo. O WTI tem leve alta de 0,26%, a US$ 51,05 o barril, enquanto o brent tem alta de 0,21%, a US$ 56,68. 

No radar da companhia, atenção para quatro notícias. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado de capitais, acusa 40 administradores e ex-administradores da Petrobrás de terem burlado as normas contábeis brasileiras. A suspeita de irregularidade está na reavaliação do valor de ativos como as refinarias Abreu e Lima (Rnest) e o Complexo Petroquímico do Rio (Comperj). A lista de acusados inclui nomes como o diretor financeiro da estatal Ivan Monteiro e os ex-presidentes Aldemir Bendine, Graça Foster e José Sérgio Gabrielli.

O detalhes em torno da suspeita de irregularidade ainda não são públicos. A acusação da CVM indica uma violação por parte dos administradores do chamado “dever de diligência”, que determina, entre outras pontos, que eles zelem pela saúde financeira da companhia. Por isso, nessa etapa das investigações, além dos diretores, todos os conselheiros das gestões que estão sob a mira da CVM se tornam alvo da apuração – uma vez que são responsáveis, respectivamente, pela elaboração das contas e por fiscalizá-las. As falhas nos procedimentos contábeis, realizados anualmente, podem ter levado a Petrobrás a divulgar informações que não refletiam a sua real situação financeira. A revisão de projetos avalia se suas receitas futuras serão suficientes para arcar com os custos de operação e recuperar os investimentos. Caso contrário, são feitas baixas contábeis, que afetam seu lucro e o pagamento de dividendos.

Ainda no noticiário da estatal, ela comunicou uma elevação do preço da gasolina e do diesel em 1,2%, válida na próxima quinta-feira (12) nas refinarias. O Valor, por sua vez, informa que a Justiça Federal de Sergipe suspendeu, por meio de uma liminar, a venda dos campos de Lapa e Iara, no pré-sal da Bacia de Santos, da Petrobras para a francesa Total. O negócio faz parte de um acordo de US$ 2,2 bilhões, assinado entre as duas petroleiras no início do ano, antes da divulgação da nova sistemática de venda de ativos da estatal, e envolve também 50% da TermoBahia - empresa que controla as termelétricas a gás Rômulo de Almeida e Celso Furtado.

Por fim, a Petrobras e a Petrotemex tiveram negócio declarado complexo pelo Cade. que determinou realização de diligências adicionais, conforme despacho publicado no Diário Oficial. As diligências terão os seguintes objetivos de acordo com site do Cade: *solicitar ao Departamento de Estudos Econômicos do Cade a elaboração de estudo quantitativo a respeito de impactos concorrenciais decorrentes da operação; *facultar às partes a apresentação das eficiências econômicas geradas pela operação; *requerer dados de concorrentes. A Petrobras disse em comunicado que continuará colaborando com o Cade com vistas a obter a aprovação da operação dentro do prazo legal.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

 

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