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Petrobras cai seguindo baixa do petróleo; 3 ações reagem a recomendações e Fibria salta 4% com dólar

Confira os destaques da B3 na sessão desta sexta-feira (6)

Petrobras (PETR3, R$ 16,27, -1,81%;PETR4, R$ 15,61, -1,82%)
A sessão começa com perdas para os papéis da Petrobras, acompanhando a forte baixa dos preços do petróleo. O WTI cai 2,17%, a US$ 49,69 o barril, enquanto o brent tem baixa de 1,51%, a US$ 56,14 o barril,  influenciados por realização de lucros após subirem 1,6% a 2,5% na sessão anterior. Além disso, investidores estão atentos a possíveis efeitos da tempestade tropical Nate na infraestrutura petrolífera da costa do Golfo dos EUA.

“À medida que nos encaminhamos para o fim de semana, o mercado está focando as implicações da tempestade tropical Nate e quão grandes poderão ser eventuais interrupções” da produção de petróleo e de operações de refino, comentou Richard Mallinson, analista da consultoria Energy Aspects. Como ocorreu com o furacão Harvey em agosto, a “tendência é que haja fechamento de refinarias, o que é provavelmente mais positivo para os preços de produtos e provavelmente um pouco negativo para os preços do petróleo”, ponderou Mallinson.

Já no radar da empresa, de acordo com a Reuters, a Petrobras vai avaliar o pleito de um comitê do governo federal por esforços da companhia para retomar o fornecimento de combustível a algumas termelétricas que estão paradas, diante de um cenário negativo de chuvas na região das hidrelétricas, mas a demanda será analisada "tecnicamente". Na quarta-feira, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) informou que enviará correspondência à Petrobras "solicitando gestão da empresa no sentido de viabilizar o fornecimento de combustível" para algumas usinas. A estatal ressaltou, no entanto, que não vai flexibilizar algumas importantes exigências comerciais para atender às térmicas, mesmo após o pedido do comitê governamental e com o baixo nível dos reservatórios das usinas hídricas, principal fonte de geração do país.

A Petrobras ainda anunciou um novo reajuste para os combustíveis, com aumento de 1,90% no preço da gasolina nas refinarias e alta de 0,60% no preço do diesel. Os novos valores valem a partir deste sábado, dia 7 de outubro. A nova política de revisão de preços foi divulgada pela petroleira no dia 30 de junho. Com o novo modelo, a Petrobras espera acompanhar as condições do mercado e enfrentar a concorrência de importadores. Em vez de esperar um mês para ajustar seus preços, a Petrobras agora avalia todas as condições do mercado para se adaptar, o que pode acontecer diariamente. Além da concorrência, na decisão de revisão de preços, pesam as informações sobre o câmbio e as cotações internacionais.

Por fim, a companhia convocou AGE a fim de deliberar sobre incorporação da Downstream Participações pela estatal, segundo comunicado enviado ao mercado nesta sexta-feira. A reunião deverá decidir sobre a contratação da UHY Moreira
Auditores pela Petrobras para a elaboração do laudo de avaliação e a aprovação deste, aprovar a incorporação da Downstream pela companhia, com a sua consequente extinção, sem aumento do capital social da Petrobras.

Fibria (FIBR3, R$ 46,35, +3,99%) e Suzano (SUZB5, R$ 19,46, +1,67%)
Em um dia majoritariamente negativo, os destaques de alta ficam para as empresas exportadoras Fibria e Suzano, em meio à alta do dólar. A divisa americana sobe  refletindo o Relatório de Emprego dos EUA. Apesar do fechamento de 33 mil vagas de trabalho em setembro, foi registrado aumento nos ganhos médios por hora, o que pode implicar em pressão de custo para as empresas do país, elevando as chances de um aumento de juros pelo Federal Reserve em dezembro - o que impacta a moeda. O dólar com vencimento em novembro registra alta de 0,40%, a R$ 3,177. Ainda no radar das companhias, o JPMorgan elevou o preço-alvo de 2018 para a Fibria a R$ 57,00.

BRF (BRFS3, R$ 46,68, -1,73%)
A ação da BRF é um dos destaque de queda nesta sessão, mas ameniza as perdas em relação à abertura, quando chegou a cair mais de 3%. A companhia comunicou que, em reunião realizada em 28 de setembro de 2017, o Conselho de Administração da companhia aprovou o início do processo de sucessão de seu atual diretor vice-presidente de planejamento integrado e supply, Leonardo Almeida Byrro, que decidiu deixar a Companhia por motivos pessoais e permanecerá exercendo as suas funções até 31 de dezembro de 2017. A companhia comunicou que Elcio Mitsuhiro Ito, profissional com 20 anos de experiência, sendo os últimos 6 anos na BRF, assumirá as funções do referido cargo a partir de janeiro de 2018.

Siderúrgicas
Após dias de fortes ganhos, uma notícia chegou a afetar os papéis de siderúrgicas como Usiminas (USIM5, R$ 8,99, +0,33%), Gerdau (GGBR4, R$ 10,93, -1,35%) e CSN (CSNA3, R$ 10,32, -1,99%). Contudo, logo nos primeiros minutos, os papéis da Usiminas zeraram as perdas.

No noticiário do setor, a União Europeia decidiu taxar o aço laminado a quente do Brasil, Irã, Rússia e Ucrânia, após queixa de siderúrgicas europeias de que o produto usado para construção e maquinários estava sendo vendido a preços excessivamente baixos. A UE cobrará uma tarifa antidumping de 17,6 a 96,5 euros por tonelada a partir de sábado. A Comissão Europeia inicialmente havia proposto estabelecer preço mínimo - de 472,27 euros por tonelada -, mas revisou a proposta depois que não conseguiu o apoio dos países membros da UE.

 

Eletropaulo (ELPL4, R$ 15,02, +3,37%)
A Eletropaulo sobe após ter a recomendação elevada para compra pelo BTG Pactual, com preço-alvo em R$ 20,00. As ações ELPL4 tiveram forte alta na véspera em meio à assinatura de um memorando de entendimentos com a Eletrobras (ELET3, R$ 20,93, -2,52%;ELET6, R$ 24,45, -2,51%). Contudo, a estatal da União  divulgou comunicado ao mercado esclarecendo que a tentativa de mediação com a Eletropaulo não tem, até o momento, valor mínimo ou máximo previamente definido entre as partes. As empresas firmaram Memorando de Entendimentos para negociar acordo em uma disputa judicial quanto à responsabilidade pelo pagamento do saldo do empréstimo concedido em 1986 pela estatal à empresa que posteriormente foi cindida e que resultou na atual Eletropaulo e na CTEEP.

“A Eletrobras é uma empresa estatal e qualquer negociação depende sempre de prévia e justa avaliação e aprovações pelas instâncias societárias, além dos controles interno e externo aplicáveis”, diz a companhia no documento.

A Eletrobras lembra ainda que no Demonstrativo de Resultados do segundo trimestre deste ano o valor devido pela Eletropaulo, segundo o entendimento da estatal, é de R$ 2,757 bilhões, dos quais R$ 350,399 milhões já são reconhecidos no Ativo. A empresa ressalta que os honorários de sucumbência foram fixadas em 15%, o que representa R$ 413,614 milhões. A dívida total, portanto, seria, na versão da Eletrobras, de R$ 3,171 bilhões.

Contudo, no relatório em que elevou a recomendação das ações ELPL4, os analistas atribuíram quase 100% de chance da Eletropaulo ser apontada como responsável pelo passivo de R$ 2 bilhões. Dessa forma, o debate é neutro ou positivo para empresa. "Tirar essa incerteza do case é muito mais importante que qualquer redução no liability de R$ 2 blhõesi e vemos benefícios substanciais em termos de crescimento", apontam. 

Lojas Renner (LREN3, R$ 36,84, -0,67%)
Em um dia negativo para o Ibovespa, a Lojas Renner registra leves quedas. No final do pregão da véspera, o BB Investimentos revisou recomendação para Lojas Renner de marketperform para outperform, além de rolar o preço-alvo de R$ 25,10 em 2017 para R$ 44,00 em 2018. 

De acordo com os analistas, a Lojas Renner negocia com um prêmio em comparação com os pares nacionais e internacionais, "o que, em nossa opinião, pode ser justificado pelo fato de que a empresa é o principal player no mercado brasileiro, com um nível de execução superior e maior rentabilidade em relação aos seus pares", ainda mais em meio a uma visão mais otimista quanto ao ambiente macroeconômico. 

Porto Seguro (PSSA3, R$ 36,84, -2,62%)
Após fazer um estudo detalhado sobre o setor de seguro de automóvel, focando no nível de penetração, idade da frota e loss ratio, os analistas do Credit Suisse reduziram a recomendação de Porto Seguro para underperform, com preço-alvo de R$ 33 por ação, representando um downside de 13%. "Revisamos nossas estimativas de médio prazo em 6% para baixo e agora estamos 11% e 4.5% abaixo do consenso em 2018-2019", afirmam os analistas, que enxergam os ativos negociando a um múltiplo de preço sobre lucro bem acima da média histórica, mesmo com as perspectivas não muito animadoras. 

Cosan (CSAN3, R$ 37,61, -1,49%)
Além da Porto Seguro, a Cosan também teve a sua recomendação cortada pelo Morgan Stanley, passando de overweight para equalweight. Já o preço-alvo foi elevado de R$ 35,00 para R$ 39,00. 

Recrusul (RCSL4, R$ 0,59, -3,28%)
A Recrusul convocou AGE para o próximo dia 24, às 16h, na sede da companhia em Sapucaia do Sul, no RS, para efetuar grupamento das ações de emissão da empresa na proporção de 2 ações para 1, segundo comunicado. A proposta prevê total de 19 milhões de ações após grupamento, de 39,1 milhões de ações antes.

 

Natura (NATU3, R$ 31,10, -2,05%)
A Natura vê como indevida decisão desfavorável de Câmara do Carf; a companhia aguarda publicação da “decisão desfavorável da Câmara Superior” do Carf sobre auto de infração lavrado em decorrência de amortização de ágio “para posterior apresentação de recurso ou adoção de medida judicial para cancelar a autuação”, que a cia. considera “indevida”, segundo comunicado.

O risco de perda é avaliado pelos seus assessores externos da cia. como “remoto”, razão pela qual não é esperado impacto financeiro como resultado dessa decisão, segundo o comunicado. Mais cedo, o Valor Econômico disse que a Natura perdeu disputa sobre ágio avaliada em R$ 732,15 milhões. 

 

CVC (CVCB3, R$ 42,50, +0,24%)
O Grupo CVC - dono das agências de viagem CVC, Experimento, Rextur Advance e Submarino - registrou no terceiro trimestre deste ano crescimento de 15,7% nas reservas confirmadas, que atingiram R$ 2,661 bilhões, quando comparado a igual período de 2016. Em comunicado ao mercado, a empresa diz que o aumento se deve principalmente ao forte crescimento dos segmentos internacional e marítimo.

Além disso, a empresa informou que adicionou no período 20 lojas da CVC Lazer, totalizando 107 aberturas nos últimos 12 meses. Também abriu 3 novas lojas da Experimento, totalizando 46 lojas ativas. De acordo com o BTG Pactual, os dados operacionais sustentam a visão positiva para as ações: os analistas possuem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 38,00. 

Eneva (ENEV3, R$ 12,15, +2,97%)
A Eneva levantou R$ 959,7 milhões em uma oferta subsequente na bolsa. A ação foi fixada em R$ 11,00, abaixo do piso da faixa indicativa que era entre R$ 13 e R$ 16, segundo o prospecto preliminar da oferta. Hoje, o papel da companhia fechou a R$ 11,80, com queda de 10,7%, no 4º pregão no negativo. 

A empresa obteve R$ 834,5 milhões na oferta primária e R$ 125,2 milhões na secundária, que envolveu ações do BTG Pactual, Itaú Unibanco, Ice Focus e Uniper, segundo o prospecto. As ações começam a ser negociadas em 9 de outubro na B3.  

 

(Com Agência Estado e Bloomberg)

 

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