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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta terça-feira

Confira em que se atentar na abertura do mercado brasileiro

SÃO PAULO - A terça-feira (3) tem como destaques a votação do "caso Aécio" no Senado, a produção industrial de agosto e também a fala do ministro de minas e energia Fernando Coelho Filho, que indicou a privatização da Petrobras deve acontecer, mas salientou que o movimento está "fora de cogitação" neste momento. "Acho que vai acontecer, é um caminho, mas não dá para tocar todas as agendas", disse no Roda Viva, da TV Cultura. Confira os destaques de hoje:

  1. Bolsas mundiais
    As bolsas europeias registram uma sessão próxima da estabilidade, enquanto o euro se recupera da retração acompanhada na véspera por conta do referendo da Catalunha. A tensão segue alta na região, que enfrenta uma greve geral, com o apoio dos principais sindicatos e organizações pró-independência, em protesto pela atuação policial do último domingo contra o referendo de independência. O governo da Catalunha realizou no último domingo um referendo separatista, declarado ilegal pelo Tribunal Constitucional. Participaram da consulta, de acordo com o executivo catalão, 2,2 milhões de pessoas.

Já na Ásia, as bolsas do continente encerraram os negócios desta terça-feira em alta, seguindo o tom positivo dos mercados de Nova York, que ontem fecharam em níveis recordes em reação a fortes dados da indústria manufatureira dos EUA. A bolsa de Hong Kong registrou a maior sessão de ganhos desde maio de 2016 impulsionado pelas ações de grandes bancos após o Banco Central Chinês anunciar que irá reduzir o compulsório bancário entre 0,5 e 1 ponto porcentual a partir de 2018, em seu primeiro corte desde março de 2016, com o objetivo de incentivar empréstimos para pequenas empresas. Já na China e na Coreia do Sul, as bolsas continuaram sem operar devido a um feriado que se estenderá até o fim da semana

Às 8h20 (horário de Brasília), este era o desempenho dos principais índices:

*CAC-40 (França) +0,17%

*FTSE (Reino Unido) +0,10%

*Nikkei (Japão) +1,05% (fechado)

*Hang Seng (Hong Kong) +2,25% (fechado)

*Petróleo WTI -0,28%, a US$ 50,44 o barril

*Petróleo brent -0,21%, a US$ 56,00 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -0,45%, a 445 iuanes

3. Produção industrial e redução de compulsório
A terça-feira terá como destaque os dados de produção industrial de agosto a serem revelados pelo IBGE às 9h (horário de Brasília). Os analistas de mercado esperam crescimento de 4,8% em agosto na comparação anual e espera estabilidade na passagem mensal. Se dado for confirmado, será maior expansão em termos anuais desde fevereiro de 2014. 

Vale destacar ainda uma matéria do jornal O Globo apontando que o Banco Central estuda reduzir compulsório de depósitos a prazo para adequar o mercado brasileiro a padrões internacionais de economias maduras e, por consequência, impulsionar o crescimento.

3. Votações no Senado
O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) afirmou que a votação sobre o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG), determinado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), está mantida para esta terça-feira, decisão que foi questionada por grande parte dos senadores.

Voltando à agenda do Senado, o Plenário também terá de votar  a Medida Provisória (MP) 782/2017, que reestrutura a organização administrativa do Executivo. A MP precisa ser votada até o dia 11 de outubro, quando perde a vigência. Entre as mudanças promovidas pela MP, está a garantia de status de ministério para a Secretaria-Geral da Presidência da República, comandada por Moreira Franco. 

Os senadores também vão analisar a proposta que veda coligações partidárias nas eleições proporcionais e estabelece normas sobre acesso dos partidos políticos aos recursos do fundo partidário e ao tempo de propaganda (PEC 33/2017). As matérias sobre reforma política precisam ser votadas com urgência para valerem já nas eleições de 2018. A legislação exige que as alterações nas regras eleitorais sejam efetuadas pelo menos um ano antes do pleito.

4. Lula e Datafolha
Em evento na noite da última segunda-feira (2) no Rio de Janeiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter ficado "estarrecido" com pergunta da pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira, em que aponta que 54% dos entrevistados acham que ele deveria ser preso: "a Folha de S.Paulo  faz uma pergunta com a seguinte frase: Você acha que o Lula deve ser preso em função das denúncias da Lava Jato? E 56% dizem que eu deveria ser preso. A pergunta não é essa. A Polícia Federal mente quando faz inquérito, o Ministério Público mente quando faz denúncia e o senhor Moro não deveria aceitar. Mas como está predestinado a não deixar Lula voltar, vai aceitar todas as mentiras", contestou.

Apesar do crescimento de Lula na pesquisa, a consultoria de risco político Eurasia Group apontou que o ex-presidente enfrentaria dificuldades muito grandes em qualquer eleição potencial de segundo turno. O crescimento relativo de Lula é visto como função de um ambiente pré-eleitoral onde as alternativas de candidatos são menos conhecidas, apontou a consultoria, afirmando que a posição dele provavelmente parece menos ruim em comparação aos eleitores que se beneficiaram mais dos ganhos econômicos durante o governo do PT - confira a análise completa clicando aqui. 

5. Noticiário corporativo
No noticiário corporativo, a Vale informou que o relatório de produção do terceiro trimestre será divulgado em 19 de outubro; já o balanço será divulgado dia 26, às 6h. Atenção ainda para a Oi: credores da companhia propõem R$ 29 bilhões em capitalização em novo plano de reorganização alternativa. 

Sobre a Petrobras, o CEO Pedro Parente afirmou que o IPO da BR Distribuidora pode ficar para o ano que vem caso falte condições de mercado. Atenção ainda para a entrevista do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, ao Roda Viva, da TV Cultura. Ele admitiu que a privatização da Petrobras deve acontecer, mas salientou que o movimento está "fora de cogitação" neste momento. "Acho que vai acontecer, é um caminho, mas não dá para tocar todas as agendas", disse.

Além disso, a Kroton comunicou estar em fases avançadas de negociação para aquisição de três empresas de educação básica e duas delas já estão, inclusive, em processo final de negociação e o Bradesco informou que a Corte Norte-Americana Distrital Sul de Nova York acolheu parcialmente pedido de extinção de ação coletiva ajuizada em 3 de junho de 2016 referente ao caso Zelotes. Já a Sabesp divulgou o novo cronograma de revisão tarifária. 

Por fim, no InfoTrade, destaque para recomendação de compra para as ações da Localiza (RENT3) - confira a análise completa.

(Com Bloomberg, Agência Senado, Agência Estado e Agência Brasil) 

Fernando Bezerra Coelho Filho
(Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

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