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Empréstimo bilionário da Petrobras, arbitragem no Pão de Açúcar, aumento de capital da Ser e mais 8 notícias

Confira os principais destaques de ações desta quarta-feira

SÃO PAULO - O clima de menor otimismo nos mercados internacionais e de maior cautela em nível doméstico com o noticiário político sinalizam uma sessão de menor apetite por riscos na bolsa brasileira, após o Ibovespa renovar máxima histórica mais uma vez. Além dos destaques macro, o noticiário das empresas também é movimentado, com os desdobramentos da prisão de Wesley Batista, o empréstimo da Petrobras junto ao Banco do Brasil, o aumento de capital da Ser Educacional, entre outras informações importantes aos investidores.

Confira os principais destaques no radar das empresas:

JBS (JBSS3)
Os papéis da companhia devem novamente repercutir eventos políticos e policiais envolvendo seus executivos. Poucos dias após Joesley Batista, a quarta-feira marca a prisão preventiva do irmão do executivo, Wesley Batista, sócio da JBS. A movimentação ocorre pela operação Acerto de Contas, segunda fase da Tendão de Aquiles, que também pediu a prisão de Joesley. Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Os executivos são investigados em inquérito sobre manipulação do mercado financeiro, referente ao suposto lucro obtido no mercado de câmbio antes da divulgação da delação premiada de executivos da J&F -- dia conhecido como "Friboigate", que marcou a revelação de áudio de conversa mantida pelo presidente Michel Temer com Joesley. A investigação também apura a realização de ordens de venda de ações da JBS por sua controladora, entre 24 de abril e 17 de maio.

Segundo a Polícia Federal, "há provas que os irmãos agiram pessoalmente para manipular ações do grupo no mercado". A suposta manipulação do mercado teria acarretado grandes prejuízos aos acionistas da companhia.

Petrobras (PETR3; PETR4)
A estatal informou um empréstimo de R$ 4,5 bilhões junto ao Banco do Brasil (BBAS3), com prazo de 1286 dias a taxas em condições de mercado, para financiamento de exportações. Ainda de acordo com a companhia, a BR Distribuidora liquidou antecipadamente notas de crédito à exportação emitidas em favor do BB. "Assim, essa nova captação não apresentou impacto no endividamento líquido consolidado da Petrobras, nem em seu perfil. Tal operação encontra-se alinhada à estratégia da Petrobras de promover a reestruturação societária da BR, conforme fato relevante divulgado em 25 de agosto de 2017", dizia o comunicado.

Ainda de acordo com a petrolífera, foi feito nesta terça-feira o pré-pagamento de financiamentos com o JPMorgan no valor total de US$ 1,13 bilhão, com vencimentos entre junho de 2019 e março de 2020. Simultaneamente, a companhia contratou um novo financiamento com a instituição, no valor de US$ 847,5 milhões e vencimento em 2022.

Por fim, a Petrobras informou que seu fundo de pensão, a Petros, apresentou um plano de equacionamento de déficit para seus planos, o PPSP (Plano Petros do Sistema Petrobras), que será de R$ 27,7 bilhões em 2017. Do montante total, a companhia vai arcar com R$ 12,8 bilhões; e a BR, com outros R$ 900 milhões. O restantes será pago pelos contribuintes a partir de dezembro. As avaliações são de que a medida afete 64 mil aposentados e 13 mil da ativa.

Azul (AZUL4)
Após as ações fecharem em queda de 5,23%, com volume financeiro quase 13 vezes acima da média registrada nos últimos 21 pregões, a companhia informou ao mercado que prepara uma oferta pública secundária de 40.630.186 ações. A operação pode movimentar ao menos R$ 1,074 bilhão, com base nas cotações de fechamento dos papéis desta terça-feira. Segundo fato relevante enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), estão entre os vendedores na oferta Saleb II Founder 1, Star Sbia, WP-New Air, ZDBR, Maracatu LLC, Trip Investimentos, Trip Participações e Rio Novo Locações Ltda. Nos bastidores do mercado, a oferta secundária já era alvo de especulações.

Ser Educacional (SEER3)
O conselho de administração da companhia aprovou um aumento do capital social em um montante entre R$ 236.586.672,00 e R$ 400.000.003,20, mediante a emissão, para subscrição privada, de um volume de ações que pode ir de 8.214.815 até 13.888.889, ao preço de emissão de R$ 28,80. Segundo a companhia, os recursos obtidos serão destinados ao "fortalecimento de capital", "incluindo o financiamento da expansão de seu negócio, por meio de: 1) aquisições; e 2) investimentos em seu crescimento orgânico, que engloba a expansão e infraestrutura de polos da rede de ensino à distância e investimentos para a instalação de novas unidades presenciais".

Na avaliação dos analistas do Itaú BBA, as expectativas são de uma reação negativa do mercado à notícia, “embora essas transações possam melhorar significativamente a liquidez da ação e financiar o crescimento futuro”. “Apesar de não descartarmos uma subida da ação até a conclusão da oferta secundária, recomendamos que os investidores participem da oferta primária”, escreveram em relatório a clientes. O Santander vê a ação pressionada no curto prazo, devido à oferta. “Vemos o anúncio como ligeiramente positivo, pois o uso dos produtos pode ser direcionado para uma M&A adicionadora de valor, dado o histórico decente”, escreveram os analistas. Além disso, eles argumentam que o aumento de capital privado e um potencial block trade poderia trazer liquidez adicional para a ação.

Grupo Pão de Açúcar (PCAR4)
A Península pediu arbitragem da Câmara de Comércio Brasil-Canadá para discutir o cálculo do valor locatício e outras questões operacionais relacionadas às lojas de propriedade do grupo, objeto de diversos contratos de locação e acordos celebrados no decorrer de 2005. Conforme comunicado ao mercado, contratos asseguram à GPA uso e exploração comercial dos imóveis por 20 anos a contar da sua celebração, renováveis por mais 20 anos, a critério exclusivo da GPA, e regulam o cálculo dos valores de locação. Ainda segundo a companhia, o procedimento trata de questões derivadas da aplicação dos contratos e não afeta a continuidade das locações, contratualmente asseguradas. O GPA disse ainda entender que "as pretensões da Península são infundadas e acredita que o procedimento será julgado favoravelmente”.

Magazine Luiza (MGLU3)
Após anunciar uma oferta bilionária de ações e ver seus papéis despencarem na Bolsa na véspera, a companhia diz que pretende abrir 60 lojas ainda neste ano, mas que nenhuma deverá ser no Rio de Janeiro -- estado que a empresa ainda não está presente. Conforme noticiou o jornal O Globo, em evento na Associação Comercial do Rio, Luiza Trajano, presidente do conselho do Magazine Luiza, diz que as aberturas serão concentradas no Nordeste, por conta da recente compra de uma rede. Sobre a ausência de unidades no Rio de Janeiro, apesar das 818 lojas espalhadas pelo país, a executiva fez um comentário: "Minha tia, quando viajava com empresários do varejo para o Rio, ficou impressionada com a quantidade de roubos de carga, e morre de medo".

Eletropaulo (ELPL4)
Em assembleia geral extraordinária, os acionistas da companhia aprovaram a admissão da companhia elétrica no Novo Mercado.

Klabin (KLBN4)
A empresa confirmou a emissão de US$ 500 milhões em green bond, com cupom de 4,785% e vencimento em 19 de setembro de 2027. Segundo a companhia, os títulos serão distribuídos em operações isentas de registro nos Estados Unidos para investidores institucionais qualificados. Os recursos captados serão destinados a projetos que reforçam a atuação sócio-ambiental da empresa.

CVC Brasil (CVCB3)
O conselho de administração da companhia aprovou a segunda emissão das debêntures simples, não conversíveis em ações. Segundo comunicado ao mercado, os papéis terão valor unitário de R$ 1 mil na data de emissão, totalizando o montante de até R$ 600 milhões. A CVC Brasil diz que "os recursos captados serão totalmente destinados ao reforço de capital da emissora, com o objetivo de cobrir necessidades de capital de giro e, eventualmente, pagamento de dívidas".

Recomendações
As ações da Localiza (RENT3) foram rebaixadas de "compra" para "manutenção" pelos analistas do HSBC. Já os papéis do IRB Brasil Resseguros (IRBR3) tiveram cobertura iniciada pelo Itaú BBA, com recomendação de "market perform".

Petrobras - Bloomberg
(Bloomberg)

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