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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta quarta-feira

Confira em que se atentar na abertura do mercado brasileiro

SÃO PAULO - As turbulências da política devem voltar a guiar os mercados no pregão desta quarta-feira, após o Ibovespa renovar sua máxima histórica e chegar a testar o patamar dos 75 mil pontos na véspera. No radar, vale destacar a prisão do empresário Wesley Batista em investigação por suposta manipulação do mercado, a possível apresentação de uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer e as tentativas de avançar as discussões sobre a reforma política na Câmara. Na pauta econômica, destaque para os dados de estoque e preços ao produtor nos Estados Unidos, enquanto o furacão Irma perde ainda mais força e as atenções ao cenário geopolítico diminuem.

Confira ao que se atentar neste pregão:

1. Bolsas mundiais
O rali que impulsionou altas nos grandes mercados internacionais, em meio ao dados animadores da economia chinesa e a perda de forças do furacão Irma, reduz sua intensidade neste pregão. Na Ásia, o dia foi entre perdas e ganhos, com os investidores adotando tom moderado após as movimentações de olho nos desdobramentos geopolíticos envolvendo a Coreia do Norte. Tom similar é visto nas bolsas europeias, onde o FTSE lidera as perdas, ao passo que DAX e CAC operam praticamente estáveis.

Às 8h10 (horário de Brasília), este era o desempenho dos principais índices:

*CAC-40 (França) -0,01%

*FTSE (Reino Unido) -0,20%

*DAX (Alemanha) 0,0% 

*Hang Seng (Hong Kong) -0,28% (fechado)

*Xangai (China) (fechado) +0,18% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,45% (fechado)

*Petróleo WTI +0,89%, a US$ 48,66 o barril

*Petróleo brent +0,74%, a US$ 54,67 o barril

*Minério de ferro spot (à vista) no porto de Qingdao, na China, +0,25%, a US$ 76,56 a tonelada

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -0,37%, a 534 iuanes

2. Prisão de Wesley Batista
A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta quarta-feira (13), em São Paulo, pedido de prisão preventiva de Wesley Batista, sócio da JBS e irmão do empresário Joesley, preso no fim de semana. A movimentação ocorre pela operação Acerto de Contas, segunda fase da Tendão de Aquiles. Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Há também uma ordem de prisão contra o empresário Joesley, que já está preso temporariamente por ordem do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

Os executivos são investigados em inquérito sobre manipulação do mercado financeiro, referente ao suposto lucro obtido no mercado de câmbio antes da divulgação da delação premiada de executivos da J&F -- dia conhecido como "Friboigate", que marcou a revelação de áudio de conversa mantida pelo presidente Michel Temer com Joesley. A investigação também apura a realização de ordens de venda de ações da JBS por sua controladora, entre 24 de abril e 17 de maio.

Segundo a Polícia Federal, "há provas que os irmãos agiram pessoalmente para manipular ações do grupo no mercado". A suposta manipulação do mercado teria acarretado grandes prejuízos aos acionistas da companhia.

3. Agenda de indicadores
Enquanto na agenda doméstica o mercado acompanha a divulgação, às 12h30 (horário de Brasília), dos dados do fluxo cambial semanal, no exterior, os investidores devem se atentar ao índice de preços ao produtor nos Estados Unidos, a ser revelado às 9h30, aos números dos estoques de petróleo, às 11h30, e aos dados do varejo e produção industrial chineses referentes ao mês de agosto, às 23h.

4. Radar político
Enquanto o mundo político ainda digere a autorização de abertura de um novo inquérito contra o presidente Michel Temer, parlamentares tentam avançar na votação dos termos da reforma política. Uma das manobras tentada é a aprovação de um novo fundo público de financiamento de campanha em uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) alheia às duas que já estão sendo discutidas hoje em plenário.

Ontem, o plenário da Câmara aprovou a Medida Provisória 780/17, que cria o Programa de Regularização de Débitos não Tributários (PRD) para parcelar dívidas de pessoas físicas e empresas com autarquias, fundações públicas federais e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. De acordo com o relatório do senador Wilder Morais (PP-GO), foi reduzida a entrada para quem optar pela renegociação em duas parcelas (será de 40% em vez de 50% do débito consolidado). A segunda prestação terá redução de 90% dos juros, da multa de mora e das multas aplicadas pela ausência de recolhimento de receitas públicas. Além dessa opção existem outras três modalidades de renegociação. Além disso, o relator determinou que o pagamento da primeira parcela, em qualquer modalidade, quitará proporcionalmente todos os componentes da dívida consolidada (principal, multas e juros).

Também é esperado para esta quarta-feira a apresentação de uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer pelo procurador-geral Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal. A movimentação de Janot deverá ter como efeito prático atrasar ainda mais a votação da agenda de reformas do governo.

5. Noticiário corporativo
Do lado das empresas, a Petrobras informou um empréstimo de R$ 4,5 bilhões feito com o Banco do Brasil e o fundo de pensão Petros aprovou um equacionamento. Após ver suas ações caírem mais de 5% com volume muito acima da média, a Azul confirmou que acionistas farão oferta de 40,6 milhões de papéis. Do lado das recomendações, a Localiza viu seus papéis serem rebaixados para o status de "manutenção" pelos analistas do HSBC.

Wesley Batista
(Divulgação)

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