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Ibovespa deixa tensão geopolítica para trás e fecha semana em alta após dado fraco nos EUA

Índice ganhou força na tarde desta sexta-feira seguindo mercado externo após três sessões de queda

SÃO PAULO - Deixando de lado o clima de aversão ao risco e reagindo após três sessões consecutivas de queda, o Ibovespa subiu nesta sexta-feira (11) seguindo Wall Street após o resultado abaixo do esperado da inflação ao consumidor nos EUA em julho, o que eleva a probabilidade do Federal Reserve seguir com sua política monetária expansionista. O dia também foi de maior alívio no mundo todo após a tensão dos últimos dias em relação à disputa entre EUA e Coreia do Norte.

O benchmark da bolsa brasileira fechou com alta de 0,55%, aos 67.358 pontos, deixando para trás um pouco a tensão geopolítica do exterior, enquanto se prepara para a agitação em Brasília na próxima semana. O volume financeiro ficou em R$ 7,629 bilhões. Com estes ganhos, o índice conseguiu encerrar a semana com alta de 0,69%. O dólar comercial, por sua vez, recuou 0,05%, para R$ 3,1741 na venda, enquanto o dólar futuro com vencimento em setembro ficou estável em R$ 3,188.

O CPI (Consumer Price Indexes) do mês passado marcou inflação de 0,1%, enquanto o mercado esperava crescimento de 0,2% para o período. Na avaliação de Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, apesar do mercado de trabalho norte-americano apresentar força, o resultado ainda não gera impacto concreto na inflação e "dificilmente deve gerar no curto prazo". Segundo Vieira, o Fed deve elevar sua taxa básica de juros por volta do final do primeiro trimestre de 2018 e concentrar suas ações na redução de liquidez do programa de estímulos, que, segundo a própria Janet Yellen, deve ser bastante gradual.

Apesar disso, o mercado segue atento ao clima de guerra entre EUA e Coreia do Norte. Pela manhã, Donald Trump, anunciou que as instalações militares norte-americanas estão prontas para serem usadas em uma guerra contra a Coreia do Norte: "as medidas militares estão a postos caso a Coreia do do Norte aja com imprudência. Esperamos que Kim Jong-un encontre uma outra saída", escreveu o presidente dos EUA em seu Twitter.

Na noite da última quinta-feira (10), Trump afirmou que a ameaça de “fogo e fúria” feita à Coreia do Norte na terça-feira talvez não tenha sido “dura o suficiente” e que se o líder norte-coreano, Kim Jong-un, ordenar o ataque ao território norte-americano na ilha de Guam terá como resposta algo nunca visto antes

Resultado Petrobras: decepção ou solidez?
A Petrobras (PETR3; PETR4) encerrou o segundo trimestre deste ano com lucro líquido de R$ 316 milhões, enquanto os analistas de mercado esperavam por um lucro de R$ 1,186 bilhão. A receita recuou 6% frente ao mesmo período do ano passado, enquanto o Ebitda ajustado amargou queda 6,6% na mesma base de comparação. Apesar da queda na comparação anual e a reação negativa das ações, tanto o presidente da companhia, Pedro Parente, quanto os analistas de mercado elogiaram os números. Neste momento, as ações da estatal recuam cerca de 1%.

Parente afirmou que o lucro foi “bastante expressivo“ e só não foi maior por conta de fatores não recorrentes. Já os analistas do Itaú BBA destacaram os esforços da empresa em reduzir custos e o time do Santander apontou que os números operacionais foram sólidos, mesmo ficando abaixo das estimativas do banco devido aos resultados de exploração e produção mais baixos do que o esperado. Os analistas do banco ainda ressaltam que as vendas de ativos continuam sendo um catalisador importante para as ações e principal driver para o processo de desalavancagem.

Destaques do mercado
Do lado positivo, destaque para as ações da Kroton (KROT3), após o presidente da empresa, Rodrigo Galindo, afirmar em entrevista que a companhia irá focar em crescimento orgânico e aquisição de pequenas concorrentes. Na outra ponta, os papéis da Vale recuaram na esteira do minério de ferro depois da China alertar sobre movimento "irracional" dos contratos futuros de aço.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 JBSS3 JBS ON 8,40 +5,66 -26,08 61,95M
 KROT3 KROTON ON 16,01 +5,33 +21,78 265,06M
 BRFS3 BRF SA ON 41,05 +5,26 -14,92 302,35M
 CPLE6 COPEL PNB 26,50 +4,95 +0,60 47,71M
 CSNA3 SID NACIONALON 8,47 +3,80 -21,94 101,91M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 VALE3 VALE ON 30,92 -1,84 +32,96 233,01M
 PETR4 PETROBRAS PN 12,95 -1,82 -12,91 548,68M
 GGBR4 GERDAU PN 11,29 -1,48 +4,54 64,97M
 BRAP4 BRADESPAR PN 23,69 -1,29 +63,47 56,73M
 CCRO3 CCR SA ON 16,40 -1,20 +3,93 146,20M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 12,95 -1,82 548,68M 421,83M 31.474 
 BRFS3 BRF SA ON 41,05 +5,26 302,35M 90,78M 17.397 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 39,25 +0,51 285,16M 367,56M 17.064 
 KROT3 KROTON ON 16,01 +5,33 265,06M 129,13M 28.582 
 VALE5 VALE PNA 28,96 -0,65 240,73M 472,91M 16.747 
 VALE3 VALE ON 30,92 -1,84 233,01M 192,61M 23.722 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 31,67 +0,89 232,03M 288,18M 19.927 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,52 +0,62 219,77M 183,18M 26.029 
 BBAS3 BRASIL ON 30,90 -0,06 155,00M 187,10M 12.648 
 CCRO3 CCR SA ON 16,40 -1,20 146,20M 86,81M 22.950 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Meta fiscal e novas "ameaças"
O governo adiou o anúncio da nova meta, e de acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg, deve fazer o pronunciamento sobre o novo déficit na próxima segunda-feira junto com medidas de ajuste fiscal e de incremento de receita. Segundo uma das fontes ouvidas pela agência, o presidente Temer quer mais clareza quanto à arrecadação proveniente do novo Refis e equipe econômica deve apresentar proposta alternativa para ser analisada pelo Congresso.

O governo ainda vai adiar reajuste de servidores públicos para 2019 e espera economizar R$ 9,7 bilhões com a medida em 2018; o reajuste estava inicialmente previsto para o início de 2018, além de pretender limitar o salário inicial de servidores públicos. Contudo, segundo informa o Estadão, o presidente do Senado Eunício Oliveira (PMDB-CE) disse a Temer que a revisão da meta enfrentará resistências no Congresso.

Entre outras dificuldades para o presidente, um dia após usar a votação da reforma da Previdência e da agenda econômica do governo na Câmara como forma de pressão, partidos do Centrão ameaçaram não barrar uma eventual segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente, diz o Estadão.

O grupo quer que o governo redistribua os cargos na administração federal que estão nas mãos dos chamados “infiéis” para os que votaram majoritariamente para barrar a primeira denúncia por corrupção passiva contra o peemedebista na Câmara, na semana passada. Além disso, informa a Folha, integrantes da tropa de choque de Temer na Câmara já avisaram ao presidente que não dará para votar a reforma da Previdência no prazo que o governo espera — até outubro.

Entre tantas notícias ruins para o presidente, houve uma boa para ele. O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), negou a inclusão do presidente Michel Temer no inquérito que apura se deputados do PMDB formaram uma organização criminosa que atuou na Petrobras e na Caixa. A decisão também vale para os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência).

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