Em mercados / acoes-e-indices

Calls do "Visão Técnica" disparam até 6%, varejista salta 14% em 2 dias e só 5 ações do Ibovespa caem hoje

Confira os principais destaques de ações da bolsa nesta sessão

Gol Linhas Aéreas - Bloomberg
(Dado Galdieri)

SÃO PAULO - Em mais semana importante no campo político, com os investidores acompanhando a tramitação da denúncia contra o presidente Michel Temer em comissão na Câmara dos Deputados e o possível desembarque de mais aliados da base governista, o Ibovespa fechou em alta expressiva de 1,13%, a 63.025 pontos. A leitura é que o mercado parece não se importar muito com a possibilidade de que Rodrigo Maia assuma a Presidência, seguindo a ideia de que ele iria manter a equipe econômica. 

Em dia de bom humor no mercado, apenas 5 das 58 ações do Ibovespa fecharam no negativo, com a Eletrobras aparecendo como a maior queda, após forte alta na semana passada na esteira da proposta do governo de ampla reforma no setor elétrico. Do lado positivo, destaque para as ações da Vale e siderúrgicas, que acompanharam a alta do minério de ferro nesta sessão; além delas, a Cemig figurou entre as maiores altas do índice, com ganhos de mais de 2%, após atualização do programa de desinvestimentos. 

Fora do índice, destaque para duas ações que foram recomendadas no programa "Visão Técnica", da InfoMoneyTV, na última sexta-feira e dispararam até 6% nesta sessão.

Confira abaixo os principais destaques de ações desta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 12,70, +0,16%; PETR4, R$ 11,98, +0,42%)
As ações da Petrobras fecharam em poucos ganhos, após queda de quase 2% nesta manhã, com a virada para cima dos preços do petróleo ajudando a ofuscar uma decisão desfavorável para a companhia em Nova York. Lá fora, os contratos futuros do petróleo WTI subiam 0,47%, a US$ 44,44 o barril, enquanto os futuros do Brent registravam alta de 0,45%, a US$ 46,92 o barril.

No radar, a companhia sofreu um revés significativo na disputa com investidores nos Estados Unidos. O Tribunal Federal de Apelações do Segundo Circuito rejeitou o principal ponto da apelação da companhia, e manteve a ação coletiva contra a estatal no Tribunal do Distrito Sul de Nova York. A Petrobras defendia a extinção do litígio.

O julgamento do mérito da ação coletiva - ao menos em relação aos investidores que negociaram recibos de ações da estatal (ADRs) da companhia- poderá finalmente ser retomado, depois de ter sido suspenso em agosto, destaca o Valor Econômico. A Petrobras ganhou tempo ao apelar com base em questões técnicas, mas o processo vai voltar à corte do juiz Jed Rakoff, que foi duro em suas análises desde o início da tramitação da ação, em dezembro de 2014.

Segundo analistas do Itaú BBA, a retomada do julgamento da ação ligeiramente negativa para as ações da petroleira, uma vez que as expectativas do investidor sobre este assunto estavam adormecidas e provavelmente haverá fluxo de notícias negativo sobre o potencial resultado/acordo para o próximo mês. Eles, contudo, reiteraram recomendação "outperform" (desempenho acima da média) para a ação, com preço justo em R$ 18,50.

Além disso, a companhia anunciou hoje sua quinta revisão de preço de combustíveis desde que passou a adotar a política de reajustes diários, no dia 30 de junho. A partir da meia-noite da próxima terça-feira (11), a gasolina estará 2% mais barata nas refinarias da estatal e o óleo diesel, 1,7%. Das cinco revisões, quatro foram para baixar os preços. Na manhã de sexta-feira (7), a empresa havia divulgado redução de 0,7% para gasolina e 0,2% para o diesel. 

Vale (VALE3, R$ 29,71, +2,84%; VALE5, R$ 27,63, +2,18%)
As ações da Vale viraram para alta nesta sessão, acompanhando os preços do minério de ferro. Hoje, a commodity negociada no porto de Qingdao, na China, subiu 1,99% a US$ 64,05 por tonelada, enquanto os contratos futuros de minério negociados na Bolsa de Mercadorias de Dalian avançaram 1,48%, a US$ 70,56 por tonelada (ou 480 iuanes).

Veja mais: Vale e siderúrgicas podem ser as grandes apostas na bolsa para o 2° semestre; Petrobras indica venda (leia aqui)

Seguiram o movimento positivo as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 21,33, +2,35%) - holding que detém participação na Vale - e as siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4, R$ 11,02, +2,42%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,30, +1,15%), Usiminas (USIM5, R$ 4,92, +1,44%) e CSN (CSNA3, R$ 7,27, +1,11%).   

Taesa (TAEE11, R$ 22,96, +3,80%)
As units da Taesa subiram forte nesta sessão apesar do Credit Suisse ter reiniciado cobertura da empresa com recomendação "underperform" (desempenho abaixo da média) e preço-alvo em R$ 21,00. 

Os analistas comentam que o mercado sempre pagou um prêmio grande para o papel da empresa e que seria um crescimento bastante agressivo para justificar esse preço. "Reconhecemos que o mercado tem estado em busca de papéis defensivos e que Taesa se encaixava muito bem nesse perfil". Contudo, ressaltam, o cenário hoje para a empresa é diferente, com dois "triggers" negativos de curto prazo. São eles: 1) IGP-M muito baixo que deve pressionar o resultado IFRS e os dividendos de curto prazo; 2) potencial desinvestimento da Cemig.

Em relação ao primeiro fator, eles esperam que a empresa entregue R$ 600 milhões em dividendos daqui para frente, o que representaria uma queda de 30% na comparação anual, marcando o fim da fase de "dividend yield" acima de dois dígitos. A projeção deles é que o "dividend yield" esteja atualmente perto dos 8%, enquanto a Bloomberg indica 11,5% para o papel em 2017.

"Para conseguir entregar o valor sugerido pelo consenso a empresa precisaria pagar R$ 900 milhões de dividendos, nível semelhante a 2016. Mas acreditamos que, mesmo que a Taesa mantenha 100% de distribuição do lucro líquido, esse não deve ser o caso", comentam. 

Sobre o segundo ponto, eles veem uma possibilidade real de um "block trade" da Cemig, que poderia movimentar cerca de R$ 1,2 bilhão em units da empresa, depois do plano de desinvestimento anunciado pela elétrica mineira no mês passado.

Recomendações do "Visão Técnica"
Duas ações recomendadas pelo analista Leonardo Dutra, da Rico Corretora, no programa "Visão Técnica" da última sexta-feira subiram até 6% nesta sessão. Foram elas: Gol (GOLL4, R$ 9,16, +5,90%) e Sanepar (SAPR4, R$ 10,47, +2,35%). 

No programa, Dutra indicou a compra de Sanepar por antecipação de uma possível formação de OCOI (Ombro-Cabeça-Ombro Invertido), com alvo no teste do topo do gráfico semanal, em R$ 14,59, o que daria um potencial de valorização de cerca de 40% na operação. 

Já sobre a Gol, ele comentou a ação acionava compra acima dos R$ 8,39 (lembrando que hoje o papel já abriu a R$ 8,85), que abriria espaço para a continuidade da tendência de alta no gráfico semanal, o que poderia puxar a ação até os R$ 11,40, um potencial de ganhos de 36% (veja aqui a análise completa).

No radar da Gol, vale menção que o papel ganhou força recentemente na bolsa (alta de 22% nos últimos 4 pregões) na esteira de dados prévios positivos do 2° trimestre e revisão de recomendações para compra pelo Bank of America Merrill Lynch (leia mais). Além disso, hoje, a empresa informou seus dados operacionais de junho, com expansão de 2,9% na taxa de ocupação doméstica da companhia na comparação anual.

Já o volume total de decolagens caiu 5,7% no mês passado em relação ao mesmo período de 2016, com queda de 5,6% dos assentos disponibilizados e uma
consequente queda de 6,4% na oferta. A demanda caiu 2,5% no mesmo período.  

A empresa informou ainda que a taxa de ocupação subiu para 79% na comparação anual, 2,9% acima do número de junho de 2016. A oferta no mercado internacional em junho recuou 19% na base anual, acompanhando a queda da demanda de 14,4% no mesmo período. A taxa de ocupação subiu para 70,1% na base anual, crescimento de 3,8% em relação ao mesmo mês de 2016.

Magazine Luiza (MGLU3, R$ 297,82, +4,32%)
As ações da Magazine Luiza disparam 14% nos últimos dois pregões, após analistas se mostrarem otimistas com o 2° trimestre da varejista.

Em relatório da última sexta-feira, os analistas do BTG Pactual projetaram mais um trimestre de forte resultado. Vale destacar que a Magazine Luiza foi avaliada nesta sexta-feira no evento da Carteira InfoMoney. Nos minutos finais do programa, há uma análise sobre o impacto da queda dos juros no desempenho das ações da empresa (veja aqui).

De acordo com o banco, apesar do momento ruim da economia, com o alto nível de desemprego e os impactos na confiança por conta da crise política, a empresa deverá apresentar crescimento anual de 50% no segmento de e-commerce, sendo que as "vendas mesmas lojas" consolidadas deverão crescer 22% na passagem anual. Vale lembrar que a empresa publicará seu resultado referente ao segundo trimestre em 31 de julho, após o fechamento do mercado.

BRF (BRFS3, R$ 37,33, -0,24%)
A Citi Corretora cortou nesta segunda-feira a recomendação das ações da BRF para neutra. 

Alpargatas (ALPA4, R$ 13,81, -1,07%)
De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, a J&F Investimentos encerrou as conversas para a venda de sua participação majoritária na Alpargatas para o grupo formado por Cambuhy Investimentos e Itaúsa Investimentos (ITSA4) por conta de diferenças em relação ao preço. 

Segundo a fonte, a J&F não cedeu à pressão da Cambuhy Investimentos e da Itaúsa para que reduzisse o preço pedido por sua fatia controladora de 86 por cento na Alpargatas ao término do período de exclusividade das negociações, no domingo. A fonte se recusou a informar o tamanho da diferença de preço. Mais cedo no domingo, a Reuters noticiou que Cambuhy e Itaúsa haviam oferecido entre R$ 3,3 bilhões e R$ 3,5 bilhões  pela Alpargatas.  Cambuhy, Itaúsa e Bradesco não comentaram. A J&F não tinha um comentário de imediato sobre o assunto.

JBS (JBSS3, R$ 6,46, +1,89%)
A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições o acordo da JBS para a venda de suas operações de carne bovina no Paraguai, Uruguai e Argentina por US$ 300 milhões ao Grupo Minerva. A decisão do Cade está publicada em despacho no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira.

O aval do órgão antitruste ocorre mesmo com a proibição do negócio na esfera judicial. No mês passado, o juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, barrou a transação por considerar, entre outros aspectos, “prematura qualquer decisão judicial de liberar a venda de ações requerida, bem como das medidas cautelares”, porque haveria, até agora, “fragilidade das provas apresentadas” pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, sobre propinas pagas a políticos com foro privilegiado.

Os advogados dos empresários recorreram ao Supremo Tribunal Federal para reverter a decisão de Leite, porém não obtiveram sucesso. Na semana passada, o ministro da Corte Edson Fachin rejeitou o pedido de medida liminar feito pela JBS. Na ocasião, os empresários informaram que irão recorrer da decisão de Fachin. Pelo acordo aprovado pelo Cade, a transação entre JBS e Minerva ocorrerá por meio de subsidiárias dos dois grupos. Assim, a Pul Argentina, o Frigomerc e a Pulsa, controladas pelo Minerva, vão adquirir a totalidade das ações das subsidiárias da JBS que são detentoras das operações de carne bovina na Argentina (JBS Argentina), Paraguai (JBS Paraguay e Indústria Paraguaya Frigorífica) e Uruguai (Frigorífico Canelones).

Quando do comunicado ao mercado, a JBS informou que pretende utilizar os recursos obtidos com a transação para diminuir sua alavancagem financeira. O negócio foi fechado como parte dos movimentos do grupo J&F, controlador da JBS, para levantar recursos e sanar eventuais problemas de liquidez de curto prazo após os donos da holding fecharem acordo de leniência com o Ministério Público Federal que fixa uma multa de R$ 10,3 bilhões. A empresa tem uma dívida de R$ 18 bilhões a vencer no curto prazo. 

Cemig (CMIG4, R$ 8,47, +1,80%)
A Cemig atualizou programa desinvestimentos, totalizando R$ 8,05 bilhões. O valor patrimonial dos ativos incluídos no programa era de R$ 6,56 bilhões no anúncio anterior, de 1 de junho. Contudo, os ativos incluídos no programa continuam os mesmos. Ativos do programa são Taesa, Transmineiora, Santo Antônio, Renova, Light, Gasmig, Cemig Tel,ecom, Norte Energia e consórcios de exploração de gás.

O valor de mercado da Light foi o que mais subiu em relação ao comunicado anterior, de R$ 530 milhões para R$ 2,06 bilhões. A Cemig fará teleconferência sobre o programa de desinvestimentos nesta segunda-feira, às 9h30. 

CPFL (CPFE3, R$ 26,59, +0,57%)
A State Grid decidiu seguir só com OPA de alienação de controle, informa a CPFL. A CVM havia solicitado que State Grid protocolasse os laudos de avaliação relacionados às ofertas públicas de aquisição de ações para cancelamento de registro e para saída do Novo Mercado de cada companhia, CPFL Energia e CPFL Renováveis, e, alternativamente, documentação ajustada das ofertas prevendo apenas as OPAs por alienação direta de controle da CPFL Energia e por alienação indireta de controle da CPFL Renováveis, segundo comunicado ao mercado.

Os documentos referentes às OPAs de cada uma das companhias serão ajustados de modo refletir a decisão, disse o comunicado. A documentação deve ser apresentados à CVM até 12 de julho. 

Lista do BofA para o 3° trimestre
Os analistas do Bank of America Merrill Lynch Felipe Hirai, Nicole Inui e Carlos Peyrelongue, atualizaram nesta segunda-feira a sua carteira de investimentos para a América Latina de olho no terceiro trimestre de 2017, baseada em ações que eles acreditam que terão boa ou má performances no período. Dentre as dez ações, seis são recomendações de compra e quatro de venda, com uma quase predominância brasileira.

Entre as seis recomendações outperform (desempenho acima da média do mercado), cinco são brasileiras. São elas:  Bradespar (BRAP4, R$ 21,33, +2,35%), Cemig (CMIG4, R$ 8,52, +2,40%), MRV (MRVE3, R$ 13,21, +0,38%), Rumo (RAIL3, R$ 8,81, +0,11%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,92, +1,44%). A outra é a Cemex. Por outro lado, três "ideias" são underperform: B2W (BTOW3, R$ 11,63, +3,01%), Copel (CPLE6, R$ 26,00, +4,00%) e Natura (NATU3, R$ 25,34, +2,30%). A outra ideia "underperform" é a CMPC (veja aqui a análise completa). 

Cemig (CMIG4, R$ 8,52, +2,40%)
As ações da Cemig apareceram entre as 10 maiores altas do Ibovespa nesta sessão, após a elétrica mineira ter atualizado seu programa de desinvestimentos, totalizando R$ 8,05 bilhões (frente R$ 6,56 bilhões anteriormente).

Em relatório sobre o anúncio, o analista Raul Grego Lemos, da Eleven Financial, reiterou recomendação neutra para a ação, citando que a empresa ainda enfrenta diversas dificuldades e uma estrutura de capital muito endividada.

"Pressionada por uma dívida de R$ 10 bilhões, que vence até dezembro de 2018, a Cemig tenta renegociar com bancos credores o alongamento de sua dívida, ensaia a  emissão de eurobonds e tenta vender ativos. O que há de concreto, por enquanto, é que a geração de caixa não será suficiente para a amortização da dívida que vence nos próximos 12 meses", escreveu.

Oi (OIBR4, R$ 3,31, 0,0%)
A Bloomberg destaca hoje que a reestruturação judicial da Oi fica refém da paralisia no governo. A demora na aprovação da nova Lei Geral de Telecom e da medida provisória que permite à Anatel ampliar o prazo de pagamento da dívida multibilionária da Oi com a agência e trocar parte da dívida por investimentos colocaram as discussões da companhia, seus acionistas, credores e potenciais investidores em um impasse.

Os potenciais investidores estão relutantes em colocar dinheiro novo na empresa sem um acordo com a Anatel, sua maior credora, segundo uma pessoa próxima às discussões. “Não acontece nada, realmente”, disse Juarez Quadros, presidente da Anatel, em entrevista por telefone de Brasília. 

“Não se vê nada, não se escuta nada, não se fala nada. E com isso nós ficamos aqui sem poder saber e orientar nada e dizer nada a respeito”
Enquanto os membros do Congresso se concentram em tentar salvar o mandato de Temer e, em muitos casos, os seus próprios, votações importantes se perderam no limbo e isso pode impedir a Oi de chegar a um acordo com os credores para reestruturar sua dívida de R$ 65 bilhões e evitar a falência. 

Cosan (CSAN3, R$ 33,35, +0,45%)
A Raízen Energia, joint venture da Cosan e da Shell, aceitou as condições impostas pelos credores da Tonon Bioenergia, que está em recuperação judicial, para a aquisição das usinas de Santa Cândida e Paraíso. Para a compra ser concluída restam agora trâmites legais, incluindo aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A Raízen fez uma proposta vinculante pelas duas usinas da Tonon no mês passado, por 823 milhões de reais. 

Rossi (RSID3, R$ 7,16, -0,14%)
A Rossi informou na sexta-feira que o presidente-executivo da companhia, João Paulo Rossi Cuppoloni, elevou participação da empresa para cerca de 10% das ações ordinárias. A movimentação ocorreu com a transferência dos papéis antes detidos pelo pai de João Paulo e fundador da Rossi, João Rossi Cuppoloni. 

Contato