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O Brasil é como "House of Cards" sob efeito de ácido, diz diretor do BTG Pactual

Em entrevista ao Financial Times, Steve Jacobs se mostrou otimista sobre a situação de André Esteves e ainda disse ter esperança de que Temer não irá cair

SÃO PAULO - Os últimos anos têm sido bastante conturbados para o Brasil, que vive uma reviravolta política atrás da outra, levando o País a ser destaque quase toda semana nas publicações internacionais. Desta vez, em entrevista ao Financial Times, foi a vez do diretor do BTG Pactual, Steve Jacobs, comentar o cenário por aqui.

Segundo ele, que é presidente-executivo da divisão de administração de ativos do BTG Pactual e membro do comitê executivo de 10 integrantes que comanda a companhia, o Brasil é como "House of Cards sob efeito de ácido", em uma referência à série da Netflix sobre política.

A publicação lembra que entre essas reviravoltas da política nacional, o banqueiro e fundador do BTG, André Esteves, acabou detido em 2015 sob acusações de obstruir uma investigação quanto a propinas na Petrobras. Segundo a matéria, os papéis do banco já caíram 60% desde a máxima. "Houve uma venda acelerada de ativos, entre os quais carteiras de crédito e uma subsidiária de private banking na Suíça, e os clientes fugiram o mais rápido que podiam", diz o texto.

Os ativos da administradora de fundos de hedge do BTG caíram em 97%, de US$ 5 bilhões para US$ 150 milhões, e a divisão de fundos mútuos da instituição viu reduzido em quase 50% o capital que tinha sob administração, lembra o Financial Times. Apesar dos problemas, Jacobs se mostra otimista e diz que Esteve está confiante de que sua inocência será provada.

"Ele é um grande amigo, e tenho muita, muita esperança de que em breve surjam provas de que é completamente inocente. Mas isso é um assunto de menor importância para o BTG", diz Jacobs. A matéria diz que o executivo não mostra sinais de irritação quando questionado se os problemas de Esteves prejudicaram os negócios do banco, ou se eles continuam a desestimular os investidores.

"Ele minimiza o problema, dizendo que o assunto da prisão de Esteves era muito mencionado em 2016, mas que a maioria dos investidores deixou a questão para trás", afirma a matéria. "Isso literalmente é uma não questão no momento", diz o diretor ao Financial Times.

Sobre o atual momento, Jacobs diz que "ninguém antecipou o problema com Temer". "Esses são mercados em que é difícil operar. Ninguém quer mercados emocionais, que mudem rapidamente". "Quanto às ações brasileiras ou ao mercado de renda fixa, [os investidores] estão cautelosos. Por conta do torvelinho político e econômico no Brasil , é preciso cautela sobre os mercados de lá", ele diz.

Ele afirma ter esperança de que Temer fique no poder, a fim de comandar a reorganização de que o Brasil precisa depois da pior recessão na história do País. Jacobs diz que "parece haver a sensação de que Temer será capaz de manter sua posição, o que é provavelmente bom para o Brasil. Se ele sobreviver, é provável que seja o homem que vai liderar essas reformas muito importantes, talvez cruciais". O Brasil, conclui Jacobs, é sempre "muito divertido".

Frank Underwood
(Pete Souza/Instagram)

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