Por Paula Barra Em mercados / acoes-e-indices  20 abr, 2017 15h40 - Atualizada em 17h24

Marfrig dispara até 9% em meio a rumor de compra de ações de controlador; Vale salta 6% e Copasa afunda 21%

Confira os principais destaques de ações da bolsa nesta quinta-feira

Por Paula Barra Em mercados / acoes-e-indices  20 abr, 2017 17h24

SÃO PAULO - Puxado pelas commodities, o Ibovespa encerrou o pregão desta quinta-feira (20) em alta de 0,56%, a 63.760 pontos, marcando sua primeira semana de alta depois de duas quedas seguidas. 

As maiores contribuições positivas hoje vieram das ações da Vale, que saltaram quase 6% em dia de recuperação dos preços do minério de ferro. Os papéis da Bradespar - holding que detém participação na mineradora - e as siderúrgicas subiram forte na esteira. Já Petrobras avançou nesta sessão, apesar do dia estável para o petróleo. 

Além delas, chamou atenção os papéis da Marfrig, que dispararam 9%, descolados do seus pares na bolsa JBS e Minerva. Operadores de mercado especulam que o controlador e fundador da Marfrig, Marcos Molina, esteja novamente atuando na ponta compradora. Vale lembrar que em 11 de março a empresa divulgou o relatório de posição consolidada, mostrando que Molina havia elevado sua participação na empresa de 34,3% para 35% naquele mês.

Do outro lado do índice, as ações de peso dos bancos "seguraram" certa euforia do mercado, com Bradesco e Itaú Unibanco entre as maiores quedas do dia. A maior baixa do Ibovespa, contudo, foi fora do setor financeiro. Os papéis da Sabesp afundam 5,58%, na esteira da Copasa, que desabou até 20,92% nesta sessão, após reajuste tarifário decepcionar o mercado, que tem nas costas uma amarga lembrança do que ocorreu com a Sanepar. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da bolsa nesta sessão:

Copasa (CSMG3, R$ 36,93, -20,92%)
As ações da Copasa registraram forte queda após a revisão tarifária preliminar da companhia divulgada pela Arsae. A revisão indica aumento de 4,1% no próximo dia 13 de julho, o que foi visto como decepcionante por analistas de mercado ao manter a tarifa real como estável. 

Em meio à reação, as demais companhias do setor eram "contaminadas" na bolsa: Sabesp (SBSP3, R$ 30,78, -5,58%), que tem revisão tarifária também no radar; e Sanepar (SAPR4, R$ 10,39, -3,71%), companhia paranaense que teve um processo turbulento de reajuste. 

O Santander e o Bradesaco BBI comentaram a decisão nesta manhã. Os analistas apontaram que o RAB (base de ativos regulatórios) de R$ 9,5 bilhões veio bem menor do que esperado, o que é negativo. Os analistas do Bradesco BBI, Francisco Navarrete e Bruno Arruda apontam que o RAB nesse valor foi um erro conceitual "grotesco", mas que deve ser retificado durante o processo de consulta pública. Se corrigido, o aumento da tarifa seria 3 pontos percentuais maior. 

Ainda no noticiário, o Citi cortou a recomendação da companhia para venda, mas com preço-alvo de R$ 40,00. 

Vale (VALE3, R$ 28,05, +5,17%;VALE5, R$ 26,86, +5,87%)
As ações da Vale registram um dia de fortes ganhos, em meio à alta do minério de ferro e aos dados de produção. A holding Bradespar (BRAP4, R$ 19,58, +5,44%) também avança. 

Já a produção de minério de ferro da Vale em 2017 foi recorde para um primeiro trimestre, com alta de 11,2% ante o mesmo período do ano passado, para 86,2 milhões de toneladas. A mineradora, maior produtora global de minério de ferro, atribuiu o avanço à aceleração das atividades na mina S11D, em Canaã dos Carajás, Pará, que entrou em operação comercial neste ano, e no projeto Itabiritos, no Sistema Sudeste. Os papéis também devem reagir à alta do minério de ferro no mercado chinês.

O BTG Pactual comentou, em relatório, que a produção da mineradora mostrou números fortes de minério de ferro, com volume de produção total em 86,2 milhões de toneladas, acima das projeções, pelo "ramp-up" de S11D. Com exceção do volume de níquel que veio 5% abaixo da estimativa, os demais ficaram acima, comentaram.

No mercado de commodities, o minério de ferro sobe na China com ideia de que o selloff recente foi excessivo, enquanto o zinco lidera alta de metais em Londres. O minério de ferro negociado com 62% de pureza no porto chinês de Qingdao fechou em alta de 1,18%, a US$ 65,36 a tonelada, enquanto os contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dailian subiram 3,16%, a 489 iuanes. 

Marfrig (MRFG3, R$ 6,36, +6,00%)
As ações da Marfrig lideram os ganhos do Ibovespa, que com alta de 6%, descoladas do seus pares na bolsa JBS (JBSS3, R$ 10,04, -1,08%) e Minerva (BEEF3, R$ 9,75, -1,12%). Operadores de mercado especulam que o controlador e fundador da Marfrig, Marcos Molina, esteja novamente elevando sua posição na empresa. Vale lembrar que, no dia 11 de março a empresa divulgou o relatório de posição consolidada, mostrando que Molina havia aumentado sua participação na empresa de 34,3% para 35% naquele mês.

No radar da empresa, há também a notícia de que frigoríficos voltam a operar em todo o Brasil, após impacto gerado pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, anunciada dia 17 de março. Nesta semana, a unidade da Marfrig, em Tangará da Serra (MT), que deu férias coletivas de 10 dias para funcionários em um dos turnos de abates bovinos, retomou as operações. A JBS informou que seis das dez unidades de abate de bovinos no País que estão de férias coletivas vão retomar as atividades na próxima segunda-feira, dia 24, conforme a empresa já havia anunciado. A Minerva também informou que retomará as atividades de abate de bovinos em Várzea Grande (MT) na próxima segunda, 24. Os funcionários dessa unidade estavam em férias coletivas de 20 desde o início de abril. 

Usiminas (USIM5, R$ 4,04, +2,02%)
A produtora de aços planos Usiminas interrompeu no primeiro trimestre uma sequência de 10 resultados trimestrais negativos ao obter lucro líquido de 108 milhões de reais, informou a empresa nesta quinta-feira. Nos três primeiros meses de 2016, a empresa reportou resultado líquido negativo de 151 milhões de reais. Na véspera, a Usiminas já havia divulgado que o lucro de janeiro a março deste ano havia sido de 108 milhões de reais. 

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de 528 milhões de reais, ante 50 milhões de reais no primeiro trimestre de 2016. A empresa trocou de presidente no final de março em meio à disputa de poder travada pelos sócios Nippon Steel e Ternium-Techint. Em janeiro e fevereiro, período em que o ex-presidente Rômel Erwin de Souza estava no comando da empresa, a Usiminas teve lucro líquido de 121 milhões de reais e Ebitda de 366 milhões de reais.

Conforme destaca o BTG Pactual, a primeira leitura do balanço da Usiminas foi de um balanço forte, com menor pressão de custo e aumento recente de preços. "Vale lembrar que um resultado preliminar saiu no início da semana e as ações já precificaram mas achamos que esse resultado vai marcar o pico e vemos risco de queda para os preços com os prêmios acima de 25%", apontam os analistas.  

Vale destacar que, em meio a alta das commodities e na esteira do resultado da Usiminas, as siderúrgicas registraram ganhos, caso da CSN (CSNA3, R$ 7,46, +5,07%) e da Gerdau (GGBR4, R$ 9,55, +2,69%). 

No radar da CSN, após um acidente no sábado, o carregamento de minério de ferro no terminal de Itaguaí foi paralisado. O BTG Pactual comentou o impacto do acidente. "Poucas informações foram disponibilizadas, limitando nossa análise, mas nossas projeções indicam 31 milhões de toneladas de exportação de minério do porto de Itaguaí em 2017 (10% total exportação minério do Brasil). Apesar do 'timing' para normalização da situação não ser conhecido, achamos que a chance de uma interrupção de oferta impactando o preço spot é baixa. Difícil calcular os impactos para a CSN mas se considerarmos uma sensibilidade preliminar assumindo 1 mês de perda de embarques o EBITDA da empresa poderia ser negativamente impactado em R$ 200 milhões", comentaram. Eles lembram que atualmente o minério representa mais de 50% do Ebitda da empresa. Os analistas reiteraram recomendação de venda para a ação.

Petrobras (PETR3, R$ 14,27, +1,57%;PETR4, R$ 13,88, +2,06%) 
As ações da Petrobras subiram apesar do petróleo operar praticamente estável nesta sessão. A sinalização dos principais produtores de petróleo da Opep de que haverá prorrogação, ao longo do segundo semestre, do atual corte da produção impactou favoravelmente os preços desta commodity na manhã, mas a cautela com aumento de estoques nos EUA e no aumento de produção fizeram o petróleo praticamente reverter os ganhos. 

Ainda no radar da companhia, a MLog (ex-Manabi) informou que sua subsidiária Asgaard Navegação assinou contrato com a estatal para afretamento da embarcação Asgaard Sophia, dedicada ao combate de vazamentos de óleo no mar. O acordo é válido por quatro anos, extensível por igual período. A operação sob o novo contrato deverá ocorrer no início de maio. 

Lojas Americanas (LAME4, R$ 16,40, +2,44%)
A Lojas Americanas sobe após ter a recomendação elevada de neutra para overweight pelo JPMorgan, com preço-alvo de R$ 18,50 por ação. 

Ainda sobre a Lojas Americanas, a coluna do Broad informa que o Banco Santander trabalha sozinho na emissão de debêntures da Lojas Americanas, numa operação que já conta com interessados. Após mapear o mercado, a transação foi elevada de R$ 1 bilhão para R$ 1,5 bilhão. Até o custo para a companhia, face à demanda, já foi melhorado. Há mais de um ano, os fundos de crédito têm enfrentado grande dificuldade para encontrar debêntures não incentivadas, que são aquelas que não contam com algum tipo de isenção fiscal.

BB Seguridade (BBSE3, R$ 29,02, +2,00%)
Após encontro com o BB Seguridade, os analistas do BTG Pactual destacaram otimismo com a ação e apontam que a relação atrativa risco-retorno a torna um dos papéis favoritos, apesar da falta de catalisadores claros no curto prazo. Apesar de alguns números fracos, os dados apresentados pela SUSEP para o primeiro bimestre estão em linha com o orçamento da empresa. A recomendação do BTG para os ativos é de compra com preço-alvo de R$ 34,50 para doze meses.

Estácio (ESTC3, R$ 16,70, +2,35%)
A Estácio Participações prestou queixa policial sobre a violação de dados e dispositivos de informática utilizados pelo seu presidente, Pedro Thompson, após concluir investigação sobre o vazamento de mensagens entre o executivo e uma advogada acerca da fusão com a Kroton Educacional.

O Boletim de Ocorrência (BO), registrado na terça-feira na 16ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro, cita fortes indícios de que o computador antigo de Thompson tenha sido acessado pelo ex-funcionário de TI da empresa, Israel Silva, em conjunto com o funcionário da área de Operações, Luiz Walnei, conforme cópia do documento obtida nesta quinta-feira pela Reuters.

Procurada, a Estácio não quis comentar o assunto.

Informações contidas no BO ainda apontam evidências de que o ex-presidente da Estácio, Rogério Melzi, teria participação ou relação direta com a suposta violação da máquina de Thompson e, consequentemente, com o vazamento das informações, de acordo com investigação conduzida pela israelense ICTS em parceria com auditoria interna da empresa.

Melzi disse à Reuters que foi informado do curso das investigações por meio de notícias veiculadas na imprensa e que em nenhum momento foi contatado ou questionado pela Estácio. "Não posso comentar sobre essa notícia porque tem uma investigação em curso e preciso aguardar as informações necessárias", afirmou. "Para mim tudo é novidade", acrescentou.

OdontoPrev (ODPV3, R$ 11,64, +1,57%)
Os analistas do Credit Suisse reiniciaram cobertura para as ações da OdontoPrev com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 12 por ativo. "No novo preço-alvo, estamos considerando (1) novas estimativas macro; (2) resultado mais fraco do que o esperado em 2016; (3) estimativas mais conservadoras, principalmente com crescimento de receita líquida no médio prazo e DLR (sinistralidade odontológica); e (4) ajustando a alíquota de imposto que estava muito conservadora. 

Varejistas
O BTG Pactual soltou nesta quinta-feira uma prévia do setor de varejo para o 1° trimestre, prevendo um aumento de 5% nas receitas na comparação anual e crescimento de 15% do Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

Os analistas destacaram uma leitura positiva para a Magazine Luiza (MGLU3, R$ 214,20, +3,98%), prevendo um crescimento de e-commerce de 30% na comparação anual; Arezzo (ARZZ3, R$ 32,00, -0,31%); Hypermarcas (HYPE3, R$ 29,23, -1,11%). com expectativa de sólida performance operacional e desalavancagem; e Raia Drogasil (RADL3, R$ 62,18, -0,35%), à espera de números fortes apesar de margens menores.  

Do outro lado, eles veem o segmento de vestuário entregando resultados mais fracos, por conta do cenário econômico ainda desafiador, com destaque negativo para a Cia Hering (HGTX3) e Lojas Marisa (AMAR3). Já a Lojas Renner (LREN3) deve ficar acima do consenso (mas não é um dos principais destaques do trimestre) e papel já reflete isso, comentaram os analistas. 

Eternit (ETER3, R$ 1,39, +2,96%)
A Eternit informou que, em linha com o plano de reestruturação, Nelson Pazikas deixará o cargo de Diretor Presidente e Diretor de Relações com Investidores da companhia a partir desta quarta-feira. Além disso, o Conselho de Administração elegeu Luis Augusto Barcelos Barbosa para ocupar o cargo de Diretor Presidente.

Oi  (OIBR3, R$ 4,30, -7,53%;OIBR4, R$ 3,56, -5,07%)
A ação do grupo de telecomunicações Oi registra queda após a empresa informar na quarta-feira que a Corte de Apelação da Holanda decretou a falência de duas subsidiárias da companhia brasileira. A decisão é passível de recurso.

"Esta decisão está restrita à jurisdição e lei holandesas, não é definitiva e está sujeita a recurso perante a Suprema Corte Holandesa. A Oi reitera que Oi Brasil Holdings e Portugal Telecom International Finance continuam em recuperação judicial no Brasil", afirmou a companhia em comunicado à imprensa.

A Oi comentou ainda que a decisão de converter em falência os procedimentos de suspensão de pagamentos das duas subsidiárias "não tem impacto sobre o dia a dia da companhia e suas atividades operacionais". Apesar da decisão, as ações da Oi encerraram em alta de 5,9%, cotadas a R$ 4,65 cada.

A Oi afirmou ainda que continua com sua operação saudável e "forte atuação comercial, mantendo suas vendas, instalações, manutenção e investimentos". A empresa comentou que "vem evoluindo" nas discussões sobre a melhor proposta de plano de recuperação judicial com credores, potenciais investidores e outros interessados, mas não deu detalhes.

No início do mês, o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, afirmou que as chances de intervenção na empresa pelo governo federal estavam aumentando conforme o tempo passa sem que o plano de recuperação seja aprovado pelos acionistas da Oi e por credores.

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