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Entre Usiminas e bancos: 16 ações do Ibovespa sobem entre 3% e 8%; exportadoras caem até 5% com dólar

Confira os principais destaques de ações da bolsa nesta segunda-feira

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(Peter Andrews/Reuters)

SÃO PAULO - Puxado pelos bancos, o Ibovespa retomou nesta segunda-feira (17) o patamar dos 64.000 pontos, com alta de 2,40%, após três pregões seguidos de queda, no melhor pregão desde o dia 12 de janeiro de 2017, quando o índice subiu 2,41%. Os investidores responderam positivamente aos indicadores econômicos domésticos e da China, onde o PIB (Produto Interno Bruto) do 1° trimestre cresceu 6,9% na comparação anual, contra expectativa de alta de 6,8%. 

No índice, 16 ações encerraram com ganhos entre 3% e 8%, com forte presença de ações do setor financeiro, entre elas, os bancos Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil; o papel da B3; e a seguradora BB Seguridade. A maior alta, contudo, ficou com a Usiminas, que disparou com a confirmação de um lucro líquido de R$ 121 milhões no 1° bimestre do ano, indicando que a empresa sairá do prejuízo trimestral após dez períodos no vermelho.

Do lado negativo, as exportadoras foram as grandes prejudicadas, em meio à forte queda do dólar frente ao real nesta sessão. Apenas 5 das 58 ações do índice caíram hoje. No setor de papel e celulose, prévias apontando fraqueza nos números do 1° trimestre também contribuíram para as perdas. A maior queda do Ibovespa foi a Fibria.

Confira abaixo os principais destaques de ações da bolsa nesta sessão:

Usiminas (USIM5, R$ 3,99, +7,84%)
Após vazarem dados do resultado, a Usiminas confirmou na tarde desta segunda-feira (17) que alcançou um lucro líquido de R$ 121 milhões no 1° bimestre de 2017, indicando que a empresa sairá do prejuízo trimestral após dez períodos no vermelho. Na máxima do dia, os papéis subiram 10,81%, indo a R$ 4,10. O volume financeiro movimentado com a ação atingiu R$ 99,3 milhões, contra média diária de R$ 61,2 milhões nos últimos 21 pregões. 

 No documento, a Usiminas assegurou também que obteve um Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 366 milhões nos dois primeiros anos do ano, conforme informava ontem a da coluna do Broad, do jornal O Estado de S. Paulo.  

A companhia ressaltou, contudo, que os números não são definitivos, estando ainda sujeitos à revisão dos auditores externos e que a divulgação dos resultados referentes ao 1° trimestre ocorrerá no dia 20 de abril, conforme previsto no calendário anual de eventos corporativos da empresa. 

Embora a Usiminas tenha confirmado apenas os dados divulgados pela coluna do Broad, o Valor divulgou mais cedo que fontes disseram que a siderúrgica fechou o 1° trimestre com lucro líquido de R$ 110 milhões, saindo do prejuízo trimestral após dez períodos no vermelho. Nos últimos três meses do ano passado, as perdas foram de R$ 274 milhões. Uma fonte comentou, contudo, que o resultado ainda não passou pelo crivo do conselho de administração. 

Educacionais 
As ações da Kroton e Estácio - do setor de educação - ajustaram queda da semana passada, alimentadas com a notícia positiva sobre o CEO da Estácio, comentou o estratégista-chefe Adeodato Volpi Netto, da Eleven Financial. Na semana passada, a Estácio afirmou que uma investigação interna apontou que não há evidências de que o presidente da companhia tenha trabalhado para tentar inviabilizar a fusão com a rival Kroton. No mês passado, o conselho da Estácio afastou o presidente da empresa, Pedro Thompson, dos assuntos relacionados ao processo de fusão com a Kroton no Conselho Administrativo de Defesa Econômico (Cade), após denúncia anônima de que o executivo teria articulando contra a transação.

Os papéis da Estácio (ESTC3, R$ 16,70, +6,10%) e Kroton (KROT3, R$ 14,06, +3,92%) aparecem entre as maiores altas do Ibovespa hoje. Por sua vez, as demais ações do setor que não são negociadas no índice - Ser Educacional (SEER3, R$ 23,75, -0,63%) e Anima (ANIM3, R$ 12,96, -0,31%) - registram leves perdas. 

Smiles (SMLE3, R$ 65,74, +5,05%)
As ações da Smiles figuraram entre as maiores altas do Ibovespa. Nesta segunda, o BTG Pactual soltou prévia de resultados, apontando que a Smiles deve apresentar outro trimestre com números fortes e crescimento de lucros. Os analistas apontam preferir Smiles a Multiplus dentro do setor de milhagens.

Bancos
Após forte queda na última quinta-feira (lembrando que sexta não teve pregão devido ao feriado), as ações dos bancos mostraram forte alta nesta sessão, marcada por volatilidade elevada por conta do vencimento de opções sobre ações na bolsa.

Impulsionados por dados melhores do cenário interno, os papéis dos bancos subiram forte, com: Banco do Brasil (BBAS3, R$ 32,02, +4,64%), Bradesco (BBDC3, R$ 31,85, +3,92%; BBDC4, R$ 32,20, +4,48%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 38,78, +4,47%) e Santander (SANB11, R$ 24,36, +2,48%). 

Vale (VALE3, R$ 27,43, +0,04%; VALE5, R$ 26,42, +0,49%)
Puxadas pelo ânimo do mercado doméstico, as ações da Vale e Bradespar (BRAP4, R$ 19,30, +1,53%) - holding que detém participação na Vale - ganharam força e fecharam em leve alta, se descolando dos preços do minério de ferro. A commodity negociada na Bolsa de Mercadorias de Dalian caiu 3,43% nesta sessão, para fechar a 493 iuanes (71,60 dólares) por tonelada. Em Qingdao, a queda foi de 3,52%, a US$ 66.25 a tonelada. 

Os contratos futuros do aço e do minério de ferro negociados na China ampliaram perdas nesta segunda-feira, à medida que os especuladores deixavam posições altistas depois que dados revelaram que o maior produtor de aço do mundo produziu um volume recorde em março, elevando preocupações sobre um excedente. A produção de aço da China subiu 1,8 por cento em março para 72 milhões de toneladas.

Os dados de produção na China foram divulgados em meio ao anúncio de que a segunda maior economia do mundo cresceu 6,9 por cento no primeiro trimestre, um pouco mais rápido do que as expectativas. No entanto, o aumento dos estoques de minério de ferro nos portos e as expectativas de que a demanda vai desacelerar com Pequim tentando esfriar a atividade do setor imobiliário têm afetado os preços.

Além disso, segundo informações da coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, a um mês de deixar a presidência da Vale, Murilo Ferreira está discutindo o tamanho da indenização que leva para casa. A Vale quer pagar R$ 30 milhões e Murilo quer perto do dobro disso, ou R$ 60 milhões, diz o colunista. 

Estatais
As ações das empresas estatais buscam uma sessão de recuperação após despencarem na última quinta-feira, em meio às novas revelações da Odebrecht e as perspectivas de como isso poderia impactar as reformas em andamento, principalmente a reforma da previdência. Assim, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 14,65, +0,96%, PETR4, R$ 14,28, +1,42%) subiram, apesar do dia de queda do petróleo com a perspectiva de alta na produção dos EUA. Lá fora, os contratos do petróleo Brent recuavam 0,82%, a US$ 55,43, enquanto os do WTI caíam 0,94%, a US$ 52,68 o barril. Enquanto isso, o Banco do Brasil (BBAS3, R$ 32,02, +4,64%) subiu forte após despencar 5,20% na quinta-feira.

Ainda no radar da Petrobras, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) abriu hoje um processo administrativo sancionador contra sete ex-diretores da Petrobras, incluindo os ex-presidentes Graça Foster e José Sérgio Gabrielli, por supostas irregularidades na contratação da construção do navio sonda Titanium Explorer. Até aqui os nomes dos envolvidos não tinham sido divulgados pela autarquia, que apura a responsabilidade de administradores da companhia em um inquérito desde dezembro de 2014, mas só agora se tornou uma acusação formal (veja aqui). 

Além disso, a produção média de petróleo e gás natural cresceu cerca de 7% no primeiro trimestre ante o mesmo período do ano passado, para 2,805 milhões de barris de óleo equivalente (boed), impulsionada principalmente pelos novos poços do pré-sal, de acordo com dados da estatal divulgados na quinta-feira. A Petrobras informou ainda que a produção total da empresa em março aumentou mais de 7% ante o mesmo período do ano passado, para 2,74 milhões de barris de óleo equivalente (petróleo e gás), sendo 2,61 milhões boed produzidos no Brasil e 130 mil boed no exterior. Além disso, destaque para a notícia da Folha de que o governo estuda permitir que a Petrobras desista de participar de consórcios do pré-sal depois da realização do leilão, caso considere que o lance oferecido por uma área esteja além de sua capacidade financeira. 

Even (EVEN3, R$ 4,60, +7,23%)
As ações da Even dispararam, apesar de dados operacionais fracos no 1° trimestre. Os lançamentos da Even somaram VGV de R$ 418 milhões no 1º trimestre; já as vendas líquidas contratadas somaram R$ 211 milhões (parte Even), dos quais R$ 87 milhões (41%) vendas de lançamentos e R$ 123 milhões (59%) de estoque. A velocidade de vendas (VSO) do trimestre foi 8%. Foram entregues 6 projetos que equivalem a R$ 586 milhões (VGV de lançamento parte Even) e 1.172 unidades.

Segundo analistas da XP Investimentos, os números da construtora seguem fracos, demonstrando que o cenário continua desafiador. Eles não recomendam exposição ao setor.

Copel (CPLE6, R$ 30,17, +2,20%)
A segunda prévia da carteira teórica do Ibovespa para o período de maio a agosto excluiu as ações PNB da Copel, e reiterou a entrada dos papéis PNB da Eletrobras (ELET6, R$ 19,64, +0,10%), segundo informações da Agência Bovespa. Também foi confirmada a saída das ações da Cetip, após os papéis da empresa deixarem de ser negociados devido ao processo de fusão com BM&FBovespa, que criou a B3. O último dia de negociação das ações da Cetip foi 29 de março, quando foi implementada a relação de troca por papéis da BM&FBovespa, devido ao processo de fusão entre as duas empresas.

Dolarizadas em queda
As maiores quedas do Ibovespa foram as ações expostas ao dólar, caso de Fibria (FIBR3, R$ 27,43, -4,86%), Suzano (SUZB5, R$ 12,46, -1,42%) e Braskem (BRKM5, R$ 31,09, -2,81% ). O dólar comercial fechou em queda de 1,34%, a R$ 3,1044 na venda. Contribui para o movimento da moeda americana o programa de rolagem de swaps cambiais do Banco Central. A autoridade monetária inicia nesta segunda-feira a rolagem dos contratos de maio, com oferta de 16.000 papéis. No caso da Braskem, vale destacar também o cenário de maior aversão ao risco com a empresa em meio às delações da Odebrecht, que controla a petroquímica.

Do lado do setor de papel e celulose, mais um fator contribui para a queda das ações nesta sessão. Para analistas do JPMorgan, os produtores brasileiros de papel e celulose devem apresentar resultados decepcionantes no 1° trimestre, uma vez que a recuperação dos preços da celulose não vai se refletir nos resultados até o 2° trimestre e 3° trimestre. No setor, a Suzano é a top pick do banco, com recomendação overweight (exposição acima da média), devido ao yield de fluxo de caixa livre de 12,5%, queda de custos e potencial re-rating das ações, por conta de melhorias na governança. 

Cielo (CIEL3, R$ 24,51, +0,74%)
O Credit Suisse trouxe nesta manhã uma prévia sobre o balanço do 1° trimestre da empresa, que está programado para ser divulgado dia . Segundo os analistas, os volumes de cartões devem continuar fracos por mais alguns trimestres, enquanto o crescimento do lucro da empresa deve permanecer negativamente impactado por um menor "carryover" na base de POS (equipamentos que fazem a leitura e captura de transações com cartões de crédito e débito nas lojas) e de uma perda de participação de mercado nessa área. "Os riscos parecem mais para baixo e nossas maiores preocupações estão no fim do acordo de exclusividade e deterioração do ambiente competitivo", comentaram os analistas. Eles seguem com recomendação neutra para a ação. 

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