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Petrobras sobe 2% com vitória na Justiça, Sanepar ressurge com alta de 5% e small cap salta até 11% após balanço

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão

Petrobras - Bloomberg
(Bloomberg)

Petrobras (PETR3, R$ 15,13, +2,16%; PETR4, R$ 14,75, +1,72%)
As ações da estatal sobem na esteira de duas boas notícias: o preço do petróleo WTI, que ontem foi abaixo dos US$ 50,00 o barril pela primeira vez no ano, recupera o terreno perdido e a informação de que a Justiça liberou a Petrobras para concluir a venda da NTS. 

Hoje, os contratos do petróleo WTI registravam alta de 0,67%, a US$ 52,54 o barril, enquanto o Brent subia 0,79%, a US$ 49,67 o barril, ajudando a puxar para cima a cotação das empresas de petróleo e os principais indicadores acionários mundiais. Vale menção que os investidores ainda mantêm cautela à espera da divulgação do Relatório de Emprego nos Estados Unidos às 10h30 (horário de Brasília).  

Ontem, a estatal informou que foi suspensa, pelo Tribunal Regional Federal da 5ª região, a liminar que determinava a paralisação da alienação de 90% da participação acionária detida pela companhia na Nova Transportadora do Sudeste (NTS). Com a decisão favorável da Justiça, a companhia poderá prosseguir com a operação de venda da fatia na transportadora de gás para um consórcio liderado pela Brookfield, em negócio de US$ 5,19 bilhões. A transação faz parte do programa de parcerias e desinvestimentos da Petrobras, que totalizou US$ 13,6 bilhões no biênio 2015-2016.

BRF (BRFS3, R$ 40,20, -1,47%)
O vice-presidente de finanças da BRF, José Carneiro Borges, renunciou, segundo comunicado enviado ao mercado pela gigante brasileira de alimentos na noite de quinta-feira. O executivo será substituído interinamente pelo administrador de empresas Elcio Mitsuhiro Ito, informou a companhia. A BRF informou ainda que até o final do mês deverá divulgar ao mercado a "evolução do modelo de gestão" da companhia.

Também nesta quinta-feira, a agência de classificação de risco Standard & Poor's reduziu para negativa a perspectiva para a nota de crédito da BRF, citando desafios às margens da empresa diante de volatilidade do câmbio e preços de grãos e consumo retraído no Brasil.

No fim de fevereiro, o presidente do conselho de administração da BRF, Abilio Diniz, afirmou a analistas do setor que a companhia vai corrigir erros e lidar com dificuldades que pressionaram os resultados da companhia no quatro trimestre e em 2016. A BRF teve prejuízo líquido de 460 milhões de reais no quarto trimestre, ante lucro de 1,415 bilhão de reais no mesmo período de 2015.

No comunicado desta quinta-feira, a BRF informou também que o vice-presidente de inovação, marketing e qualidade, Rodrigo Reghini Vieira, renunciou. A companhia não informou os motivos das renúncias.

Papel e celulose
Após duas sessões de ganhos, com contribuições positivas do dólar e preços da celulose, as ações da Suzano (SUZB5, R$ 12,61, -2,47%) e Fibria (FIBR3, R$ 26,37, -1,42%) caem nesta sessão e figuram entre as maiores quedas do Ibovespa. Neste momento, o dólar comercial registrava baixa de 0,58%, a R$ 3,1760 na venda. 

Embraer (EMBR3, R$ 18,95, -1,20%)
O mercado volta a ficar em paz com a Embraer. Depois de amargar perdas de 47% no ano passado, os papéis da fabricante de aeronaves começam a retomar terreno perdido. Ontem, as ações chegaram a subir 6% após balanço forte do 4° trimestre, mas fecharam em alta de 2%. Hoje, os papéis até caem pressionados pelo dólar, mas a mensagem da empresa segue positiva. 

Após conversas com a empresa, o BTG Pactual ressaltou que a empresa traz uma mensagem positiva de potencial de crescimento de receita, com visão "bullish" com o desenvolvimento do E2, campanhas nos Estados Unidos e China (melhorando momento de ordem), visão otimista no segmento de defesa e coom executivo tendo atingido o "bottom". No programa de corte de custos, a empresa também segue otimista, impactando margens a frente. Com isso, o banco manteve a recomendação de compra da ação. 

"Utilities"
A avalanche de vendas das ações da Sanepar (SAPR4, R$ 11,79, +5,47%) parece buscar seu fim neste pregão: depois de desabarem 23% nos últimos 2 pregões, em meio à especulação e posterior confirmação de que o reajuste tarifário (leia mais aqui) será feito em 8 anos, as ações da companhia de saneamento do Paraná ressurgem na Bolsa com alta de 5%, depois de terem batido na mínima do dia queda de 8,07%, a R$ 10,25.

Apesar da derrocada das ações da Sabepar ontem (-17%), os gestores participantes que conversaram com o InfoMoney após a call realizada pela empresa ontem à noite ressaltaram que não venderam as ações pois seria "emocional demais" diante do preço atual do papel estar abaixo da "projeção mais pessimista" para a Sanepar, que seria apenas um reajuste nos próximos anos (este anunciado hoje). Um outro gestor, inclusive, disse que aproveitou as quedas da última hora de pregão para aumentar a exposição no ativo. Clique aqui para ler a notícia sobre a call. Vale menção que hoje a agência reguladora do Paraná abre audiência pública sobre revisão de tarifa da companhia às 9h (horário de Brasília).

Na esteira, as ações da Copasa (CSMG3, R$ 47,00, +1,60%) também buscam recuperação na Bolsa, após terem afundado 12% ontem, com investidores apreensivos se a decisão da agência reguladora do Paraná pode abrir precedente em Minas Gerais. Hoje, os papéis refletem também o balanço do 4° trimestre, que, na avaliação do BTG Pactual, veio fraco. Na mínima do dia, esses papéis caíram 5,77%, a R$ 43,59. O movimento de recuperação é visto também na Sabesp (SBSP3, R$ 31,98, +2,04%), que ontem caiu 4,5% na Bolsa.

No radar, a Copasa encerrou o quarto trimestre com lucro líquido de R$ 131,75 milhões, revertendo o prejuízo líquido de R$ 40,77 milhões do mesmo período de 2015. No acumulado de 2016, por sua vez, a companhia reverteu o prejuízo de R$ 11,59 milhões do ano anterior para um lucro líquido de R$ 434,16 milhões. Além disso, a companhia anunciou o pagamento de R$ 120 milhões em dividendos referente a 2016, totalizando um dividend yield de 2,1%.

Vale menção que a companhia vai passar pelo processo de revisão tarifária em julho de 2017. Segundo o BTG Pactual, o reajuste da tarifa deve ser na casa de 9,2% real, porém os analistas lembram citam o que aconteceu com a Sanepar essa semana e que pode respingar na empresa, apesar de serem de estados diferentes. "O mercado está atribuindo uma chance relativamente alta de se repetir também em Minas Gerais", comentaram os analistas, que seguem com recomendação de compra. 

Multiplan (MULT3, R$ 65,64, +1,48%)
A gestora de shopping centers de alto padrão Multiplan teve lucro líquido de R$ 85,16 milhões no quarto trimestre, uma queda de cerca de 38% sobre o resultado positivo de um ano antes.

A companhia apurou geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 239,8 milhões, alta de 5,5% sobre o quarto trimestre de 2015. Na mesma base de comparação, a receita líquida da administradora cresceu 3,8%, passando de R$ 227,3 milhões para R$ 311 milhões.

A redução dos ganhos ocorreu, principalmente, por conta de um aumento de R$ 37,6 milhões em imposto de renda e contribuição social, decorrente de uma menor distribuição de juros sobre capital próprio no trimestre.

O Itaú BBA espera reação neutra a resultados em linha; a companhia teve sólido crescimento de receita sustentado por recentes aquisições de participações, enquanto os custos operacionais mais elevados foram compensados por menores gastos relacionados ao programa de opções de ações. 

CSU CardSystem (CARD3, R$ 12,15, +5,65%)
As ações da CSU CardSystem dispararam até 11,30% nesta sessão, indo a R$ 12,80, após divulgar o seu balanço do 4° trimestre. Em meio à euforia, o volume financeiro movimentado com os papéis já atinge R$ 6,6 milhões, contra média diária de R$ 13,6 milhões nos últimos 21 pregões.

A small cap registrou lucro líquido de R$ 11,00 milhões no quarto trimestre de 2016, uma alta de 48,1% ante o mesmo período do ano anterior, quando o lucro foi de R$ 7,43 milhões. A receita líquida, por sua vez, caiu 4,1%, passando de R$ 116,63 milhões para R$ 111,81 milhões em um ano. Já o Ebitda fechou o período em R$ 21,76 milhões, uma alta de 10%. No acumulado do ano passado, o lucro líquido da companhia saltou 83,6%, passando R$ 19,01 milhões para R$ 34,91 milhões. Já a receita, teve leve alta de 0,5%, fechando 2016 em R$ 465,83 milhões, ao passo que o Ebitda avançou 30,2%, de R$ 69,84 milhões para R$ 90,90 milhões em um ano.

Em entrevista ao InfoMoney (veja aqui), Renata Oliva (diretora de relações com investidores) e Ricardo Ribeiro Leite (CFO, ou Chief Financial Officer) disseram ressaltaram que os resultados operacionais resilientes em 2016, mesmo com a perda de um grande cliente - o Banrisul, e que acreditam que o ciclo de crescimento não chegou ao fim: "teremos crescimento em 2017". Além disso, eles comentaram que a empresa deve fazer dois anúncios importantes ainda em março. 

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