Por Lara Rizério Em mercados / acoes-e-indices  17 fev, 2017 13h24

Wall Street estava certo: bilionário da 3G, Lemann voltou à caça em grande estilo

Prova disso é a oferta da Kraft-Heinz pela Unilever; apesar de recusada pela companhia, mostrou o apetite do bilionário brasileiro e as apostas de expansão

Por Lara Rizério Em mercados / acoes-e-indices  17 fev, 2017 13h24

SÃO PAULO - No final de janeiro, a Bloomberg já havia avisado: Jorge Paulo Lemann ia voltar à caça em breve, segundo as apostas de Wall Street. Isso porque o bilionário brasileiro, um dos sócios da 3G, vem fechando grandes negócios aproximadamente a cada dois anos.

A Bloomberg destacou: em 2013, ele convenceu Warren Buffett a unir-se a ele na H.J. Heinz. Depois, em 2015, a dupla orquestrou a fusão de US$ 55 bilhões entre Heinz e Kraft Foods. 

Duas semanas depois, uma notícia mostrou que o brasileiro e a sua equipe estavam realmente se preparando para voltar ao mercado. A Kraft Heinz anunciou em comunicado, nesta sexta-feira, que fez uma proposta de fusão para Unilever - e que ela recusou. Contudo, a companhia continuará tentando.  O valor proposto inicialmente pela operação, de acordo com o Financial Times, era de US$ 143 bilhões, o que tornaria essa fusão uma das maiores da história e mostra a ousadia da controladora da Kraft Heinz.

A Kraft Heinz é controlada pela 3G —  que tem como sócios, além de Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. Ela é presidida pelo brasileiro Bernardo Hees. A 3G tem grandes negócios no seu portfólio como a AB Inbev, que comprou recentemente a SABMiller,  a varejista Lojas Americanas; a Restaurant Brands. Em conjunto com a Berkshire Hathaway, do "Oráculo de Omaha" Warren Buffett, a 3G comprou a Kraft Foods. 

Se a Unilever recusou a proposta pela Kraft Heinz, pelo menos agora os traders de mercado podem respirar mais aliviados. Conforme destacou a Bloomberg, a especulação sobre a próxima jogada da 3G tinha deixado os traders nervosos. Em dezembro de 2016, uma reportagem de uma revista suíça pouco conhecida, que requentou a antiga especulação sobre o plano de Lemann de comprar a Mondelez junto com Buffett, provocou uma alta imediata das ações da gigante americana dos lanches (os papéis subiram 28 por cento em poucos minutos).

Existia até mesmo uma especulação de que a Coca-Cola, adorada por Buffett, poderia entrar no páreo, uma perspectiva que alguns consideravam fantasiosa, apontou a agência. 

Toda essa atenção mostra a que ponto Lemann, de 77 anos, reformulou e influenciou a indústria global de alimentos e bebidas. "Na última década, Lemann e seus sócios brasileiros da 3G Capital ganharam fama com uma série de aquisições chamativas, como Anheuser-Busch e Burger King, e a visão singular de eliminar todos os custos possíveis", apontou a Bloomberg. 

Agora, com a recusa da Unilever - que afirmou que a oferta da Kraft-Heinz subvalorizava a companhia e disse que não vê qualquer mérito, financeiro ou estratégico, para os acionistas da empresa e nem base para  discussões futuras - o mercado ficará de olho. Afinal, a 3G conseguirá seduzir a Unilever ou partirá para outra empresa? Lemann e a 3G querem fechar negócio. 

Jorge Paulo Lemann
(Bloomberg)

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