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Vale bate recorde que já era seu; lucro do BB desaba e mais 3 balanços, OPA da CPFL e 9 notícias

Confira os destaques do noticiário corporativo desta quinta-feira (16)

SÃO PAULO - A temporada de resultados se intensifica, tendo como grande destaque nesta quinta-feira o Banco do Brasil. CVC, Smiles e Cetip também divulgaram seus números. Além disso, atenção para a produção da Petrobras e da Vale e, no radar de recomendações, o JPMorgan rebaixou a Hypermarcas. Confira os destaques desta quinta-feira (16):

Banco do Brasil  (BBAS3)
O Banco do Brasil anunciou nesta quinta-feira que teve lucro líquido de 963 milhões de reais no quarto trimestre, queda de 61,6 por cento ante mesmo período de 2015.

Na base ajustada, o lucro do maior banco do país em ativos somou 1,747 bilhão de reais no período, recuo de 34 por cento na comparação com um ano antes. O dado exclui o impacto das despesas não recorrentes de R$ 1,401 bilhão com o plano de aposentadorias incentivadas lançado pela instituição. O número decepcionou as estimativas de analistas consultados pela Bloomberg, que esperavam lucro de R$ 1,94 bilhão na média. 

O lucro por ação atingiu R$ 2,84 em 2016, ante R$ 5,05 no ano anterior, e a projeção, segundo analistas externos da instituição, é atingir neste ano R$ 4,03. A remuneração aos acionistas alcançou R$ 284,7 milhões no quarto trimestre e R$ 2,4 bilhões no acumulado anual. A Margem Financeira Bruta cresceu 13,0% (R$ 59,3 bilhões) e as Rendas de Tarifas, 6,8%.

A instituição destaca que as despesas administrativas cresceram 3,5% em 12 meses, o menor nível em dez anos e abaixo dos indicadores de inflação para o período. Em relação ao índice de Eficiência, que mostra a relação entre as despesas administrativas e as receitas operacionais, a taxa ficou em 39,7%, ante 41,6% no ano de 2015, “mostrando rígido controle das despesas”, diz comunicado do BB.

Vale destacar ainda que o Itaú Unibanco passou a ser o maior banco brasileiro por ativos no fim de 2016, superando o Banco do Brasil, segundo dados dos balanços publicados pelas instituições financeiras.

Nesta manhã, o BB anunciou ter fechado o ano passado com 1,401 trilhão de reais em ativos, queda ante os 1,448 trilhão do fim de setembro. Já os ativos do Itaú Unibanco subiram de 1,399 trilhão para 1,426 trilhão no período.

Cetip (CTIP3)
A Cetip, maior depositária de ativos privados da América Latina, anunciou nesta quarta-feira lucro líquido de R$ 150,5 milhões no quarto trimestre, alta de 17,6% sobre um ano antes. A empresa, que em abril passado anunciou união das operações com a BM&FBovespa, teve o resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) 16,5% maior na comparação anual, de R$ 232,4 milhões. A receita líquida somou R$ 334,8 milhões, montante 14,3% maior em relação a um ano antes, com destaque para a unidade de títulos e valores mobiliários, cujo faturamento cresceu 13,5%.

De acordo com o diretor de relações com investidores da companhia, Willy Jordan, o setor deve ter resultados mistos em 2017, com a gradual melhora das condições de crédito no segundo semestre permitindo expansão de instrumentos de mercado como Certificados de Operações Estruturadas (COE), CDBs, Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do agronegócio (CRA).

Por outro lado, a queda da Selic deve pressionar as receitas com algumas transações oriundas do ciclo de queda das taxas de juros. "Neste ano não vamos ter os mesmos ventos de cauda que tivemos no início de 2016", disse Jordan. "O desafio é maior de manter taxa de crescimento similar à do ano passado".

Já a unidade de financiamentos, impactada pelo fraco desempenho do mercado de financiamentos de veículos, teve receita líquida 9,2% maior. Segundo Jordan, a alta de 7,7% dessa linha na comparação sequencial é um indício de que o setor automotivo começa a se recuperar, após ter atingido o piso em mais de uma década. A última linha do resultado foi pressionada pelo aumento de 11,9% das despesas operacionais ajustadas, a R$ 99,2 milhões, refletindo em parte a inclusão dos custos relacionados a um programa de incentivo, que implica em desembolso de caixa e entra na linha de despesa de pessoal, por ser considerada como remuneração para fins trabalhistas.

A companhia aproveitou a divulgação do balanço para anunciar o pagamento de dividendos, no valor total de R$ 98,58 milhões, o que representa R$ 0,3789646451 por ação ordinária. O pagamento será feito segundo a base acionária do dia 22 de fevereiro. O valor representa um yield de 0,7% segundo o fechamento da ações nesta quarta, a R$ 47,25.

Conforme destaca o Bradesco BBI, a Cetip teve resultados robustos, apoiando a visão de que a companhia deva ser uma das principais beneficiárias da aceleração do mercado de capitais. A expansão sólida do Ebitda,  impulsionada por melhores números na unidade de financiamento, juntamente com despesas moderadas. 

Smiles (SMLE3)
 A administradora de programas de fidelidade Smiles, teve um salto de 44 por cento no lucro do quarto trimestre, resultado apoiado no forte aumento do acúmulo e resgates de milhas, além do controle das despesas.Controlada pela Gol  e segunda maior empresa do setor no país, com 12 milhões de clientes, a Smiles anunciou nesta quarta-feira que seu lucro líquido de outubro a dezembro somou 161,6 milhões de reais, alta de 43,9 por cento sobre um ano antes.

O resultado operacional da companhia medido pelo lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) somou 188,6 milhões de reais, um aumento de 71,1 por cento sobre mesma etapa de 2015. O faturamento líquido da companhia cresceu 28,8 por cento ano a ano, a 449,4 milhões de reais, impulsionado pelo aumento das receitas com resgates de milhas, que cresceram 26 por cento. O resgate de milhas do programa no trimestre foi 16,9 por cento maior, a 11,7 bilhões de milhas, recorde da companhia.

A receita com o chamado breakage, quando as milhas expiram sem que os clientes tenham resgatado, disparou 60 por cento, para 78,3 milhões de reais. As despesas operacionais subiram 3,9 por cento na comparação com o quarto trimestre de 2015, para 39,27 milhões de reais.

 Em relatório, o BTG Pactual destacou que os números foram novamente robustos, com destaque para a alta do lucro líquido da companhia, A recomendação do banco segue de compra para os ativos, com preço-alvo de R$ 65,00. 

CVC Brasil (CVCB3)
A CVC registrou lucro líquido ajustado no quarto trimestre de 2016 de R$ 72,3 milhões, com leve queda de 1,80% frente os R$ 71 milhões do mesmo período do ano anterior. Já a receita líquida somou: R$ 292,1 milhões, ante R$ 283,3 milhões na base de comparação anual. O Ebitda ajustado, por sua vez, foi de  R$ 155 milhões, ante R$ 147,4 milhões no quarto trimestre de 2015. 

“Tendo em vista haver algumas oportunidades de M&A em avaliação, a Administração da CVC (diretoria e conselho de administração) propõe o pagamento de dividendo mínimo de 25% sobre o lucro líquido de 2016, equivalente a R$ 44,4 milhões (incluindo R$ 22 milhões de Juros sobre capital próprio). Se durante o ano de 2017 as alternativas de M&A não prosperarem, a administração proporá o pagamento de dividendos adicionais. A CVC tem por política pagar no mínimo 50% de dividendos sobre o lucro, desde que a empresa não tenha qualquer outra necessidade de capital para desenvolver seus negócios e/ou projetos estratégicos”, afirmou a empresa. 

De acordo com o BTG, o forte desempenho de vendas reforça a visão positiva sobre a companhia, que segue top pick do banco apesar da alta recente dos ativos. 

CPFL (CPFE3)
A chinesa State Grid informou que vai fechar o capital de sua controlada CPFL Energia e retirar as ações da empresa de circulação do segmento da BM&FBovespa denominado Novo Mercado, além de cancelar o registro de companhia aberta da elétrica nos Estados Unidos, segundo comunicado da CPFL nesta quinta-feira.

Os chineses, que recentemente compraram o controle da CPFL em uma transação bilionária, farão uma oferta pública para comprar o restante das ações da companhia por um preço de 25,51 reais por papel. A CPFL disse que realizará uma assembleia de acionistas para deliberar sobre o assunto.

Comgás (CGAS5)

O conselho da Comgás aprovou a distribuição de dividendos referentes ao exercício de
2016 no valor total de R$ 400 milhões, sendo R$ 306.863.294,20 para as ações ordinárias e R$ 93.136.705,80 para as preferenciais. Com isso, serão pagos R$ 3,07535052245 por papel ordinário e R$ 3,38288557470 por ativo preferencial.

A distribuição será feita com base na posição acionária de 20 de fevereiro, com as ações passando a ser negociadas na forma "ex" a partir de 21 de fevereiro, com pagamento ocorrendo em 3 de março.

Além disso, a companhia divulgou seu guidance para este ano, com a projeção para investir entre R$ 450 milhões e R$ 500 milhões este ano. Além disso, a Comgás espera ter um Ebitda normalizado entre R$ 1,55 bilhão e R$ 1,65 bilhão.

Vale (VALE3; VALE5)
A mineradora Vale produziu um recorde de 348,8 milhões de toneladas de minério de ferro em 2016, alta de 0,9 por cento ante o ano anterior, devido à melhor performance operacional das minas e plantas no norte do país, que mais do que compensaram a redução de produção em outras regiões, informou a companhia nesta quinta-feira. Assim, ela bateu um recorde que já era seu. 

No quarto trimestre, a maior produtora global de minério de ferro teve produção de 92,39 milhões de toneladas, alta de 4,5 por cento ante o mesmo período do ano anterior. A produção na região de Carajás, no Pará (sistema Norte), atingiu recorde de 148,1 milhões de toneladas em 2016, aumento de 14,3 por cento em relação a 2015, principalmente devido a melhoras na performance operacional e ao início das operações do projeto S11D, o maior da história da companhia, no quarto trimestre.

Por outro lado, a Vale paralisou ou reduziu operações em minas de margem menor, como a mina de Gongo Soco no sistema Sudeste, as minas de Urucum e Corumbá, no sistema Centro-Oeste, e as plantas de processamento de Jangada e Feijão, no sistema Sul. A previsão da Vale era produzir entre 340 milhões e 350 milhões de toneladas de minério de ferro em 2016. Segundo comunicado nesta quinta-feira, a empresa mantém a previsão de produzir entre 360 milhões e 380 milhões de toneladas em 2017.

Segundo apresentação recente da companhia, a produção de minério deverá subir também em 2018 e 2019, estacionando na faixa de 400 milhões a 450 milhões de toneladas anuais em 2020 e 2021.

Ainda no noticiário da empresa, depois que a norueguesa Yara se retirou como potencial compradora, a Vale retomou a busca de um comprador para quatro usinas de fertilizantes que não foram incluídas em uma venda de US$ 2,5 bilhões à Mosaic, de acordo com três fontes com conhecimento direto do assunto disseram à Reuters.

Um novo processo de venda das plantas localizadas na cidade de Cubatão, em São Paulo, foi lançado nos últimos dias, após a decisão da Yara International de se retirar em novembro. As conversações entre Yara e Vale ocorreram por vários meses, disse uma das fontes.

Os ativos incluem quatro plantas produzindo subprodutos à base de fosfato, amônia e nitrogênio, disseram as fontes. A Vale colocou uma série de ativos não essenciais à venda nos últimos 18 meses para atender a uma meta de redução de dívida de 10 bilhões de dólares estabelecida pelo presidente-executivo Murilo Ferreira.

Uma porta-voz da divisão de fertilizantes da Vale disse em comunicado enviado à Reuters que a empresa "continua em negociações para vender os ativos da Cubatão". A norueguesa Yara se recusou a comentar. As fontes falaram sob a condição de anonimato pois o processo continua em andamento.

Hypermarcas (HYPE3)
O JPMorgan rebaixou a recomendação das ações da Hypermarcas de overweight para neutra, destacando o potencial limitado de valorização para as ações, Os analistas ainda cortaram o preço-alvo das ações de R$ 30 para R$ 29,50.  

Conforme destaca o JPMorgan, embora o crescimento da Hypermarcas ultrapasse o mercado nos próximos cinco anos, a empresa poderá eventualmente precisar aplicar políticas de desconto mais elevada para "retirar espaço dos pares da prateleira", afirma. 

 Petrobras (PETR3;PETR4)
A produção de petróleo e gás natural da Petrobras, em janeiro, ficou em 2,86 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed). Desse total, 2,74 milhões boed foram produzidos no Brasil e 120 mil boed no exterior.

De acordo com a Petrobras, a produção média de petróleo no país atingiu 2,23 milhões de barris por dia (bpd), o que representou queda de 3% em comparação ao volume de dezembro do ano passado. A estatal informou que a parada programada na plataforma P-40, localizada no campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos; e a manutenção em um dos poços produtores interligados ao FPSO [sigla em inglês para unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência] Cidade de Anchieta, no Parque das Baleias, na mesma bacia, contribuíram para o resultado. A produção de gás natural no Brasil, em janeiro, excluído o volume liquefeito, alcançou 81,4 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) e se manteve em linha com a produção do último mês de 2016.

A produção de petróleo na camada pré-sal, operada pela Petrobras, tanto em parcela própria, como com os parceiros, registrou dois novos recordes. No mensal a produção atingiu 1,28 milhão bpd, e o diário, alcançado no último dia 4 de janeiro, ficou em 1,34 milhão de barris. Houve recorde ainda na produção de petróleo e gás natural operada que fechou em 1,59 milhão boed.

CSN (CSNA3)
A CSN, de Benjamin Steinbruch, deu início a conversas com a chinesa China Communications Construction Company (CCCC), maior estatal de infraestrutura da China, para vender uma parte ou mesmo toda sua participação na Transnordestina, apurou o jornal O Estado de S. Paulo. As conversas entre as duas companhias ainda estão no início, mas reacendeu uma discussão em Brasília, que busca uma alternativa urgente para dar prosseguimento às obras, inclusive sem a participação de Steinbruch, dizem fontes a par do assunto.

Apesar do esforço do governo em sinalizar que a sociedade da estatal Valec com a CSN seguirá adiante, o fato é que as possibilidades de a empresa de Steinbruch seguir no negócio são mínimas. A relação entre os sócios já acumula anos de desgaste, mas a pá de cal foi dada com a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que no mês passado determinou a paralisação de repasse financeiro para o projeto, até que se resolva uma série de irregularidades graves que pairam sobre a obra. 

A Transnordestina - ferrovia projetada para ligar o Porto de Pecém, no Ceará, ao Porto de Suape, em Pernambuco, passando pelo Piauí - está orçada em R$ 11,2 bilhões, dos quais R$ 6 bilhões já foram aportados, boa parte com dinheiro público.

 Engie (ENGI3)
A Engie busca compradores para ativos de energia a carvão. A empresa contratou Morgan Stanley para assessorar empresa em pesquisa de mercado para possível venda de duas unidades, segundo comunicado ao mercado. AS Unidades que podem ser vendidas são: Complexo Termelétrico Jorge Lacerda e Usina Termelétrica Pampa Sul.

BTG Pactual (BBTG11)
De acordo com o Valor Econômico, o BTG Pactual assinou há poucos dias um contrato de confidencialidade para ter acesso às informações sobre o que restou do Banco Econômico, que está em liquidação extrajudicial há mais de vinte anos, desde agosto de 1996. O interesse essencial do BTG está na compra da carteira de créditos da instituição. 

Vale destacar que, após encolher seus empréstimos em cerca de R$ 10 bilhões no ano passado, em meio à crise que enfrentou com a prisão de André Esteves, o BTG Pactual está preparado para dobrar sua carteira de crédito, segundo o presidente da instituição, Roberto Sallouti. Até o fim de dezembro, a carteira de crédito do BTG Pactual somava R$ 19,3 bilhões, redução de quase 34% em relação ao fim de 2015, quando totalizava R$ 29,2 bilhões. Na comparação com setembro, o resultado é negativo em 5,4%. 

Educacionais
O MEC alterou as regras do Fies e fixa parâmetros para encargos. A portaria definiu que serão considerados os conceitos mais recentes constantes do Cadastro e-MEC de Instituições e Cursos de Educação Superior para fins de concessão do Fies, segundo portaria normativa do MEC no Diário Oficial.

Também estabelece que são passíveis de financiamento pelo Fundo os encargos educacionais cobrados dos estudantes pelas instituições de ensino mantidas pelas entidades com adesão ao Fies, observado o limite do valor máximo de financiamento estabelecido pelo FNDE/MEC
Para cálculo dos encargos educacionais a serem financiados pelo Fies deverão ser deduzidos do valor das mensalidades, semestralidades ou anuidades, todos os descontos regulares e de caráter coletivo oferecidos pela instituição.

Falas de Meirelles
As falas do ministro da Fazenda Henrique Meirelles para a GloboNews podem mexer com alguns setores da Bolsa. Ele afirmou que a venda de terras para estrangeiros será liberada "nos próximos 30 dias". O objetivo da medida, segundo ele, é dar impulso ao agronegócio, "uma das áreas que está dando certo" no País. O ministro, no entanto, não informou que tipo de mecanismo legal será utilizado para liberar o acesso de investidores de fora do Brasil ao mercado de propriedades rurais.

Ainda na entrevista à Globonews, Meirelles afirmou que o governo já decidiu elevar para R$ 1,5 milhão o limite de financiamento imobiliário via Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) - atualmente, em São Paulo, o teto está em R$ 950 mil. "A classe média vai ser extremamente beneficiada (pela medida)", disse. O ministro não informou quando o novo limite passará a valer.

(Com Reuters, Bloomberg, Agência Brasil e Agência Estado)

Minério de ferro
(Bloomberg)

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