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Elétricas disparam até 12% após Copom e Gol salta 8% com expectativa por nova medida de Temer

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quinta-feira

Cemig 04 - Hidrelétrica
(Divulgação Cemig)

SÃO PAULO - O Ibovespa subiu forte nesta quinta-feira (12), após o Copom (Comitê de Política Monetária) surpreender o mercado e cortar a Selic em 0,75 ponto percentual. O índice subiu 2,41%, a 63.953 pontos, em meio à euforia das ações de empresas cuja demanda é mais sensível às taxas de juros, as companhias endividadas e aquelas boas pagadoras de dividendos, como as elétricas. 

Com isso, as maiores altas do Ibovespa ficaram com as ações da Cemig, BR Malls, Eletrobras, Lojas Americanas e Localiza. Do outro lado, apenas 6 das 59 ações do índice recuaram, sendo três delas exportadoras, que foram penalizadas pelo movimento de queda do dólar frente ao real. 

Fora da pauta Copom, a ação da Gol disparou em meio à notícia de que o presidente Michel Temer deve assinar, ainda neste mês, uma nova medida provisória aumentando para 100% o limite de capital estrangeiros nas companhias.

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

"Kit Selic"
Ações de diferentes setores reagiram de maneira positiva ao corte da taxa básica de juros na véspera. Entre elas estão as imobiliárias, varejistas, construtoras, concessionárias, administradoras de shopping centers, companhias endividadas e pagadoras de dividendos e o papel da própria BM&FBovespa (BVMF3, R$ 17,91, +2,64%).

Clique aqui para entender detalhadamente a reação de cada um desses grupos à Selic

Abaixo o desempenho de cada setor

- Imobiliárias
O setor de construção civil disparou nesta sessão, com destaque para as ações da Helbor (HBOR3, R$ 2,12, +7,07%), PDG Realty (PDGR3, R$ 1,95, +7,73%) e Gafisa (GFSA3, R$ 2,28, +7,55%), que tiveram valorizações entre 7% e 8%. 

Além disso, dois papéis desses setores estão entre os 5 melhores pagadores de dividendos de 2017, segundo uma lista do BTG Pactual. São eles: Helbor e Direcional Engenharia (DIRR3, R$ 4,94, +2,70%). 

- Empresas cíclicas
Destaque também para as empresas que são beneficiadas pelo sentimento de retomada econômica provocado pela queda de juros. São elas: empresas de consumo e varejo, especialmente as que vendem a prazo. 

No setor, as maiores altas hoje ficam com Restoque (LLIS3, R$ 3,87, +9,01%), B2W, Lojas Americanas (LAME4, R$ 17,66, +7,36%), Lojas Renner (LREN3, R$ 24,44, +6,68%) e Lojas Marisa (AMAR3, R$ 6,75, +7,14%). O BTG Pactual colocou as ações da Marisa e Restoque entre as maiores beneficiadas no corte de juros: a cada 100 pontos-base de redução no CDI, o lucro delas deve aumentar em 82% e 58%, respectivamente. 

Os analistas do Itaú BBA destacaram que, no curto prazo, os investidores devem ir para as ações de maior liquidez e geralmente lembradas como "calls" de juros, como: BR Malls, Lojas Americanas, CCR, Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 59,33, +5,76%), Cyrela (CYRE3, R$ 12,05, +2,99%) e Localiza (RENT3, R$ 39,00, +7,17%), papéis que aparecem hoje entre as maiores altas da Bolsa. Eles chamam atenção também para a Rumo (RUMO3, R$ 6,89, +4,55%): "apesar da recomendação 'market perform' (desempenho em linha com a média), acreditamos que o mercado provavelmente vai comprar também ações da Rumo". 

- Endividadas
Outras que chamaram atenção hoje foram as ações alavancadas, como CSN
 (CSNA3, R$ 12,38, +4,47%), a maior favorecida pela queda de juros, segundo o BTG Pactual. Essa é a ação que mais sobe no setor de siderurgia, na frente de Gerdau (GGBR4, R$ 12,80, +1,59%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,58, +0,54%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,54, +2,48%). De acordo com cálculos do BTG, a cada 100 pontos-base de redução no CDI, o lucro da CSN deve aumentar impressionantes 96%. Além do Copom, esses papéis reagem também à valorização do minério de ferro nesta sessão (veja abaixo o comentário sobre Vale).

ESPECIAL: Quais ações comprar na Bolsa com a Selic em queda livre?

- Pagadoras de dividendos
O setor elétrico e de saneamento básico, considerados bons pagadores de dividendos, também subiram forte hoje, com Eletrobras (ELET3, R$ 23,20, +7,76%), Copel (CPLE6, R$ 31,45, +4,73%), Cemig (CMIG4, R$ 8,64, +12,06%) e Sabesp (SBSP3, R$ 31,14, +5,85%).

Na lista das 5 maiores pagadoras de dividendos de 2017 do BTG têm duas ações do setor elétrico. São elas: Taesa e AES Tietê. 

Sobre a AES Tietê vale menção também uma notícia fora do radar Copom. A empresa confirmou que está "em negociações avançadas" com a Renova Energia para a aquisição do complexo eólico Alto Sertão II, segundo comunicado da companhia ao mercado nesta quinta-feira. A Reuters noticiou em 2 de janeiro que as empresas estavam próximas de um acordo de até 700 milhões de reais pelas usinas na Bahia, que somam quase 400 megawatts em capacidade. A AES Tietê não comentou valores e nem deu mais detalhes sobre a transação.

- Concessões e infraestrutura
As concessionárias também tiveram forte desempenho hoje com CCR (CCRO3, R$ 16,16, +1,96%) e Ecorodovias (ECOR3, R$ 8,83, +5,88%). 

Vale menção que é a valorização da CCR foi bem menor do que a de Ecorodovias hoje por conta de uma notícia ex-Copom. Ontem, o papel caiu 3,5% após que a Folha de S. Paulo divulgar uma matéria apontando que a ANTT arquivou o processo que discutia a extensão do contrato da NovaDutra e, por causa disso, a concessão seria relicitada em 2021. Apesar da noticia ser negativa, o Credit Suisse destacou que acredita que o arquivamento aconteceu por um desconforto dos técnicos da ANTT em seguir com as negociacõess do contrato, já que o TCU já se disse contrário durante as discussões sobre o Concer da Triunfo. No entanto, eles avaliam que não há nenhum impedimento de que as negociações sejam retomadas a partir de onde pararam.

- Administradoras de shoppings
As administradoras de shoppings também foram destaque hoje, com BR Malls (BRML3, R$ 13,90, +8,51%), General Shopping (GSHP3, +7,95%, R$ 4,48); Iguatemi (IGTA3, +6,78%, R$ 29,92), Multiplan (MULT3, +6,45%, R$ 64,85). 

Saindo do "kit Selic"...

Vale (VALE3, R$ 30,07, +3,23%; VALE5, R$ 27,48, +2,12%)
As ações da Vale e Bradespar (BRAP4, R$ 17,79, +4,34%) - holding que detém participação na Vale - reagiram com forte alta à variação do preço do minério de ferro e uma elevação de recomendação. A Renaissance Capital elevou a recomendação da Vale de underperform para market perform, elevando o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) de US$ 9,30 para US$ 9,40. 

Hoje, o minério de ferro negociado no Porto de Qingdao, na China, subiu 0,72% nesta sessão, a US$ 80,99 a tonelada. Segundo o BTG Pactual, a Vale está precificando atualmente um minério em torno de US$ 53 e US$ 55 a tonelada (que é o cenário base do banco). Porém, se a commodity mantiver o preço atual, os papéis da mineradora teriam espaço para a valorização de 140%. Os analistas comentam que, olhando para o curto prazo, não há motivos para vender a ação, dado a expectativa de forte resultado no 4° trimestre, com Ebitda acima de US$ 4,5 bilhões, mas, olhando mais para frente, as expectativas seguem céticas, dado percepção de que o preço do minério pode não ser sustentável a esse patamar. 

VEJA MAIS: Se tudo ficar igual até o final do ano, ação da Vale pode subir 140%; entenda por quê

Ainda no radar, foi estendido até 19 de janeiro o prazo para que a Vale e a BHP Biliton depositem o valor de R$ 1,2 bilhão determinado por decisão judicial, em função da ação civil pública ajuizada pela União e os estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Os recursos serão destinados à reparação dos danos socioambientais decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG).

Petrobras (PETR3, R$ 18,35, +1,66%; PETR4, R$ 15,90, +1,53%)
As ações da Petrobras amenizaram os ganhos de até 4% nesta sessão, em meio à euforia do mercado doméstico após surpresa com Copom (Comitê de Política Monetária) e alta dos preços do petróleo. No mercado internacional, o contrato do petróleo Brent registrava alta de 1,78%, a US$ 56,08 o barril, enquanto o WTI subiu 1,5%, a US$ 53,01 o barril.

Além disso, a Petrobras pode começar do zero a licitação da unidade de processamento de gás natural do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), apesar de já ter efetuado pagamento de R$ 500 milhões por ela. As informações foram dadas pelo jornal O Estado de S. Paulo. O valor da obras está estimado em R$ 2 bilhões, o mesmo estipulado à construtora Queiroz Galvão, que abandonou o projeto com 30% da infraestrutura construída, em 2015.

Bancos
Os 4 grandes bancos brasileiros sobiram forte na Bovespa, na esteira do comunicado do Copom. São eles: Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 36,73, +2,54%), Bradesco (BDC4, R$ 31,32, +2,35%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 29,20, +2,53%) e Santander (SANB11, R$ 31,37, +5,02%). 

Ontem, após o corte "surpresa" de 0,75 ponto percentual, os bancos públicos e privados anunciaram reduções de juros. Bradesco reduziu as taxas de juros de linhas de crédito para pessoas físicas e para empresas. Para pessoa físicas, o banco reduziu a taxa mínima mensal do crédito pessoal de 2,84% para 2,78% ao mês, e a máxima de 7,78% para 7,72%. A taxa máxima do cheque especial passou de 13,55% para 13,49% ao mês.

Já o Banco do Brasil anunciou a diminuição dos juros cobrados na maior parte das linhas que oferece, sendo que em cinco delas a queda foi maior do que os 75 pontos-base de redução da Selic. As novas taxas entram em vigor a partir da próxima segunda. Além disso, o jornal Folha de S.Paulo informa que o banco vai liderar um consórcio de bancos para fazer novos empréstimos ao governo do Rio com garantias do Tesouro. Caixa e Bradesco farão parte do grupo, que pode contar com mais instituições privadas.

Exportadoras
Em dia de euforia no mercado brasileiro, apenas 6 das 59 ações do Ibovespa caíram, sendo três delas exportadoras. São elas: as empresas do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 31,30, -1,26%) e Suzano (SUZB5, R$ 13,13, -1,13%) e a fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 16,49, -1,55%). 
Esses papéis são penalizados pelo movimento do dólar, dado que suas receitas são atreladas à moeda americana. O dólar comercial caiu 0,50%, a R$ 3,1756 na venda.

Apesar do dia negativo, a Fibria fez um bom comunicado, elevando o preço da celulose em US$ 30 por tonelada para os mercados da Ásia, Europa e América do Norte. O reajuste é válido a partir de 1º de fevereiro. Com isso, o novo preço da celulose de eucalipto na Europa sobe para US$ 710/ton, enquanto na América do Norte o novo preço será de US$ 890/ton. Na Ásia, o preço fica em US$ 600/ton.

Ultrapar (UGPA3, R$ 67,50, -0,30%)
O Santander rebaixou a recomendação para as ações da Ultrapar de compra para manutenção, com o preço-alvo para 2017 passando de R$ 78,00 para R$ 75,60. A equipe de análise destaca que a Ultrapar tem sido muito bem-sucedida em oferecer resultados operacionais de alta qualidade e consistentes nos últimos anos, impulsionados principalmente pela Ipiranga e também pela Oxiteno e Ultragaz. No entanto, a combinação de: (i) Ebitda e crescimento de lucro esperado sem brilho devido à perspectiva pouco inspiradora para volumes na Ipiranga na primeira metade do ano e à fraca margem para a Oxiteno impactada pela volatilidade do real, (ii) valuation em linha com a média histórica apesar do menor crescimento, e (iii) a falta de catalisadores, levou os analistas a rebaixar a classificação.

JBS (JBSS3, R$ 12,04, +0,50%) e BRF (BRFS3, R$ 47,05, +2,59%)
A processadora de carnes está prestes a desbancar a concorrente BRF e se tornar fornecedora exclusiva de hambúrguer ao McDonald's no Brasil. Conforme conta reportagem do jornal Valor Econômico, o contrato ainda não foi assinado, mas as tratativas estariam avançadas. Até então, as duas companhias forneciam a carne servida no Big Mac -- o lanche mais famoso da rede. No Brasil, a empresa de fast food consome, em média, 33 mil toneladas de hambúrgueres de carne bovina ao ano, segundo apuração do jornal.

Ainda sobre o setor de frigoríficos, o Valor Econômico destaca que os EUA relataram o primeiro foco de gripe aviária altamente patogênica em 2017 à OIE no condado de Fergus, no Estado de Montana, próximo à fronteira com o Canadá. Segundo o Itaú BBA, esta notícia pode gerar algum ruído entre os investidores do setor. Contudo, o banco aponta que este caso é pontual e não deve impactar as ações do setor no Brasil como BRF e JBS, que poderiam ser beneficiadas em caso dos EUA terem as suas portas fechadas para exportações. 

Aéreas
As ações da Gol (GOLL4, R$ 5,73, +7,71%) dispararam, com forte volume financeiro, em meio à notícia de que o presidente Michel Temer deve assinar, ainda neste mês, uma nova medida provisória aumentando para 100% o limite de capital estrangeiros nas companhias. O volume financeiro movimentado com o papel atinge nesta sessão R$ 28,9 milhões, contra média diária de R$ 11,7 milhões dos últimos 21 pregões. 

Segundo o Valor Econômico, o governo já tem uma versão preliminar da nova medida provisória que retira as restrições ao capital estrangeiro nas companhias aéreas e também pretende relançar ainda neste mês o programa de aviação regional, com obras em 58 aeroportos e investimentos de R$ 300 milhões no ano.

De acordo com a reportagem, o texto ajustará as regras para subsídios a voos regionais, com benefícios restritos apenas à Amazônia Legal, em um primeiro momento, com subvenções para até 60 assentos por voo. Sendo assim, aeronaves maiores, como os modelos Boeing 737-800 da Gol  ou Airbus A320 usados pela TAM, tornam-se menos competitivas para a aviação regional, já que teriam menos passageiros subsidiados proporcionalmente ao total de assentos.

Para o BTG Pactual, embora a liberalização possa facilitar alternativas de fusões e aquisições no Brasil, o que seria positivo para a Gol, existem formas criativas de viabilizar fusões e aquisições com capital estrangeiro no setor mesmo a legislação atual (vide estrutura da TAM na LATAM e as "super PNs" da GOL).

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