Em mercados / acoes-e-indices

As 5 imagens que retratam as diferentes reações do mercado ao discurso de Trump

Ibovespa subiu e dólar comercial caiu após primeira coletiva de imprensa de Trump

SÃO PAULO - O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, não trouxe  novidades em sua primeira entrevista coletiva de imprensa (veja aqui) nesta quarta-feira (11), mas ainda assim provocou uma turbulência nos mercados mundiais.

Por aqui, a reação mais forte foi vista no contrato futuro dólar, que acompanhou o exterior e afundou 1,4% do instante inicial da coletiva - às 14h15 (horário de Brasília) - até às 16h15, quando atingiu o menor patamar do dia a R$ 3,198. Nos 60 minutos que duraram a fala de Trump, a moeda caiu 1%, indo de R$ 3,243 a R$ 3,212. O contrato futuro, no entanto, ganhou força nos minutos finais de pregão e encerrou em leve alta de 0,20%, a R$ 3,220. O dólar comercial, por sua vez, fechou a sessão em queda de 0,22%, a R$ 3,916 na venda. 

Já no Ibovespa o movimento foi mais lento: nos primeiros 20 minutos da entrevista de Trump, o índice recuou 0,3%, mas retomou o campo positivo a partir das 14h47. O benchmark da Bolsa brasileira encerrou esta sessão em alta de 0,51, a 62.446 pontos. O volume negociado nesta sessão ficou em R$ 6,78 bilhões. 

Para os agentes de mercado, no entanto, Trump não trouxe nada de novo: "Sobre esta primeira coletiva o ponto é que Trump não falou nada de mais. O mercado procura e espera por sinais ou comentários que justifiquem a continuidade da leitura do ‘Trumpflation’, mas não veio nada mais forte neste sentido”, disse Leonardo Monoli, sócio e gestor da Jive Asset à Bloomberg.  

"Foi gerada uma expectativa negativa que foi se dissipando com a falta de esclarecimento", disse Italo Abucater, gerente de mesa de câmbio da Icap. "Ou seja, assim como no Brasil, a falta de notícia virou uma excelente notícia". Segundo ele, o mercado criou uma expectativa negativa sobre planejamentos econômicos mais agressivos; o fato de Trump não ter mencionado nada gerou melhora nas moedas globalmente. "O fato de Trump não ter dito nada que pudesse 'desagradar' manteve a expectativa anterior à postura de cautela antes de sua fala", complementou Aldo Moniz, analista da Um Investimentos.

Entre outras coisas, Trump disse que agências de inteligência dos EUA podem ter vazado um dossiê com o que ele chamou de "notícias falsas" sobre como a Rússia tentou influenciar suas ações, e afirmou que as alegações são mentirosas. Também criticou o programa de saúde do presidente Barack Obama, conhecido como Obamacare. 

"Trump foi muito vago na sua entrevista. O mercado achou positivo ele não falar nada pesado, nada alarmante, mas acho preocupante justamente não sabermos nada", destacou o economista-chefe da gestora Infinity Asset, Jason Vieira para a agência de notícias Reuters. 

Além disso, o desempenho de ações ligadas ao setor de commodities ajudaram o índice a ficar no positivo, como foram os casos de Petrobras e Vale. As ações da Petrobras, após uma manhã de instabilidade, firmaram-se no campo positivo em meio à alta do preço do petróleo, que foi impulsionado por um enfraquecimento do dólar, seguindo a conferência de Trump e notícias de que a Arábia Saudita vai cortar sua exportação para a Ásia. Com isso, o contrato do petróleo Brent subia 2,6%, a US$ 55,03 o barril, enquanto o WTI encerrou em alta de 2,8%, a US$ 52,25 o barril. 

Turbulência em Wall Street e México
Enquanto o Brasil ficou fora do radar de Trump, nos Estados Unidos o maior susto foi sentido nas ações do setor farmacêutico, que caíram forte após o presidente eleito ter reiterado sua intenção de mudar licitações para reduzir custos.

No momento inicial das falas de Trump, as bolsas de Wall Street mergulharam, mas logo voltaram a retomar o terreno positivo. Todos os principais índices acionários operavam em alta neste momento: Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq. 

Forte reação também foi vista no mercado mexicano: o peso mexicano atingiu seu menor patamar histórico frente ao dólar neste pregão, após Trump voltar a afirmar que vai começar a construção de um muro na fronteira com o México antes mesmo de concluir as negociações com aquele país.

Ele ressaltou também que as indústrias estão começando a retornar aos EUA e citou especificamente a Ford, a Fiat e a Chrysler - companhias que anunciaram investimentos na região do Meio-Oeste industrial do país. "Espero que a General Motors siga o que está acontecendo", continuou ele. "As indústrias estão começando a retornar ao país". 

Essa reação oposta das moedas - enquanto o real ganhou força frente ao dólar, o peso mexicano atinge seu menor patamar histórico - deve-se ao fato de que os investidores estrangeiros podem estar trocando México por Brasil em meio ao temor do "efeito Trump" na economia mexicana. No último ano, o peso registrou a pior performance entre as moedas mundiais, com queda de 20% sobre o dólar, em reação às eleições americanas. 

Veja a reação do mercado em imagens: 

- Ibovespa

IBOV1101

- Dólar Futuro

DOLFUT1101

- Peso Mexicano

DOLMXN 1101

- Dow Jones

DJI 1101

- Petróleo (WTI)

WTI 1101

- Ouro 

Ouro 1101

Trump
(Shutterstock)

Contato