Por Paula Barra Lara Rizério Mário Braga Em mercados / acoes-e-indices  11 jan, 2017 14h39 - Atualizada em 17h24

Misto de alívio e incerteza marca mercado brasileiro após fala de Trump; dólar renova mínima desde novembro

Mercado acompanhou coletiva de Donald Trump com atenção, que não trouxe novidades; alta do petróleo ajuda Ibovespa a ficar no campo positivo

Por Paula Barra Lara Rizério Mário Braga Em mercados / acoes-e-indices  11 jan, 2017 17h24

SÃO PAULO - O Ibovespa registra um movimento de volatilidade na reta final da sessão desta quarta-feira (11), em meio a um misto de alívio e de incerteza após a primeira entrevista coletiva do presidente eleito dos EUA, Donald Trump (confira o que ele falou clicando aqui).

Às 17h17 (horário de Brasília), o benchmark da Bovespa registrava leve alta de 0,23%, a 62.271 pontos, enquanto o contrato de dólar futuro com vencimento em fevereiro registrava queda de 0,03%, a R$ 3,213, após ter chegado a cair cerca de 0,4% após a coletiva do republicano. O dólar comercial, por sua vez, fechou em baixa de 0,22%, a R$ 3,1916 na venda, após bater mais de 1% de alta e ir R$ 3,2308 na máxima do dia. Foi novamente o menor nível de fechamento desde 8 de novembro passado. 

A fala de Trump não trouxe tantas novidades para o mercado, o que de certa forma gerou um alívio. "O fato de Trump não ter dito nada que pudesse 'desagradar' manteve a expectativa anterior à postura de cautela antes de sua fala", afirmou Aldo Moniz, analista da Um Investimentos, para a Bloomberg

Entre outras coisas, Trump disse que agências de inteligência dos EUA podem ter vazado um dossiê com o que ele chamou de "notícias falsas" sobre como a Rússia tentou influenciar suas ações, e afirmou que as alegações são mentirosas. Também criticou o programa de saúde do presidente Barack Obama, conhecido como Obamacare. 

"Trump foi muito vago na sua entrevista. O mercado achou positivo ele não falar nada pesado, nada alarmante, mas acho preocupante justamente não sabermos nada", destacou o economista-chefe da gestora Infinity Asset, Jason Vieira para a agência de notícias Reuters. 

Além disso, o desempenho de ações ligadas ao setor de commodities ajudam o índice a ficar no positivo, como é o caso de Petrobras e Vale. As ações da Petrobras, após uma manhã de instabilidade, firmaram-se no campo positivo em meio à disparada do preço do petróleo. O brent era negociado em alta de 3,41%, a US$ 55,47 o barril, enquanto o WTI tinha alta de 3,44%, a US$ 52,57 o barril. 

Lá fora, as bolsas de Wall Street retomam terreno perdido e oscilam entre leves perdas e ganhos, após mergulho inicial com as falas de Trump. Todos os principais índices acionários: Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq operavam em leves ganhos. Forte reação também era acompanhada no peso mexicano, que atingia seu menor patamar histórico frente ao dólar, após o presidente dos EUA comentar que espera que a General Motors siga o mesmo exemplo que a Ford. 

Essa reação oposta das moedas - enquanto o real ganha força frente ao dólar, o peso mexicano atinge seu menor patamar histórico - deve-se ao fato de que os investidores estrangeiros podem estar trocando México por Brasil em meio ao temor do "efeito Trump" na economia mexicana. No último ano, o peso registrou a pior performance entre as moedas mundiais, com queda de 20% sobre o dólar, em reação às eleições americanas. 

Noticiário doméstico
Além dos destaques internacionais, o mercado acompanha o noticiário doméstico. A Polícia Federal pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a prorrogação do inquérito que investiga se os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva participaram de um acordo para obstruir a Operação Lava Jato (leia aqui). 

No campo econômico, o dia também conta com os dados da inflação em dezembro e a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre o novo patamar da taxa básica de juros, hoje fixada em 13,75% ao ano. A maioria do mercado aposta em uma redução de 50 pontos-base, mas há quem espere uma redução de 75 pontos-base.

A inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ficou em 0,30% em dezembro -- abaixo da mediana das expectativas do mercado, de 0,34% --, conforme mostrou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta manhã. Com o resultado, o índice oficial de preços encerrou 2016 em 6,29%, abaixo do teto da meta, de 6,50% e também abaixo da mediana das projeções coletadas pela Bloomberg, de 6,34%.

Destaques da Bolsa

Do lado acionário, os papéis da Petrobras (PETR3PETR4) sobem, seguindo os preços do petróleo no mercado internacional, apesar de decepção com os dados de estoques nos Estados Unidos (veja aqui). Além disso, a estatal informou que sua produção média de petróleo no Brasil atingiu, em 2016, recorde histórico, alcançando a marca de 2.144.256 barris por dia, 0,75% acima do resultado do ano anterior e em linha com a meta prevista para o período. De acordo com o Itaú BBA, a entrega das metas de produção pelo segundo ano consecutivo ajuda a gestão da companhia a adquirir confiança.

Após disparar 7% na véspera, as ações da Vale (VALE3VALE5) seguem o rali após o minério de ferro negociado no porto de Qingdao registrar alta de 1,23% nesta quarta, cotado a US$ 80,41.

 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 GOAU4 GERDAU MET PN 5,48 +3,59
 GGBR4 GERDAU PN 12,30 +2,67
 BRAP4 BRADESPAR PN 16,92 +2,67
 CPLE6 COPEL PNB 29,45 +2,61
 CMIG4 CEMIG PN 7,64 +2,55

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 CCRO3 CCR SA ON 15,85 -3,53
 BBSE3 BBSEGURIDADEON 28,65 -3,08
 USIM5 USIMINAS PNA 4,39 -2,88
 NATU3 NATURA ON 23,19 -2,56
 KROT3 KROTON ON 13,05 -2,54
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
Trader
(Bloomberg)

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