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Dia de "sell off": 15 ações do Ibovespa desabam mais de 6%; Vale e Embraer se salvam

Confira os principais destaques de ações do pregão desta quinta-feira (1)

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(Wikimedia)

SÃO PAULO - O Ibovespa afundou 3,88% nesta quinta-feira (1º), no seu pior pregão em 10 meses, após euforia na véspera com o acordo da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Além de um ajuste, depois de disparada na véspera, uma combinação de três fatores básicos ajuda a entender a reação do mercado hoje: a crise política, que volta ao radar; o cenário americano, onde os Treasuries voltam a ganhar força antes da divulgação do relatório de emprego; e por fim, com o impacto direto no dólar hoje, o fato de o Banco Central ter "desaparecido", sem anunciar as rolagens dos swaps cambiais.

Diante da apreensão dos investidores, 16 ações afundam entre 6% e 12% nesta tarde, enquanto apenas 3 das 58 ações do Ibovespa se salvaram. São elas: Vale ON, que subiu com a alta de 9% do minério (a ação preferencial da Vale virou para queda nesta tarde); a Fibria, que ganhou com a alta de mais de 2% do dólar e anúncio de reajuste nos preços da celulose; e a Embraer, que além do câmbio, sentiu o efeito positivo de uma elevação de recomendação pelos analistas do BTG Pactual. O dólar comercial registrou valorização de 2,4% nesta sessão, a R$ 3,4685 na venda.  

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta quinta-feira:

Vale (VALE3, R$ 28,47, +1,46%; VALE5, R$ 25,30, -0,98%)
minério de ferro spot (à vista), negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza, fechou em forte alta de 8,71%, a US$ 78,36. Com isso, as ações da Vale subiram até 8% nesta sessão, mas os papéis preferenciais perderam força e viraram para queda nesta tarde. No radar da companhia, importante destacar que a Haitong cortou sua recomendação para a mineradora de neutra para venda.

As siderúrgicas, por sua vez, fecharam em queda, com a Usiminas (USIM5, R$ 4,02, -3,13%), Gerdau (GGBR4, R$ 12,95, -4,43) e a CSN (CSNA3, R$ 11,66, -6,19%). A CSN informou a conclusão da venda da fabricante de latas de aço Companhia Metalic Nordeste para a Can-Pack por R$ 372,5 milhões à vista. Segundo o Valor Econômico, o valor está sujeito a ajustes. O acordo havia sido anunciado em agosto.

Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,80, -4,53%)
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta a 8ª fase da Operação Zelotes tendo entre os alvos os bancos Itaú Unibanco e BankBoston. As ações do Bradesco, Banco do Brasil e Santander também acompanham o movimento negativo e fecharam em quedas de até 8%.

Foram cumpridos hoje mandados de condução coercitiva e de busca e apreensão em São Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro. Cerca de cem policiais federais cumpriram 34 mandados judiciais, sendo 21 de busca e apreensão e 13 de condução coercitiva.

O Itaú Unibanco confirmou que a Polícia Federal fez diligência nas dependências da instituição hoje, com o objeto da operação sendo documentos relativos a processos tributários do BankBoston, segundo nota do banco à imprensa. 

A instituição financeira disse que o contrato de aquisição com o Bank of America das operações do BankBoston do Brasil, em 2006, não abrangeu a transferência, para o Itaú, dos processos tributários do BankBoston e que por isso "esses processos continuaram de inteira responsabilidade do Bank of America". "O Itaú não tem qualquer ingerência em tal condução, inclusive no que se refere à eventual contratação de escritórios ou consultores", disse o banco na nota.

Petrobras (PETR3, R$ 18,21, -1,41%; PETR4, R$ 15,44, -3,50%)
As ações da Petrobras afundaram em meio ao mau humor do mercado doméstico, se descolando dos preços do petróleo, que seguiram o rali da véspera, após o acordo da Opep. O contrato do petróleo WTI avançou 3,3%, a US$ 51,06 o barril.  

No radar, a Petrobras aprovou durante Assembleia Geral Extraordinária de Acionistas a venda de 90% da participação acionária que tinha na companhia Nova Transportadora do Sudeste (NTS) para o fundo Nova Infraestrutura Fundo de Investimento em Participações. O valor da transação é de US$ 5,194 bilhões. O fundo é gerido pela Brookfield Brasil Asset Management Investimentos Ltda.

De acordo com a companhia, a negociação está incluída no seu plano de desinvestimentos definido em US$ 15,1 bilhões para o biênio 2015-2016. A decisão ainda está sujeita ao cumprimento das condições precedentes previstas no contrato. A assembleia aprovou também o nome de Marcelo Mesquita de Siqueira Filho como membro do Conselho de Administração. Ele foi eleito pelos acionistas minoritários detentores de ações ordinárias.

Ainda na assembleia de hoje foram aprovadas as propostas de mudanças no Estatuto Social, para segundo a Petrobras, aprimorar as práticas e estruturas de governança corporativa das empresas controladas pela administração pública. O objetivo é manter-se conforme as novas exigências da Lei 13.303, que dispõe sobre o estatuto jurídico das empresas públicas e sociedades de economia mista, sancionada em 30 de junho de 2016. As mudanças respeitam o enquadramento da companhia nas exigências do Programa Destaque em Governança de Estatais da BM&FBovespa.

Fibria (FIBR3, R$ 31,55, +1,74%)
A produtora de celulose Fibria anunciou nesta quinta-feira aumento no preço da tonelada de celulose vendida nos Estados Unidos e Europa a partir de primeiro de janeiro, depois de ter elevado o preço para clientes na Ásia neste mês. A companhia não informou em quanto elevou os preços para clientes nos EUA e Europa, apenas informou os novos valores, que passaram a ser de 860 e 680 dólares, respectivamente.

Sabesp (SBSP3, R$ 28,20, -5,87%)
A Sabesp caiu forte nesta sessão, atingindo na mínima do dia queda de 6,28%, a R$ 28,08. Sem uma notícia que justifique o movimento, é importante lembrar que a companhia tem uma alta dívida denominada em dólar, e com a disparada da moeda hoje, na casa de 2,5%, vê seu cenário financeiro ficar mais complicado.

Rumo (RUMO3, R$ 5,91, -7,08%)
O conselho de administração da Rumo Logística aprovou a incorporação de seus ativos pela Rumo, produto da fusão com a América Latina Logística (ALL), em uma reorganização societária que busca segregar as atividades de transporte ferroviário das operações portuárias, de acordo com fato relevante divulgado na noite de quarta-feira.

Com um custo estimado em R$ 200 mil, a incorporação visa à "simplificação da estrutura do grupo" e deve trazer ganhos de sinergias e eficiência aos negócios, diz o documento. Ainda segundo o comunicado, a operação não resultará em qualquer diluição aos acionistas atuais da Rumo Logística, que devem receber 1.339.015.898 novas ações ordinárias da Rumo. Com isso, o capital social da Rumo passará de cerca de R$ 5,590 bilhões para R$ 7,015 bilhões.

A incorporação e consequente extinção da Rumo Logística ainda está sujeita à aprovação pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) prevista para 19 de dezembro de 2016.

Totvs (TOTS3, R$ 21,70, +0,88%)
Após "ressaca" com o MSCI Emergentes, as ações da Totvs se descolaram do dia negativo no mercado brasileiro e subiram. Os papéis fecharam ontem em forte queda de mais de 4%, em meio à avanlanche de vendedores provocada pela revisão do MSCI, um dos principais índices de referência do mundo e acompanhado por diversos fundos de investimentos. Do dia 14 de novembro, quando foi divulgada a nova carteira do índice até ontem, os papéis da small cap caíram 9% (confira aqui a reação da ação ao MSCI).  

Cemig (CMIG4, R$ 7,40, -6,33%)
O Ministério de Minas e Energia rejeitou recurso da Cemig contra decisão que negou a prorrogação do prazo de concessão da usina hidrelétrica Miranda, em Uberlândia e Indianópolis, ambas em Minas Gerais, que termina este ano.

Em 27 de outubro, o ministro indeferiu requerimento de renovação da concessão de Miranda formulado pela Cemig, atendendo a uma recomendação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A Cemig tinha solicitado em junho à Aneel a prorrogação da concessão da usina, por 20 anos. O contrato da hidrelétrica termina em 23 de dezembro deste ano e a empresa pleiteava a prorrogação nos termos vigentes, sem redução de receitas. A Aneel, no entanto, negou o pedido inicial e depois o rejeitou novamente em resposta a recurso da Cemig contra a decisão.

Embraer (EMBR3, R$ 16,92, +2,11%)
O BTG Pactual elevou a Embraer de neutro para compra, elevando o preço-alvo dos ADRs de US$ 24 para US$ 27. "Após dois anos de baixa rentabilidade, vemos agora uma inversão de tendência, com medidas de corte de custos em andamento, resultando em expansão significativa de margem, levando o EBIT ajustado a crescer 20% em 2017", disseram os analistas.

Ultrapar (UGPA3, R$ 68,10, -1,45%)
A Ultrapar discorda "da extensão dos impactos alegados" do incêndio que ocorreu no terminal da Ultracargo em Santos, em 2015. A manifestação foi encaminhada ontem ao mercado, após pedido de esclarecimento da Superintendência de Acompanhamento de Empresas da BM&FBovespa sobre matéria do Valor que mostrou que o Ministério Público de São Paulo fixou em R$ 3,6 bilhões a reparação pelos danos ambientais. "Na visão da companhia, os danos foram pontuais e temporários, razão pela qual os valores apresentados não guardam relação com os respectivos fatos", disse a empresa.

JBS (JBSS3, R$ 9,07, -7,07%)
O acerto da compra da GNP pela Pilgrim's Pride, da JBS, por US$ 350 milhões em dinheiro é estratégica e não deve trazer impactos relevantes no nível de endividamento do grupo, afirmou a companhia em e-mail de resposta a perguntas enviadas pela Bloomberg. As projeções da maior processadora de proteína animal do mundo são de que o nível de alavancagem deve ficar abaixo do atual quando a compra estiver finalizada.

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